Viabilidade de um RPG tuga

Retrato de kabukiman

Ok, acho que se pode continuar aqui a discussão. Que hipótese de se criar um rpg comercial e ter sucesso. Talvez em PDF?

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Mais considerações

Sim e não só. A hipótese mais exequível passa por Print on Demand (ou seja o sistema do "imprimi-se apenas as cópias de que se precisa vender". Basta ires ao site da Lulu Press, aqui, uma empresa de PoD que não só te imprime o livro, como o disponibiliza no próprio site para venda sem teres de pagar nada. Das vendas dos livros é retirada uma pequena comissão pela empresa e o resto do lucro é para o autor. Tem alguns inconvenientes: é na internet, o site não tem interface em PT, e o centro de impressão mais próximo é na Espanha (o que pelo menos não passa pela alfândega, acho).

Existe uma empresa espanhola de PoD, a Publidisa, site aqui, sediada em Portugal, que o tal colaborador indicou com sendo profissional e acessível. Mas esta requere investimento base para a impressão.

A questão é: será que o interesse em comprar/publicar um RPG PT não é só dos que são capazes de contribuir para esta conversa?

"Se alguma vez sou coerente, é apenas como incoerência saída da incoerência." Fernando Pessoa

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RPG

jrmariano escreveu:

A questão é: será que o interesse em comprar/publicar um RPG PT não é só dos que são capazes de contribuir para esta conversa?

Xa-me mudar para modo Economista.

As empresas com grandes montantes de capital disponivel normalmente respondem à tua pergunta fazendo um estudo de mercado.

O que é impossivel para nós fazermos, pois um estudo de mercado requer um grande, enorme, investimento.

Não há realmente uma maneira segura de responder à tua pergunta. A minha sugestão, que é subjectiva embora tenha os seus fundamentos levemente válidos, seria descobrires o que uma pessoa que nunca tenha ouvido falar de pensa sobre a ideia de jogar RPGs. Como fazer isso? Abordas estranhos na rua e perguntas. Basicamente é uma espécie de mini-estatistica subjectiva pois é dificil, desta maneira, arranjar um número de pessoas com gostos e necessidades diferentes. Mas, ficavas com uma melhor ideia do que agora se o RPG faria sucesso ou não.

Claro, esta sugestão é subjectiva e nenhum economista faria isso, mas para este caso onde não há capital para investir num estudo de mercado, poderá ser a melhor solução que se pode arranjar em cima da hora.

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"You can not escape me!" he roared. "Lead me into a trap and I'll pile the heads of your kinsmen at your feet! Hide from me and I'll tear apart the mountains to find you! I'll follow you to hell!"

---- Behold the pain and sorrow of the world, Dream of a place away from this nightmare. Give us love and unity, under the heart of night. O Death, come near us, and give us life!

Um estudo de mercado custa

Um estudo de mercado custa dinheiro mas não é impossível. Mas que fazer primeiro? O estudo de mercado ou desenvolvimento de um produto?

O que é exactamente o Valor de Produto de um RPG para vocês? 

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RPG

jrmariano escreveu:

Um estudo de mercado custa dinheiro mas não é impossível. Mas que fazer primeiro? O estudo de mercado ou desenvolvimento de um produto?

Estudo de mercado, definitivamente. É como diz o ditado popular, não se põe a carroça à frente dos bois.

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A hipótese de ter um RPG

A hipótese de ter um RPG comercial e ter sucesso é simples: basta ter gente em quantidade suficiente a jogar.
Em termos genéricos, para qualquer produto: basta que haja um número mínimo de consumidores para um produtor ser comercial (i.e. lucrativo).

Porque é que o Magic teve sucesso a certa altura? Porque houve uns carolas que ouviram falar, compraram e foram jogar para a escola. Os colegas viram, pediram para jogar, jogaram ficaram viciados, foram comprar o seu baralho.
É assim que a coisa funciona.

O problema é que os RPGs têm muitos factores contra a sua viabilidade comercial, mesmo a nível internacional:

- muita concorrência (jogos online, jogos de computador, filmes, etc.)

- muito investimento temporal (comprar os livros, ler os livros, criar as aventuras, criar as personagens, arranjar um grupo, conciliar interesses de estilos e jogos, marcar encontros, ir aos encontros, ver se não falhou ninguém nos encontros, manter encontros regulares) com riscos de pouco retorno (jogadores que não aparecem, aventuras pouco satisfatórias, morte dos PCs, zangas entre jogadores, suplementos que nunca são usados, etc.).

- modelo comercial pouco viável: num grupo de três ou quatro jogadores só um é que precisa de comprar os materiais. Ou seja, em 100% de utilizadores só há 25% de consumidores. É o pesadelo de qualquer marketeiro.

E esqueces-te que muito

E esqueces-te que muito pessoal faz download da net ou fotocopia os manuais, o que ainda diminui mais os consumidores...

