Kingsburg - está aqui um caso sério!

Retrato de Abruk

Criadores: Andrea Chiarvesio & Luca Iennaco
Jogadores: 2-5
Idades: 10+
Tempo de jogo: 60-120 minutos

Kingsburg pertence à categoria dos Eurogames, mas graças ao tema e aos gráficos agradáveis e ao uso maciço dos dados, também pisca o olho aos amantes de jogos do estilo americano.

Cada
jogador toma o papel de governante de uma província costeira e tem a
missão de a gerir durante cinco anos, antes que o rei Tritus decida
quem realizou melhor essa árdua tarefa. Cada governante deve melhorar a
província procurando construir vários edifícios, incluindo edifícios
militares e religiosos, graças à ajuda de vários conselheiros reais. No
fim do ano, os governantes devem ajudar a repelir os inimigos da nação,
que ameaçam as fronteiras do reino, tentando assim impedir a invasão
dos territórios do rei.

Cada
ano está dividido em quatro estações: A Primavera, o Verão, o Outono, e
o Inverno. As três primeiras são denominadas - fases de produção,
enquanto o Inverno é claramente dedicado à formação do exército e à
defesa do reino, lutando contra as forças inimigas.

As
fases de produção são o coração deste jogo: Cada jogador lança três
dados, no final aquele que tiver o menor total será o primeiro na ordem
de turnos desse ano. Os jogadores iniciam os seus turnos podendo usar
os dados lançados para influenciar os conselheiros reais. Para
influenciar os conselheiros, cada jogador à vez, coloca os dados iguais
ao valor do conselheiro (que vão de 1 a
18) no cartão dessa personagem. Os turnos acabam quando todos os
jogadores tiverem usado os seus dados ou não reste nenhum conselheiro
para ser influenciado.

Em
cada fase de produção, um conselheiro pode ser influenciado somente por
um único jogador. Ter um quociente baixo nos dados não é
necessariamente mau, embora haja menos oportunidades em termos de quem
se pode influenciar, há por outro lado a vantagem de jogar em primeiro,
e assim, poder escolher estrategicamente os conselheiros. Toda a
interacção do jogo passa por esta interferência! Com quatro ou cinco
jogadores, pode ser realmente difícil usar todos os dados!

Os
conselheiros e os edifícios dão aos jogadores mais oportunidades
durante esta fase de produção, permitindo que lancem dados extra, os
possam relançar ou até influenciar um conselheiro, ao qual os jogadores
não teriam acesso em circunstâncias “normais” devido ao valor dos seus
dados. Nesta fase existe uma componente de sorte, no entanto não se
pode dizer que seja determinante para o desenrolar do jogo, pelo
contrário, esse aspecto mais aleatório é balanceado pelas diferenças
entre os poderes dos conselheiros, que foram muito bem estudados e
devidamente testados pelos criadores para trazer equilíbrio a esta
etapa.

Os
conselheiros dão acesso a recursos (madeira, pedra e ouro), pontos da
vitória, e habilidades especiais. Depois de “colher os frutos” dos
conselheiros reais influenciados, cada jogador pode construir um
edifício. As construções dos edifícios são feitas num esquema de cinco
linhas com quatro espaços cada, e em cada linha o jogador tem de
construir da esquerda para a direita. Todas as linhas são diferentes, e
as escolhas aqui serão tomadas em função da estratégia individual: uma
linha dá acesso sobretudo a um grande número de pontos da vitória,
outra propicia maior capacidade militar, que se traduzirá em melhor
capacidade para lutar contra os inimigos, outra linha influencia
sobretudo a componente económica e assim por diante.

A separar as quatro fases da produção, desencadeiam-se três fases especiais:

  • Ajuda real, que fornece dados ou recursos ao jogador com menor número de edifícios;
  • A recompensa do Rei, que dá pontos da vitória ao jogador com a maioria de edifícios; e
  • O emissário do Rei, que fornece o auxílio especial ao jogador com poucos edifícios.

