Mayfair estabelece limites nos descontos dos vendedores

Retrato de MGBM

Segundo o BGG, a Mayfair vai ser a primeira empresa de boardgames a estabelecer limites de descontos tanto nos distribuidores como nos vendedores. Eis o uma mensagem enviada a um distribuidor nos EUA:

Dear Trade Customers,
Greetings from Mayfair Games! Our team wishes you all well. After all, we wouldn’t be looking forward to our 27th year of publishing fine games without your strong, enduring support.
We’re writing to you to outline our retail pricing policy. Our manufacturer’s suggested retail prices (“MSRPs”) reflect our firm belief in a healthy balance between “free trade” and “fair trade.” Mayfair Games embraces and supports healthy competition. We feel that in order for our market—and thus our company—to prosper now and over the long term all our partners in the distribution chain need to respect this balance.
Whenever a firm threatens healthy competition among our trade customers, and thus endangers this balance, we must act in a vigorous, even-handed fashion to police the distribution and sale of our fine products. Mayfair Games doesn’t intend to specifically dictate how its customers do business… but we will act in cases of predatory, irrational, or patently detrimental trade activity.
So, it’s important that all of our trade customers know where we stand on pricing and discounting…
• Distributors should sell Mayfair Games products at no less than a 25% margin or no more than a 50% discount off MSRP.
• Retailers should sell Mayfair Games products at no more than a 20% discount off MSRP, or the appropriate ratio given exchange rates.
Trade customers that violate these guidelines shall be subject to sanctions. If necessary, we will cut them off.
We’re well aware of the fact that our individual customers operate under individual circumstances. Some are more profitable than others. Some seek to establish themselves or need to acquire some critical market share. Mayfair Games understands, and sympathizes with, this reality.
At the same time, we’ve been in business long enough to know that that it’s far better for us to encourage healthy competition rather than cutthroat discounting. Ours is not a mass-market business, nor is it a business based on inter-changeable widgets. Our wares are special, unique, premium games. Savage discounting is unnecessary and counter-productive for everyone in the mid-to-long term. While some individual consumers might benefit in the short-run, rabid discounting only acts to erode the profits and incentives necessary to keep our market healthy.
As it is, consumers receive great entertainment value for full MSRP. It’s unnecessary—and even a bit insane—to subsidize folks who already enjoy a good deal. It is far healthier for us, our distributors, and our retailers to derive a healthy profit from the sale of our games than it is for us to see them dumped into the marketplace. Every viable firm in our distribution chain should collect its fair profit and have an incentive to further promote, buy, and sell our games.
Our trade customers should endeavor increase their profit margins, not their discounts. They can thus improve service, which—along with the high quality of our games—should be the principal means of growing our market.
Mayfair Games asks all its trade customers to understand that we are partners in growing a healthy games market. Again, we want free and fair trade. It’s healthy… for all of us. It’s in our best interest… and in the best interest of the entire social game industry.
That’s all for now. Take care.
For Mayfair Games,
Pete Fenlon
(CEO, Mayfair Games, Inc.)

Pior, o supremo tribunal dos EUA acabou com a lei que proibia price fixing. Embora isso não nos afecte muito, pode criar uma onda de price fixing também nos produtores Europeus.

Será este o fim das lojas online? Como economista, eu diria se esta tendência pegar eu diria que as lojas online vão perder o seu aspecto competitivo face às lojas normais.

O que irá acontecer agora? Discutam.

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exactamente

E isso é válido para tudo. Ou seja a possibilidade das lojas online estarem numa de Fire and Forget vai passar a colocá-las numa posição desvantajosa face às lojas tradicionais. O q distingue uma loja tradicional é a capacidade (caso se queiram dar ao trabalho) de apoiarem um produto depois da venda, auxiliando o cliente a escolher o produto, antes da compra e apoiando e promovendo o mesmo. Enquanto que as on-line venderam está vendido, e rigorosamente não trazem nenhum valor acrescentado à venda. Uma boa loja tradicional neste hobby irá promover encontros dos jogadores, auxiliá-los no contacto com o fabricante etc. O que até agora era pura carolice pois competir face às lojas online era quase impossivel.

Manuel Pombeiro
a.k.a.Firepigeon
LUDO ERGO SUM

Últimas jogatinas:

Negating the unforeseeable is utterly unrealistic, and scrambling to deal with problems is indeed a game skill.

excelente

vai retirar algum poder às lojas on-line, mas pelo menos as outras lojas poderão competir em termos mais iguias!

espero que  outras empresas de jogos/miniaturas/livros/discos/etc tb sigam este caminho!

haverá sempre vantagens/desvantagens no formato on-line/fisico  mas assim ninguém parte com voltas de avanço! 

___________________________

Yaaaa Phtagnn!!