 

 

" Robot durante o dia, vegetal durante a noite"

Esquecer não me esqueci,

Esquecer não me esqueci, mas isso é um problema que afecta tudo agora, desde a música, filmes, jogos, livros e RPGs.

O que me esqueci foi de que os RPGs têm outro problema: qualquer pessoa pode inventar um RPG razoável, desde que tenha tempo e vontade para isso (copiam-se as regras daqui, vai-se buscar um setting ali, etc.).

(A primeira sessão de RPG que mestrei foi com uma versão adaptada do FUDGE e o setting dos livros das Aventuras Fantásticas. Correu mal, mas isso foi porque eu não tinha prática e os jogadores também não.)

Ou seja, os primeiros concorrentes da "indústria" são os próprios consumidores.

Suspeita

Além da pirataria ser um problema que nunca será resolvido a não ser com um mudança de mentalidades acho que quem fotocopia ou saca jogos da net nunca os iria comprar de qualquer maneira. A não ser que gostem de "extended previews" ( :D ) e acabem por comprar aqueles a que realmente dão valor.

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Novo Modelo?

Eu fui um desses carolas que comprei Magic e ia para o secundário jogar isso no bar. Ainda me lembro das caras parvas do pessoal que passava e pensava que eramos loucos. Depois toda a gente começou a jogar e eu comecei a jogar Vampire: The Eternal Struggle. :D

Tudo razões comprovadas que inviabilizam ser um super-sucesso comercial. Daí eu achar que tem de se encontrar um novo modelo comercial para os RPGs e ter feito o desafio do RPG Trifásico no grupo dos Designers - RPG.

Mas mesmo sabendo isso tudo será que não se consegue publicar um jogo sem dar prejuízo?

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Para não parecer um

Para não parecer um pessimista que diz mal de tudo, eis as minhas sugestões construtivas:

- Fazer um site de promoção dos RPGs em português com regras e settings gratuitos, simples e interessantes, e demonstrações de jogos, FAQ para principiantes, sugestões e críticas dos jogos existentes.
- Fazer sessões regulares de demonstração de RPGs em escolas, lojas, locais e eventos relacionados com a BD/literatura/cinema fantástico/vídeojogos.
- Jogar online através de fóruns, chats, messenger, blogs, etc.
- Parcerias com jogadores e grupos brasileiros.

>Mas mesmo sabendo isso tudo será que não se consegue >publicar um jogo sem dar prejuízo?

Bem, talvez se consiga. Eu sugeriria que tinha de ser um jogo fácil de aprender, com um tema abrangente, que possa ser jogado em público e desperte a curiosidade e o interesse dos passantes.

Incidentalmente, isso faz-me lembrar noutro contra dos RPGs: a falta de "gadgets" (ou "cor", segundo um ensaio do Greg Costikyan: http://www.costik.com/nowords.html).

Por exemplo, porque é que os teus colegas olhavam para ti quando jogavas Magic? Porque viam umas cartas bonitas e diferentes.
Porque é que não olham quando jogas RPGs? Porque vêem uns tipos sentados com uns papéis e lápis e imaginam que estão a fazer algum trabalho de grupo, a discutir um filme que viram ou a jogar à batalha naval ou aos dados.

Se formos ver, os jogos que implicam "gadgets" engraçados (figurinhas, cartas, tabuleiros e peões) foram os que tiveram mais sucesso nos últimos anos, porque são justamente aqueles que mais facilmente despertam a atenção de terceiros.

O próprio tema teria de

O próprio tema teria de ser uma coisa apelativa. Ou um universo de fantasia, ou uma coisa género "aquelare" sobre Portugal (no período dos descobrimentso, a colocar os PJ's a descobrir e lutar contra outras civilizações).

 

 

" Robot durante o dia, vegetal durante a noite"

Ou há a hipótese mais

Ou há a hipótese mais realista (mas que ofende o nosso ego nacional) de não publicar em português. Vou dar um exemplo de como pode resultar.

Eu jogo jogos de miniaturas históricas (DBA). Um conhecido meu criou um jogo chamado arcane warfare e à força de insistir lá convenceu uma dúzia de amigos a experimentar. Mas fez uma versão em português e outra em inglês (pode-se comprar ou fazer download gratuitamente). Um americano seu conhecido também foi convencido, e neste momento, jogam mais americanos e com maior regularidade do que portugueses. O jogo ainda pertence ao meu amigo, mas os americanos já sugerem mudanças e tem de ser ouvidos dado que são o maior mercado. Ora como disse o neoneon, portugal é um país periférico e semi-analfabeto, de modo que dificilmente se consegue divulgar este tipo de iniciativas. Mas lá fora com a net, as coisas podem resultar e ter um efeito retro-activo em portugal (dado que gostamos de imitar modas). 