O
Inverno, como mencionei no início, gira em redor da temática dos
exércitos e do combate aos inimigos do Rei. Cada jogador forma o seu
exército, composto pelos benefícios conferidos pelos edifícios
militares, entretanto construídos, e por todos os soldados recrutados a
troco de dois recursos (madeira, ouro ou/e pedra). Ao total do exército
conseguido pelas vias referidas anteriormente, adiciona-se ainda o
número que sair no dado lançado por cada jogador, este dado representa
a ajuda do rei Tritus a cada governante do seu reino (nós!!). Uma carta
do deck das cartas de inimigo é voltada com a sua face visível e
revelada a força do inimigo, bem como os prejuízos e benefícios de uma
derrota ou uma vitória sobre o dito rival pode acarretar. O(s)
jogador(es) com a maioria de soldados recebe(m) pontos da vitória
suplementares.

Lutar
é quase uma questão do quanto cada um quer gastar para impedir o risco
de uma derrota, porque antes de se ver a face visível da carta de
inimigos, os jogadores sabem o intervalo da força que a carta inimiga
tem, pois esse intervalo está visível na parte oculta da referida
carta, isto é, os jogadores, antes de saberem que o inimigo tem uma
força de ataque 5, conseguem ver na face oculta dessa carta, que o
intervalo do inimigo estará no intervalo de 3-6. À medida que o jogo
vai avançando nos anos, os intervalos das forças inimigas também vão
aumentando! Ir poupando recursos para os anos finais do jogo pode ser
uma boa ideia, no entanto é bom ter a consciência que uma derrota
implica quase sempre o risco de perder recursos e edifícios!

No fim do quinto ano, o jogador com o maior número de pontos de vitória ganha.

Escusado
será dizer que Kingsburg está no topo da minha lista de futuras
aquisições, a par de outros dois de quem espero escrever brevemente…

Tradução feita a partir do artigo de Andrea “Liga” Ligabue (BGN)

 

Post original http://jogoeu.blogspot.com

Opções de visualização dos comentários

Seleccione a sua forma preferida de visualização de comentários e clique "Gravar configuração" para activar as suas alterações.

Interessante

Estou interessado neste jogo, por acaso. Ter muitos dados não me assusta, eu gosto tanto de amerigames como de eurogames. Embora tenha outros boardgames acima deste para comprar primeiro, este vou comprar mais cedo ou mais tarde.

Agora era fixe que a GMT lançasse já o Conquest Of Paradise para eu o comprar!

----
A samurai once asked Zen Master Hakuin where he would go after he died. Hakuin answered ‘How am I supposed to know?’
‘How do you know? You’re a Zen master!’ exclaimed the samurai.
‘Yes, but not a dead one,’ Hakuin answered.

---- Behold the pain and sorrow of the world, Dream of a place away from this nightmare. Give us love and unity, under the heart of night. O Death, come near us, and give us life!

Eu também o acho muito

Eu também o acho muito interessante embora ainda não o tenha comprado, mas tenciono fazê-lo!

 

Quanto aos dados parece que não têm aquele efeito de sorte tão explícito como parece à primeira vista, uma vez que quem tem o valor mais baixo pode optar em primeiro lugarna escolha do conselheiro real!

 

Brevemente irei publicar no nosso blog (Grupo de Aveiro - jogoeu)  uma entrevista com os criadores de Kingsburg.

 

Ainda não a enviei ao Andrea porque ainda não traduzi as perguntas e também por ainda não decidi quais as questões que devo retirar.

 

Se calhar era boa ideia deixar aqui as questões que aqui em Aveiro nós já elaborámos, e assim, todos poderiam dar uma ajudinha, o que acham.

 E ouro sobre azul era mesmo alguém que me podesse fazer a tradução para inglês! Mas isso já era pedir de mais...

Vou colocar de seguida as questões que nós inventámos até ao momento e fico aberto a todas as sugestões: o número ideal de perguntas; as que devem ser feitas; as que não devem ser feitas; as que deviamos fazer e ainda não foram feitas e outras coisas que possam melhorar mais esta entrevista que vou enviar por mail para os criadores de Kingsburg.

 

Já agora queria dizer-vos que vou publicar a referida entrevista no nosso blog e também aqui se entenderem que é relevante que assim seja!

 

Um abraço desde já para todos!

 

Abruk 

Kingsburg

Abruk escreveu:

Eu também o acho muito interessante embora ainda não o tenha comprado, mas tenciono fazê-lo!

Não há nada melhor que o cheiro de cartão de boardgame acabadinho de abrir. :D

Abruk escreveu:

Quanto aos dados parece que não têm aquele efeito de sorte tão explícito como parece à primeira vista, uma vez que quem tem o valor mais baixo pode optar em primeiro lugarna escolha do conselheiro real!

