Taj Mahal

Retrato de MGBM

O Taj Mahal é um jogo engraçado. Apesar de ter regras que dão a ideia de um jogo complexo, a verdade é que este boardgame é dos jogos mais simples feito pelo Reiner Knizia.

O objectivo do jogo é simples, controlar a India. Para tal, jogamos cartas que nos farão ganhar influencia e, por consequência, construir palácios e contrlar as provincias.

O jogo tem um bom manual de regras, bem escrito e esclarecedor. A caixa vem com slots para todas as peças, algo que é sempre bom ver, e contém bastantes palácios. O problema é que os palácios nunca são em número suficiente para satisfazer os requisitos durante o jogo, ou seja, alguns jogadores ficam sem poder construir palácios apesar de não ter palácios para colocar no tabuleiro não implica não poder construir, temos é que usar a cor de outro jogador para substituir. O problema acontece quando todos os jogadores estão a jogar e um fica sem palácios. Um erro grave que podia ter sido facilmente remediado incluindo mais palácios de todas as cores.

O jogo é simples, cada jogador tem uma mão de cartas. No seu turno tem duas acções, ou joga cartas ou passa. As cartas vêm em diferente cores e um jogador deve sempre assistir à cor jogada na sua primeira jogada. Quando um jogador passa, ele vê se os simbolos nas cartas que jogou detêm a maioria em relação aos outros jogadores. Se sim, o jogador ganha o equivalente aos simbolos, o que pode ser desde controlo da provincia até construir palácios.

É um jogo simples, de set-collection, hand management e connecting para 5 jogadores.

Passemos à análise.

Este boardgame não é muito simpático para novatos, a não ser que esses novatos gostem muito de jogos de carta em que set-collecting seja fundamental. Fora isso, eu não usaria este jogo a novatos, não é muito friendly e é muito competitivo, o que poderá afastar alguns novatos.

Este jogo é quase totalmente abstracto como a maioria dos jogos do Knizia são. O tema está colado, e nem mesmo os palácios de plástico salvam o jogo. No entanto, tem mais tema do que o jogo tipico do Knizia, mas não esperem um tipo-Americano e não ficarão desapontados.

A sorte neste jogo está bem controlada. Cada jogador tem direito a receber duas cartas, uma se se foi o último jogador a passar. As cartas são postas para cima, tiradas dum baralho. Logo os jogadores têm opções limitadas quanto a que cartas escolher para a sua mão. Isto limita a sorte e torna o jogo mais interessante, pois temos que gerir a nossa mão conforme as cartas que estiverem na mesa. Fora isto, o jogo não tem sorte, tipicamente do Knizia este jogo tem a quantidade certa de sorte, o suficiente para tornar o jogo bem interessante.

E interessante é também a relação entre estratégia e táctica. Este jogo tem grandes doses de ambos. A táctica neste jogo manifesta-se nas jogadas para ganhar uma provincia, os jogadores jogam tendo em conta que só vão ganhar essa provincia mas ao mesmo tempo têm que ter em conta as outras provincias, logo os jogadores establecem planos a longo-prazo que são representados por escolherem que cartas a guardar na mão e que cartas a jogar. Este jogo é uma mistura incrivel de estratégia e táctica, e o mais engraçado é que o jogo obriga-nos a pensar em ambas as vertentes em toda a duração do jogo. Estamos a jogar a pensar na táctica e na estratégia ao mesmo tempo, o que é engraçado pois não se vê muitos boardgames assim.

A interação entre jogadores é passiva e directa. Os jogadores jogam uma mão de cartas com o intuito de bater as mãos dos outros jogadores, logo existe uma interação entre jogadores durante cada turno pois cada jogador tenta ter uma mão melhor, ou uma mão de simbolos diferentes, que os outros jogadores. Mas não é uma interação activa pois os jogadores não interagem directamente entre si, interagem só entre si devido à mecânica do jogo. Felizmente, não se pode dizer que este jogo é um solitaire, longe disso. Mas não é um jogo de negociação ou de bluff, visto que a nossa mão jogada é visivel para todos. Portanto este boardgame é bom para quem queira um jogo onde bater a mão de cartas do adversário é essencial para ganhar pontos.

Este boardgame não é um gamer's game, mas também não é um filler. Encaixa-se perfeitamente no meio.