 

 

" Robot durante o dia, vegetal durante a noite"

Ser realista

Sim, publicar em Inglês, Espanhol e português norma brasileira é uma boa hipótese.

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O John Wick (personagem

O John Wick (personagem conhecida, presumo) ganhou $40.000 por publicar o Orkworld, mas no entanto não teve lucro nenhum, porque gastou perto de $40.000 a produzir o livro. Alguns gastos eram inevitáveis e incontroláveis (hackaram-lhe o comp de propósito para lhe dar cabo do trabalho), mas outros parece que foram excessos dele.

Bottom line: se houver controlo, há viabilidade.

Claro, com o novo modelo (?) espera-se chegar a mais pessoal.

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Alguém muito sábio disse uma vez: "So, Trebek, we meet again! The game's afoot!"

A escrever: down*town, tech-noir rpg
Proto Agonístes um rpg de auto-descoberta, de um personagem e vários jogador

Como publicar RPGs e ficar rico (nova tentativa)

Ok, agora é de vez, o meu contributo (teórico) sobre como criar um RPG comercial em Portugal

1) Criação de RPG
Criar um RPG que corresponda às ansiedades psicológicas e emotivas do público-alvo, que esteja ao nível sociocultural deste público, cujo factor de "coolness" faça esse público querer possuir e exibir o RPG, que não seja facilmente reproduzível, que seja fácil de ensinar e jogar e possa ser mostrado em locais públicos.

2) Divulgação
Que o RPG seja associado a produtos relacionados e com grande visibilidade, que seja fácil de encontrar por potenciais interessados (no mundo virtual e real), que suscite cobiça, que gere uma base de fãs entusiásticos que o promovam junto de amigos e conhecidos.

3) Comercialização
Que o produto seja fácil de comprar, que haja uma relação qualidade-preço perceptível que convença o público que é um bom negócio e que convença os retalhistas e intermediários que é um bom negócio para eles promover o produto.

4) Assistência pós-venda
Que as sugestões, queixas, perguntas dos compradores sejam bem acolhidas e correspondidas, que haja um crescimento sustentado que permita o influxo contínuo de novos jogadores e o aprofundar de interesse dos fãs hardcore.

Pronto! Eis as minhas sugestões teóricas. Agora é parte complicada...

Eheh

Com o teu 1º ponto fiquei a pensar se já terias lido o 101. :)

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--- THREAD COM A DISCUSSÃO ORIGINAL ---

[NOTA: Este é o comentário, e posteriores respostas, que começou toda a discussão sobre este assunto e que foi agora movido para aqui.] 

Já falei com um dos colaboradores directos da Saída de Emergência e parece que se garantíssemos que um RPG vendesse 1500 cópias um projecto desses tornaria-se realidade.

Por outro lado parece que os romances históricos andam a vender melhor que a fantasia e o horror, sendo que o horror vende mais que a fantasia.

Por acaso ninguém conhece nenhum RPG histórico que tenha tantos fãs como os de CoC não? :D

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Marketing

1500 é um número aceitável, entre o risco e o seguro.

Julgo que seria perfeitamente possível de vender 1500 cópias de um rpg, fosse qual fosse (ok, um tema minimamente atraente...), se fosse posto ao lado dos livros que realmente vendem. Por um livro assim ao lado de um Harry Potter é diferente de o remeter para a secção do Noddy. Pô-lo num sitio visível, também ajudava. Lançá-lo numa altura tradicionalmente associada a jogos também (Natal?). E claro, como já foi dito, apostar também no mercado estrangeiro.

Edit: a maior parte das livrarias e tabacarias agora também tem jogos. É giro de ver um baralho de Magic ao lado de um maço de Marlboro. Isto para dizer que é relativamente fácil de distribuir massivamente um produto assim, desde que se pense fora da caixa.

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Depende. Lembra-te que

Depende. Lembra-te que estamos a falar de livros (e grandes calhamaços, na verdade) no país com mais alta taxa de analfabetismo e maior percentagem de abandono escolar no ensino secundário da Europa.
O exemplo que dás do Magic é de um produto que já tem um mercado consolidado, o que não acontece com os RPGs. Depois, as cartas são produtos relativamente baratos (10-15 euros), enquanto que o investimento inicial no livro de RPG é na ordem dos (30-40 euros). Ninguém gasta esse dinheiro se não tiver a certeza de que está a comprar uma coisa que quer realmente.
Depois, colocar produtos ao lado do Harry Potter não é assim tão fácil quanto isso. Primeiro porque o melhor produto para se colocar ao lado do Harry Potter (na perspectiva do vendedor) é MAIS Harry Potter. Depois, isso são lugares apetecíveis, que normalmente são muito disputados por todas as editoras (normalmente o próprio editor do Harry Potter negoceia com as livrarias para pôr outros livros seus ao lado do Harry Potter). Para se conseguir um lugar desses era necessário muita força negocial.
Para além disso, em Portugal publicam-se (pelo menos) 1000 livros por mês e há cada vez menos livrarias, pelo que estas têm só aquilo que sabem que vão vender à partida.
Quanto aos quiosques, não só estes estão entupidos de encartes de jornal, como há o factor psicológico: tu tinhas confiança para gastar 40 euros a comprar um produto estranho a uma idosa desdentada e semi-analfabeta dentro de um quiosque de vão de escada a cheirar a cão?