Sim, o Kingsburg não parece ser um To Court The King, mas a mim os dados não me assustam, muito pelo menos, embora seja uma visão rara ver dados num eurogame, mesmo tendo uma pitada de amerigame.

Abruk escreveu:

Brevemente irei publicar no nosso blog (Grupo de Aveiro - jogoeu) uma entrevista com os criadores de Kingsburg.

Boa! :D

Abruk escreveu:

Se calhar era boa ideia deixar aqui as questões que aqui em Aveiro nós já elaborámos, e assim, todos poderiam dar uma ajudinha, o que acham.

E ouro sobre azul era mesmo alguém que me podesse fazer a tradução para inglês! Mas isso já era pedir de mais...

Vou colocar de seguida as questões que nós inventámos até ao momento e fico aberto a todas as sugestões: o número ideal de perguntas; as que devem ser feitas; as que não devem ser feitas; as que deviamos fazer e ainda não foram feitas e outras coisas que possam melhorar mais esta entrevista que vou enviar por mail para os criadores de Kingsburg.

Ta ok, parece-me bem.

Abruk escreveu:

Já agora queria dizer-vos que vou publicar a referida entrevista no nosso blog e também aqui se entenderem que é relevante que assim seja!

Avisa quando publicares a entrevista para eu ir lê-la! Está a vontade a publicar a entrevista aqui, é sempre bem-vindo qualquer conteúdo bom. :D

----
A samurai once asked Zen Master Hakuin where he would go after he died. Hakuin answered ‘How am I supposed to know?’
‘How do you know? You’re a Zen master!’ exclaimed the samurai.
‘Yes, but not a dead one,’ Hakuin answered.

---- Behold the pain and sorrow of the world, Dream of a place away from this nightmare. Give us love and unity, under the heart of night. O Death, come near us, and give us life!

Ajuda aceita-se!

Cá vai o projecto de entrevista:

 

Antes de começar o blog JogoEu,
gostaria de agradecer a vossa disponibilidade para responderem a algumas
questões que vos queremos colocar e que estamos ansiosos por saber as
respostas. Lembrar ainda os utilizadores do site português de boardgames e
RPG’s, abreojogo, tiveram um papel
muito importante na elaboração e tradução desta entrevista.

 

1 - JogoEu (JE) – Como surgiu a ideia inspiradora para
Kingsburg?

2 - JE – Conhecem-se à muito tempo? Como se conheceram?

 
3 - JE - O vosso objectivo foi sempre serem designers de
jogos de tabuleiro?

 

4 - JE – As vossas profissões estão relacionadas com o mundo
dos jogos?

 
5 - JE – Que tempo semanal dedicam ao jogo?

6 - JE – A criação de Kingsburg demorou quanto tempo?

 
7 - JE – Contar-nos brevemente como decorreu todo o processo
criativo do jogo.

 

8 - JE – De todos os designers, qual ou quais, aquele(s) por
quem têm maior admiração? Porquê?

9 - JE – Acham possível que alguém que não goste de jogos
possa ser seduzido para este hobbie?

10 - JE – Na vossa opinião o gosto pelos jogos é inato ou
aprende-se a gostar de jogar?

11 - JE – Já têm novos projectos? Podem desvendar algum pormenor?

12 - JE - Como reagiu o público de ESSEN ’07 ao vosso jogo?

13 - JE – Quais são para vocês as três qualidades mais
importantes para fazer um grande jogo?

14 - JE – Que destacariam desta edição ESSEN ’07?

 

15 - JE – Como é a realidade do hobby (jogos de tabuleiro)
em Itália?

16 - JE – O que desejam do futuro em termos gerais?

17 - JE – Que conselheiro(s) gostariam de deixar à
comunidade portuguesa de boardgamer’s?

18 - JE - Muito obrigado pela vossa simpatia e gentileza, e
até breve…

Kingsburg

Sempre podes perguntar isto:

O que acham do site Boardgamegeek e que impacto teve no mercado de boardgames?

----
A samurai once asked Zen Master Hakuin where he would go after he died. Hakuin answered ‘How am I supposed to know?’
‘How do you know? You’re a Zen master!’ exclaimed the samurai.
‘Yes, but not a dead one,’ Hakuin answered.