O que me traz ao peso do jogo. Eu diria que este jogo é um perfeito middleweight. Não é leve mas também não é pesado, é um jogo que se joga numa hora e fica-se satisfeito, sem termos que pensar muito durante o jogo. É um jogo perfeito para fechar uma noite de jogatina ou então para começar. Pode ser o jogo principal, mas se for pode deixar a sensação de ter sabido a pouco. É um bom jogo para uma sessão em que um dos principais jogos a jogar seja este.

A longevidade, replayability, deste jogo é estonteante. Como cada jogo é sempre diferente, pois embora o tabuleiro não seja modular os items que se coloca no tabuleiro podem ser postos ao calhas. Logo cada jogo nunca é igual ao anterior. Este jogo é bem bom nesta área de longevidade, o que torna este jogo apetecível para quem queira um jogo que nunca se repete. No entanto as mecânicas do jogo são rigidas, o que pode tornar o jogo aborrecido demasiado depressa para quem não goste de mecânicas rigidas. Mas, no fim, eu diria que, se gostam de jogos de cartas, este jogo promete não aborrecer durante algum tempo.

O dinâmismo deste jogo é bom. Sendo um jogo do Knizia, existe um dinâmismo matemático que pode tornar o jogo numa seca para quem não gosta do Knizia, mas para quem gosta irá rápidamente reconhecer o dinâmismo tipico dele. O jogo evolui e cada jogada acaba por ter um impacto em jogadas futuras. Embora o dinâmismo deste jogo possa ser mais estático que o habitual do Knizia, continua a ser uma dinâmica bem interessante e boa de se ver.

Felizmente este jogo não se dá a analysis paralysis. Os turnos são rápidos e os jogadores normalmente sabem exactamente o que fazer. Este jogo flui rapidamente e não há interrupções.

O visual deste jogo é simples mas eficaz. É fixe ver o tabuleiro cheio de palácios por todo o lado mas no fim o visual não impressiona, pura e simplesmente faz o seu trabalho e mais nada.

E eis a minha análise.

Este jogo poderá supreender as pessoas ao verem que é um Knizia. Embora todas as mecânicas do jogo sejam tipicas do Knizia, não se esperava que um jogo de hand management com mais tema do que o habitual fosse do Knizia.

Pessoalmente gosto bastante deste jogo, é um jogo que nos obriga a pensar em curto e longo prazo ao mesmo tempo e que é agradável de se jogar. Não vicia tanto como alguns do Knizia, mas também não é aborrecido, é um jogo que se joga e fica-se bem depois de jogado. Não tem grandes defeitos mas também não tem grandes qualidades. É um boardgame que, embora não seja original, tudo o que faz, faz bem.

É um bom boardgame para ter na coleção e para jogar ocasionalmente com os amigos. É bom o suficiente para divertirem-se, mas não é excelente o suficiente para falarem sobre o boardgame depois de jogado.

Ou seja, um bom boardgame que, não trazendo nada de novo para a mesa, faz o seu trabalho de entreter durante uma hora.

Recomendado para quem não queira um boardgame pesado ou quem queira um boardgame mais pesado que o Kingdoms. Aproveitem agora que o jogo vai ser reprinted.

15 de 20.

http://www.boardgamegeek.com/game/475

Opções de visualização dos comentários

Seleccione a sua forma preferida de visualização de comentários e clique "Gravar configuração" para activar as suas alterações.

Taj Mahal

Eu até nem desgosto do jogo. Acho curiosa a forma como se faz uma espécie de "area control" mas com cartas e que não é área! heheheh

No resto irrita-me (mais uma vez) as milhões de formas de pontuação que existem. Epá, eu sou um gajo simples. Digam-me que eu tenho de jogar o Ás de trunfo para somar onze pontos e eu jogo. Agora, fazer carreirinhos, cores de regiões diferentes, com palácio e sem palácio, com não sei quê dá não sei o quê... enfim. Acho demasiada energia perdida. Acho até que tem demasiadas regras antitemáticas só para favorecer o sistema de pontuação complicado.

Mas o jogo pelo jogo não é mau. Concordo contigo. O problema é mesmo meu, eu sei. :) 

 

"hay que endurecer, pero sin perder la ternura jamas!"

Ernesto 'Che' Guevara 1928 - 1967