Não digo que seja inviável vender RPGs em Portugal, mas isso passaria por uma estratégia concertada de promoção e divulgação e não apenas de pôr uns livros em português nuns quiosques.
Por exemplo, ter um portal a explicar o que são RPGs, a facultar regras e aventuras gratuitas, a promover sessões de demonstração de RPGs para principiantes, etc.

neonaeon escreveu: O

neonaeon escreveu:

O exemplo que dás do Magic é de um produto que já tem um mercado consolidado, o que não acontece com os RPGs. Depois, as cartas são produtos relativamente baratos (10-15 euros), enquanto que o investimento inicial no livro de RPG é na ordem dos (30-40 euros). Ninguém gasta esse dinheiro se não tiver a certeza de que está a comprar uma coisa que quer realmente.

Não é totalmente verdade. Muitos pais compram as coisas aos filhos porque estes pedem. Durante os anos 90 eu joguei rpg no liceu, o que impede os jovens de agora de fazer a mesma coisa? Qual tal umas demos nas escolas? E depois veríamos se vendia ou não. Até lá, dá-me ideia que é expecular. 

neonaeon escreveu:

Depois, colocar produtos ao lado do Harry Potter não é assim tão fácil quanto isso. Primeiro porque o melhor produto para se colocar ao lado do Harry Potter (na perspectiva do vendedor) é MAIS Harry Potter. Depois, isso são lugares apetecíveis, que normalmente são muito disputados por todas as editoras (normalmente o próprio editor do Harry Potter negoceia com as livrarias para pôr outros livros seus ao lado do Harry Potter). Para se conseguir um lugar desses era necessário muita força negocial.

Mas não é de  todo impossível, e julgo que estou a ser muito mal interpretado. Quando digo ao lado do Harry Potter em vez de do Noddy, refiro-me obviamente a colocar as coisas nas suas devidas secções. Se puseres um rpg ao lado da revista Maria, ninguém vai comprar; mas se o puseres ao lado dos livros do Gaiman, do Gene Wolfe, dos autores tugas de fantasia, quem nos diz a nós que este não vende?

neonaeon escreveu:

Para além disso, em Portugal publicam-se (pelo menos) 1000 livros por mês e há cada vez menos livrarias, pelo que estas têm só aquilo que sabem que vão vender à partida.

É dificil de continuar a responder-te sem te acusar imediatamente de pessimista e velho do Restelo. Não me leves a mal, mas quando se quer fazer um projecto com pés e cabeça, e principalmente muita vontade e entusiasmo, e só se ouvem vozes a mandar abaixo (mesmo com este tipo de argumento que eu acho completamente infundado - quantas Bertrands é que fecharam? Quantas outras livrarias de centro comercial?), fica-se com um certo nervoso miudinho cá dentro.

neonaeon escreveu:

Quanto aos quiosques, não só estes estão entupidos de encartes de jornal, como há o factor psicológico: tu tinhas confiança para gastar 40 euros a comprar um produto estranho a uma idosa desdentada e semi-analfabeta dentro de um quiosque de vão de escada a cheirar a cão?

Bolas, a que quiosques é que tu vais?!

Não respondas a isso, responde antes a isto: nesses caixotes de vão de escada, vendem-se baralhos de Magic?

neonaeon escreveu:

Não digo que seja inviável vender RPGs em Portugal, mas isso passaria por uma estratégia concertada de promoção e divulgação e não apenas de pôr uns livros em português nuns quiosques.
Por exemplo, ter um portal a explicar o que são RPGs, a facultar regras e aventuras gratuitas, a promover sessões de demonstração de RPGs para principiantes, etc.

Isso já se faz um pouco por aqui. Basta procurar. :)

Espero não soar demasiado ofensivo. Eu quero ser ofensivo, mas não muito. E por várias razões:

1º, porque todos gostamos do hobby e queremos vê-lo crescer
2º, porque se fosse em português, era uma bofetada de luva branca a toda a gente que diz que o estrangeiro é que é bom; dá uma vista de olhos pelos jogos que estão a ser escritos aqui no portal, e diz-me com honestidade se alguns não são obras de génio
3º, eu próprio estou a escrever alguns jogos; no momento e segundo as minhas contas, são 6 (sem contar mais alguns card games e um semi-board game); é certo que estes provavelmente não irão passar da internet para o papel, mas só o facto de os escrever e de os apresentar já me dá um gozo do caraças; e se quiser ter ainda mais gozo, nada melhor do que ter um deles publicado e à venda
4º, porque não te conheço, não posso ser terrivelmente ofensivo

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Resposta

>Não é totalmente verdade. Muitos pais compram as coisas aos >filhos porque estes pedem. Durante os anos 90 eu joguei rpg >no liceu, o que impede os jovens de agora de fazer a mesma >coisa? Qual tal umas demos nas escolas? E depois veríamos >se vendia ou não. Até lá, dá-me ideia que é >expecular.