---- Behold the pain and sorrow of the world, Dream of a place away from this nightmare. Give us love and unity, under the heart of night. O Death, come near us, and give us life!

sugestoes

- Que tipo de coisas (tema, design grafico, mecanicas, numero de jogadores, componentes) normalmente vos leva a descartar logo um jogo, ou a quererem dar uma melhor vista de olhos?

- Alguma vez consideraram a possibilidade dos dados poderem afugentar alguns core eurogamers? Por voces ou pela editora....

- Quantas vezes já jogaram este jogo? Ainda se veem daqui a 10 anos, a jogar este jogo ou consideram a possibilidade de existir um threeshold?

- Consideram a possibilidade de criar variantes ou expansoes? O que pensam sobre o assunto?

- Parabens pela vossa review objectiva no BGG

Um bom jogo

Viva a todos.
KINGSBURG também era um dos jogos que estava no topo da minha lista quando parti para Essen. Na altura tinha a informação que a versão disponível na feira seria a versão alemã, por isso lá parti sem esperança de trazer este jogo na bagagem. Acontece que acabei por encontrar a versão da Elfinwerks e lá comprei o jogo (carote!) e ainda por cima tive a sorte de conseguir a assinatura de um dos designers, Andreia Chiarvesio.

Este Fim-de-Semana o SpielPT lá abriu a temporada de jogos com um HAMBURGUM e um KINGSBURG, por isso posso já falar-vos do jogo.

O jogo é bom, é sim senhor... mas desiludiu-me. Pensei que a sorte não tivesse tanta influência na partida, mas a verdade é que tem. Mas com um bem articulado mecanismo de "catch-up" o jogo vai penalizando os jogadores que não conseguem bons lançamentos e lá se vão atrasando. Mas isto não estraga o jogo, não! O jogo é mesmo isto, eu que meti na cabeça que tinha aqui um jogo mais estratégico do que aquilo que ele é na realidade.

Sendo um jogo iminentemente de gestão de recursos, ele situa-se entre um CAYLUS e um PILLARS OF THE EARTH, com um cheirinho de ROMA e PUERTO RICO. A artwork é absolutamente extraordinário e com uma sinalética perfeita. O jogo flui bem e é divertido. Na chegada de cada inverno, os jogadores tremem e temem o inimigo que se avizinha, porque se percebe que ele pode ser bem mais forte que nós e isso é giro e divertido.

Uma gestão equilibrada dos recursos e a construção inteligente de edifícios permitirá aos jogadores uma boa possibilidade de vitória.

Foi apenas o primeiro jogo, havemos de o experimentar mais vezes e o sentimento que me fica é este: é um bom jogo, que é, mas esperava mais dele! Ainda assim uma simpática nota: 7.5! 

 

 

________________________________________________________

"The only way to achieve the impossible is to believe it is possible."
Lewis Carroll in Alice in Wonderland

Hamburgum?

fs1973 escreveu:

Este Fim-de-Semana o SpielPT lá abriu a temporada de jogos com um HAMBURGUM e um KINGSBURG, por isso posso já falar-vos do jogo.

Whoa, fala do Hamburgum, nomeadamente, é o melohor da série Rondel ou o Imperial é melhor?

----
A samurai once asked Zen Master Hakuin where he would go after he died. Hakuin answered ‘How am I supposed to know?’
‘How do you know? You’re a Zen master!’ exclaimed the samurai.
‘Yes, but not a dead one,’ Hakuin answered.

---- Behold the pain and sorrow of the world, Dream of a place away from this nightmare. Give us love and unity, under the heart of night. O Death, come near us, and give us life!

É bom, muito bom

HAMBURGUM tem um feel muito diferente dos outros dois rondels de Mac Gerdts. É um jogo mais leve mas igualmente estratégico e não tem o mesmo confronto directo dos dois anteriores. É um jogo mais na linha de um GOA, mas jogado com o rondel. E também aqui o rondel funciona muito bem e vemo-nos muitas vezes confrontados com a angústia da indecisão sobre qual acção tomar. Eu gostei muito do jogo, vale bem a pena. 

 

http://spielportugal.blogspot.com

 

________________________________________________________

"The only way to achieve the impossible is to believe it is possible."
Lewis Carroll in Alice in Wonderland

A entrevista já seguiu,

A entrevista já seguiu, agora vamos aguardar!... 

 

________________________-

http://jogoeu.blogspot.com

A entrevista com os

A entrevista com os criadores de Kingsburg já está disponível no blog do costume... http://jogoeu.blogspot.com