Estou de acordo, mas para isso acontecer, não basta pôr o jogo à venda; é preciso fazer os miúdos quererem comprar. E para isso é necessário trabalho de marketing.

Mas não é de todo impossível, e julgo que estou a ser >muito mal interpretado. Quando digo ao lado do Harry Potter >em vez de do Noddy, refiro-me obviamente a colocar as >coisas nas suas devidas secções. Se puseres um rpg ao lado >da revista Maria, ninguém vai comprar; mas se o puseres ao >lado dos livros do Gaiman, do Gene Wolfe, dos autores tugas >de fantasia, quem nos diz a nós que este não >vende?

O problema é se mesmo essas secções vendem? Repara que mesmo o mercado de BD e literatura fantástica não é assim tão grande como isso em Portugal (as únicas editoras de BD que subsistem são as que publicam Astérix e Lucky Luke, não há uma colecção relevante de ficção científica e a própria Saída de Emergência admite que a ficção histórica vende muito mais que o fantástico e a FC).
Porque é que um produto derivado destas áreas poderia subsistir melhor que as próprias áreas?

>É dificil de continuar a responder-te sem te acusar >imediatamente de pessimista e velho do Restelo. Não me >leves a mal, mas quando se quer fazer um projecto com pés e >cabeça, e principalmente muita vontade e entusiasmo, e só

Bem verdade, é por isso que coloquei um comentário com sugestões positivas noutro artigo.
Mas o entusiasmo e a vontade não podem contornar um certo pragmatismo, pois caso contrário esfumam-se em boas intenções.
E chamo-te a atenção que mesmo no seu maior mercado, os EUA, só há duas empresas a lucrar com RPGs (a Wizards e a White Wolf), as outras sustentam-se a carolice e part-times.

>argumento que eu acho completamente infundado - quantas >Bertrands é que fecharam? Quantas outras livrarias de centro >comercial?), fica-se com um certo nervoso miudinho

Não te enerves. O argumento é mais complicado do que parece. Por exemplo, as Bertrands funcionam como uma única livraria, que vai buscar o que lhe interessa por atacado e depois distribui pelos seus estabelecimentos consoante a interpretação que faz da área geográfica de cada estabelecimento (suburbanos levam com Paulo Coelho, Urbano-chiques e urbano-depressivos levam com Margarida Rebelo Pinto e José Luís Peixoto, respectivamente). A FNAC é a mesma coisa.
Há tempos vi uma entrevista com os directores da FNAC e Bertrand que juravam em uníssono que um livro que não vendessem bem em três semanas era posto a correr das suas livrarias. Para um RPG aguentar um ritmo destes tinha de haver já grande procura.

>isto: nesses caixotes de vão de escada, vendem-se baralhos
>de Magic?

Não digo que seja inviável

Como eu disse, o Magic está consolidado. E, devolvendo a pergunta anterior, que quiosque é que frequentas onde o dono é capaz de descrever e explicar o que é e como funciona o Magic a potenciais interessados?

etc.

Isso já se faz um pouco por aqui. Basta procurar. :)

Espero não soar demasiado ofensivo. Eu

Sim, mas eu acho que não deveria ser necessário procurar. O pessoal deveria encontrar isso enquanto andava a googlar Harry Potter e Noddy.

>quero ser ofensivo, mas não muito. E por várias >razões:

1º, porque todos gostamos do hobby e queremos >vê-lo crescer
2º, porque se fosse em português, era

Amén!

Basicamente teria de se

Basicamente teria de se convencer a FNAC a apostar numa coisa dessas ("O primeiro RPG poprtuguês" e esperar que aparecessem daqueles compradores que levam tudo o que seja estranho. Duvido é que a FNAC se arriscasse a uma coisa dessas.

 

 

" Robot durante o dia, vegetal durante a noite"

O bedelho

A FNAC já vendeu RPGs, maioritariamente Vampire The Masquerade se a memória não me falha.

Provavelmente o fraco lucro fê-los mudar de ideias.

"the drunks of the Red-Piss Legion refuse to be vanquished"

RedPissLegion escreveu: A

RedPissLegion escreveu:

A FNAC já vendeu RPGs, maioritariamente Vampire The Masquerade se a memória não me falha.

Provavelmente o fraco lucro fê-los mudar de ideias.

"the drunks of the Red-Piss Legion refuse to be vanquished"

E D&D. A FNAC do chiado ainda tem lá os manuais base, escondidos num canto...

Evil never dies, it just waits to be reborn...

Há uns anos atrás a

Há uns anos atrás a Valentim de Carvalho do Shoping Cidade do Porto também vendia DD; um amigo meu comprou a maioria do material, mas eles nunca puseram mais nada à venda.

 

 

" Robot durante o dia, vegetal durante a noite"

Ainda semi OOT

E eu comprei toda a minha colecção de Dark Sun na extinta Valentim de Carvalho da Baixa.

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OOT

neonaeon escreveu:

Depende. Lembra-te que estamos a falar de livros (e grandes calhamaços, na verdade) no país com mais alta taxa de analfabetismo e maior percentagem de abandono escolar no ensino secundário da Europa.

Mas não de insucesso escolar pois agora passa tudo até ao 9º ano!!!*

* - não é bem assim, na realidade o trabalhão que dá aos profs chumbar um aluno é tanto que só em última instância é que estes o fazem, em vez de queimarem parte das férias de Verão em reuniões por causa dos chumbos!! Welcome to Portugal!! LOL

Manuel Pombeiro
a.k.a.Firepigeon
LUDO ERGO SUM

Últimas jogatinas:

Negating the unforeseeable is utterly unrealistic, and scrambling to deal with problems is indeed a game skill.

1500 cópias não é muito

1500 cópias não é muito fácil de vender em Portugal, especialmente porque um livro desses seria extremamente caro (os originais americanos já o são, com os custos de tradução e impressão ainda o seriam mais). A única hipótese seria se fosse possível distribuí-lo também no Brasil e uns exemplarzitos para a Galiza.

1500 3xemplares de um RPG

1500 3xemplares de um RPG em Portugal não é muito? Duvido que entre GM e jogadores haja tanta gente a jogar CoC nas terras lusas.

 

 

" Robot durante o dia, vegetal durante a noite"

Considerações

Efectivamente devem existir menos de 1500 jogadores de RPG em Portugal, estão normalmente distribuídos pelos grandes centros urbanos (que o diga o Tirolês que anda por Ponte de Lima sem ter grupo) e são normalmente estudantes do secundários, universitários ou jovens profissionais (o Jmendes é uma das excepções, :P ).

O desafio começa logo na criação ou escolha do produto. Que produto (totalmente em Português) era capaz de aliciar a maioria dos jogadores já existentes e atrair novos jogadores? Porque mesmo que se traduza um produto já estabelecido este tem que oferecer algo igualmente valioso aos jogadores regulares quando com os produtos que eles já importam. Aos novos jogadores têm que oferecer um alternativa boa a todos os tipos de entretenimentos que já possuem. A uma empresa/editora que se meta nisso tem que lhe trazer alguma compensação financeira.

A parte da concretização não é o mais difícil, incluindo o suporte on-line e off-line, a impressão e a distribuição, desde que haja algum investimento. Com um bom produto arranja-se investimento, pois pode dar algum lucro explosivo inesperado como aconteceu no Brazil com os RPGs mas em mais pequena escala.

Os outros mercados além do nosso país são uma forte hipótese num mundo cada vez mais globalizado mas se não for um produto original o mais provável é já alguém o ter traduzido e publicado.

Mas esta discussão já está a escapar um bocado ao tema e ainda por cima por minha causa. Alguém quer abrir um novo tópico acerca disto? 

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Falamos aqui de um jogo

Falamos aqui de um jogo produzido e criado em Portugal? De uma Tradução? De ambos? Porque qualquer uma destas coisas levanta questões diferentes...

Sans la liberté de blâmer, il n'est point d'éloge flatteur - Beaumarchais

I don't believe in the concept of "One True Game" - Steve Kenson, Icons

Clarificação

Apesar do thread estar repartido o que a torna mais confusa, e depois de dar uma vista de olhos na thread que a originou, parece-me que se está a falar de ambos os casos, (um jogo original e/ou uma tradução).

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Para quem tiver

Para quem tiver interessado: "A Sabedoria dos Mortos" de Rodolfo Martinez, um livro onde Sherlock Holmes se defronta com seitas adoradoras do Mythos, como por exemplo a Golden Dawn.

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I said it before and I'll say it again...

..a minha referência imediata continua a ser:

H o r á r i o N o b r e
cria a tua própria série de televisão

Já à venda no teu quiosque/livraria!

Em versão "capa com os Morangos" e versão "capa com Desperate Housewives"!

Por apenas €14.99!

Inclui também baralho de cartas com todos os teus herois preferidos da televisão!

Juntando a minha voz à do Rick

PTA é o jogo a apostar para um segmento de mercado dos 20 e poucos anos para cima.
1) Não tem necessariamente elementos de fantasia. Parecendo que não a grande maioria dos RPGs tem sempre associado a si um ou outro elemento de fantasia, mesmo que não sejam sobre fantasia (exemplo: TSoY), que pode passar a imagem de serem "jogos para putos".
2) Parece que ultimamente tem havido uma explosão de interesse do público em séries de TV, associado a uma grande melhoria na qualidade das mesmas. Vender PTA como uma maneira de várias pessoas criarem uma dessas séries em vez de serem espectadores passivos acho que é a melhor maneira de atrair as pessoas para o jogo.

"Do you read minds?" :P

Talvez não saibam e não sei se vou cometer alguma gaffe mas de qualquer maneira é uma maneira de sondar as opiniões dos interessados:

Efectivamente eu o Ricmad fizemos contactos directos com o Matt Wilson para publicarmos/traduzirmos o PTA em PT. Tivemos essa ideia pêlas razões já invocadas e por nós (principalmente o Ric) podermos dar o apoio necessário a futuros jogadores.

Eu pensei imediatamente em fazer demos do jogo a cursos de escrita criativa e criar versões alternativas para séries de grande audiência em Portugal.

O criador já estava pronto a mandar contrato e tudo! A coisa não avançou por desconhecimento dos meios técnicos e porque achavamos que a coisa devia ser distribuída em massa (além de outras coisas) para ter mais visibilidade. Existe também o problema do jogo à partida não ser do agrado geral dos RPGistas portugueses.

A explosão de adesão por séries dramáticas tem vindo a esmorecer em PT e parece que se perdeu um bocado o barco mas vem aí os Heroes da NBC que de certeza vai trazer mais fãs incondicionais a ficarem pegadinhos à televisão.

Para quem conhece PTA: acho contudo que se devia chagar o Matt Wilson a rever/expandir a edição presente do PTA. Não sei é se ele faria isso de propósito para nós!

"Se alguma vez sou coerente, é apenas como incoerência saída da incoerência." Fernando Pessoa

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mais além

jrmariano escreveu:

Efectivamente eu o Ricmad fizemos contactos directos com o Matt Wilson para publicarmos/traduzirmos o PTA em PT.

Tinha ideia que isso tinha ficado um bocado em suspenso mais porque vocês não têem propriamente disponibilidade para se meterem nisso sozinhos. Da minha parte, reitero o meu voluntarismo para fazer parte desse projecto.

A parte fácil será mesmo traduzir a segunda edição tal como ela está. O trabalho começa na edição propriamente edita e nas adaptações que poderão ser negociadas com o Matt para adaptar o produto à realidade portuguesa e à sua massificação.

Sinceramente, acho que ou se faz um RPG para puxar pelo orgulho da ínfima comunidade portuguesa de roleplayers - aceitando que não é possível fazer dinheiro - ou se vai tentar fazer algo que nunca se fez antes, mesmo nos Estados Unidos.

Não preciso de fazer estudos de mercado para saber que a única hipótese de viabilidade é criar um produto novo e vendê-lo a quem nunca viu um RPG.

A aposta no PTA traduzido e adaptado permitia-nos concentrar-nos logo à partida na melhor promoção e venda do produto, em vez de estarmos a dispersar tempo com o seu desenvolvimento. Com a experiência adquirida, aí sim, seria mais fácil fazer algo completamente nacional, como o desafio trifásico propõem.

jrmariano escreveu: O

jrmariano escreveu:

O criador já estava pronto a mandar contrato e tudo! A coisa não avançou por desconhecimento dos meios técnicos e porque achavamos que a coisa devia ser distribuída em massa (além de outras coisas) para ter mais visibilidade.

Isto são tudo situações que podem ser estudadas e resolvidas juntando cabeças e as opiniões que já foram aqui expostas.

jrmariano escreveu:

Existe também o problema do jogo à partida não ser do agrado geral dos RPGistas portugueses.

Se isto fosse um factor relevante a White Wolf nunca tinha lançado o Vampire. Se a ideia é criar um RPG para quem ainda não joga sinceramente aquilo que eu como RPGista, ou qualquer outro, ache é irrelevante, porque eu não sou o mercado alvo, não quer dizer que possivelmente não vá gostar e comprar, apenas não é algo que deve ser considerado no seu desenho e desenvolvimento. Se a ideia é criar um RPG para os que já jogam então a dor de cabeça aumenta exponencialmente hehe.

Discordar por discordar

Não queria fazê-lo apenas porque sim, mas na verdade ainda não tenho net na loja e por isso ainda não me posso debruçar a sério sobre este ponto, mas que fique registado que não concordo com ele; logo que tenha mais tempo disponível, fá-lo-ei e compreenderão tudo! Eles andem aí! ;)

Edit: finalmente!

Não concordo que PTA seja o jogo a mostrar a pessoal novo, mas um dos.

Porque PTA é muito mais sobre os Issues dos seus personagens do que as coisinhas lindas que têm. Eu quando comecei a jogar rpg queria lá saber de novelas e afins (ainda hoje), queria era saber se a minha espada era suficiente para matar o orc ou não!

Nos anos 90, o Vampire e a sua falsa premissa de "man or beast" atraíram muita gente ao hobby, mas julgam mesmo que se jogava a angustia de não matar ninguém enquanto se alimentam Jogava-se era com Celerity a 5 e afins, com a politiquice toda do Clã, o couro preto e a Harley. Nunca vi ninguém jogar Vampire para a angustia.

Segundo ouvi dizer o Unknown Armies também trouxe muita gente para o hobby, mas acham que foi mesmo por se escolher entre ter poder e ter amigos? Que raios, o giro do jogo são as magias estranhas e os rumores e as lendas urbanas!

O jogo que mais trouxe gente para o Hobby nos anos 2000, o D&D 3.x, acham que é sobre novelas, ou a condição humana, ou sobre os problemas pessoais do elfo que escolhe a mini-saia em vez da calça branca apertada, arriscando-se assim a ser gozado pelo seu camarada semi-orc?

Não estou a criticar o PTA; acho que o PTA pode funcionar como veículo para introduzir novos jogadores, mas acho também que funcionaria tão bem como qualquer outro. Epá, e sejamos honestos, eu tenho uma loja e lido diariamente com clientes; eu tenho aqui uma marca, a Semente, que está aqui única e exclusivamente porque aparece nos Morangos; até hoje vendi 0 (lê-se zero) peças da Semente. Porque é que comprariam um rpg baseado nos Morangos?

O que eu estou a criticar é a atitude, errada, que diz que o PTA é o Holy Grail que motivará toda a gente a jogar um novo tipo de jogo. Só porque vocês gostam do jogo (eu também vou gostando, mas não tenho ninguém com quem jogar) não quer dizer que toda a gente gosta; olhem para as estatísticas (já que tanto se fala nelas hoje em dia) e vêm a prova.

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Alguém muito sábio disse uma vez: "So, Trebek, we meet again! The game's afoot!"

A escrever: down*town, tech-noir rpg
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Bem...

Efectivamente o PTA não é o Holy Grail da motivação para novos jogadores de RPG e espero que não tenha transparecido essa opinião só porque gosto da ideia do jogo! Tal como disse o RPL, o PTA era uma boa aposta para uma faixa etária mais velha que gosta de séries de ficção norte-americana dramáticas, de jogos e tem pretensões ou gostos literários. Como existe mais gente que gosta disto tudo o que referi do que RPGs era uma aposta decente.

Contudo, concordo que não possa ser a única aposta. É preciso atingir o pessoal com "disposable income", ou seja com dinheiro para gastar e sem responsabilidades, o dinheiro das mesadas mesmo ou até directamente o dinheiros do seus progenitores! Para isso é preciso outro tipo de produto diferente do PTA, dos MMOG, dos CCGs, e tudo o resto.

O problema é que não sei qual será esse produto. Fala-se de que precisamos de "uma nova caixa vermelha" ou seja algo diferente e original que agarre os gostos do momento e transforme-se numa alternativa sem precedentes. Mas para se chegar a esse produto é preciso arriscar e experimentar o que pode trazer algumas frustrações aos criadores e editores de tal projecto.

Talvez precisamos de umas quantas "caixas vermelhas" mas o investimento para tal pode ser baixo.

Por outro lado este site é um bom tubo de ensaio para ver o apelativo de alguns projectos quase instantaneamente. Para isso estou sempre disponível e interessado. Arrisquem-se!

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Há uma thread gira na

Há uma thread gira na rpg.net sobre a necessidade de o rpg ser mais como um jogo de futebol: fácil de aprender, que engaje muita gente, que seja popular.

Já lá participei com a minha visão do Filth & Fury, mas fui ignobilmente ignorado. :)

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Agora - quer o jogo seja

Agora - quer o jogo seja traduzido ou criação original, para que público seria? Era para trazer gente nova ao hobby, ou para veteranos destas andanças? Porque se for para veteranos, temos é de pensar naquilo que gostamos e que gostássemos de ver em Português - pois esses somos nós. Um jogo para atrair um público que nada sabe de RPG precisa de mais cabeça e sensibilidade sobre o que é que leva uma pessoa a jogar rpg. E mesmo aí, suponho que ajuda vasculharmos o nosso passado e vermos o que foi que nos fascinou nessa altura. Em toda a probabilidade, essa coisa deve ser integrada no jogo que fizermos.

Sans la liberté de blâmer, il n'est point d'éloge flatteur - Beaumarchais

I don't believe in the concept of "One True Game" - Steve Kenson, Icons

Sobre a tua 1ª pergunta

Sobre a tua 1ª pergunta (trazer gente nova ao hobby), alguns de nós estão a tentar responder-lhe.

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