É uma decisão do Supremo

Vai afectar todo o comércio nos EUA e consequentemente no resto do mundo. Básicamente revogou uma lei de uns 50+ anos que impedia que um fabricante exigisse o cumprimento de preços minimos para os seus produtos. Parece incrivel mas actualmente quem mais ficava a perder era o fabricante, porque quem pode fazer os preços mais baratos são as lojas on-line e todos sabemos disso. Mas estas não fazem follow up da venda, revertendo para o fabricante o ter de suportar directamente o cliente final, tendo como consequencia maiores custos para o mesmo.

A ver se me consigo explicar melhor. Imaginem que chegam a uma loja e compram um boardgame. Olham para as regras, verificam os componentes e pensam pra voces que droga de jogo (básicamente não perceberam pevas do mesmo, LOL). Num dia que voltam à loja falam que o que compraram foi uma grande treta etc. O ppl da loja arranja um tempinho pra explicar aquilo que não se tinha percebido do jogo que afinal é mesmo mas é um jogão. Quem é que ganhou com isto? O jogador que ficou com um bom jogo; a loja que teve um cliente satisfeito o que implica mais vendas futuras (possivelmente); o fabricante que sem o apoio da loja nao poderia continuar a fabricar aquela linha de jogos. Já imaginaram isto acontecer com a loja on-line? Todos ficavam a perder, simplesmente a loja on-line em vez de ter vendido 1 jogo devido ao valor reduzido que o coloca no mercado, teria no entretanto vendido 5 ou 6, sendo que para esta se o fabricante entretanto faliu, azarinho, procura-se outro fabricante e se o cliente ficou mal servido não há crise, pois na semana seguinte já lá tem outro jogo de outro fabricante a 50%!!

E se a diferença de preços não for um factor eliminatório, confessem lá, onde é que vocês preferem comprar?

Manuel Pombeiro
a.k.a.Firepigeon
LUDO ERGO SUM

Últimas jogatinas:

Negating the unforeseeable is utterly unrealistic, and scrambling to deal with problems is indeed a game skill.

Depende das duas lojas

Se a loja física tiver pessoal que perceba do assunto (extremamente raro se o dono ou sócios principais não estão lá e impossível em grandes superfícies estilo FNAC, T'r'U, Corte Inglês e assim),

Se a loja tem um stock razoável (sendo que isso também é raro porque sai caro à loja, o que implica demoras de disponibilidade),

Se fica no meu "raio de acção" (ou line of sight, LOL),

Se vou lá regularmente jogar,

Se está aberta em horas que me convêm depois de sair do trabalho,

Talvez compre na loja física. Não seria a primeira vez...

OU

Se a loja online fizer entregas rápidas,

Se o site é amigável,

Se a minha experiência e de outros com compras anteriores for boa (isso de não apoiarem o comprador não é bem assim, na minha experiência)

Compro online.

Há muito menos ses na compra online. É mais cómodo e mais eficaz...

Comprei um Bang! a 11€ fisicamente contra 8€ online...

Comprei 5 decks de Blue Moon no mesmo sítio a 9,99€ contra pouco mais de 8€ online,

Já um El Grande Decennial comprei fisicamente apenas porque não havia stock nas lojas online da versão inglesa e porque me arranjaram um desconto bom. Porque o preço marcado era alto o suficiente para que eu esperasse dois meses por uma nova edição... 60€ por um jogo que posso comprar online por 45? Nah...

Não me incomoda nada comprar online, em certos casos até prefiro.

Gosto de comprar fisicamente para apoiar os lojistas pequenos... mas não tanto que esteja disposto a pagar preços absurdos.

Isso desculpem lá mas já me chega o estado a chular em troco de nada... Não preciso dos editores de jogos a fazer o mesmo.

O que vai acontecer?

Não sei. No meu caso é simples... nem mais um jogo da Mayfair.

Para quem se queixa da concorrência das lojas online lembro apenas que não há, em Portugal, uma grande oferta de lojas físicas e muito menos uma onde os preços sejam interessantes. As lojas online têm o mérito de oferecer os jogos para todo o mundo enquanto as lojas físicas só podem cobrir uma determinada área geográfica. Além disso, nada impede uma loja física de vender também online em paralelo e beneficiando assim dos dois mundos.

É verdade que as lojas oferecem, em alguns casos, locais para jogar e conhecimento do produto, mas quando há apenas uma loja a 300 quilómetros onde, tanto quanto sei, esta oferta existe, a ideia de ter que pagar mais pelos meu jogos para beneficiar um editor que não faz esforço nenhum (nem sequer no site) para me prestar melhores serviços é uma afronta.

Esta comunicação da Mayfair está cheia de afirmações de que os seus jogos são melhores, que isto beneficia toda a gente etc... Parvoíces. O T&E da Pegasus mete o da Mayfair num bolso muito pequenino e cheio de cotão e migalhas antigas, o Settlers da Kosmos idem... Esta política só beneficia a Mayfair mais que todos, os distribuidores a seguir e alguns retalhistas no fim. Os consumidores só se lixam, como de costume...

Eu trabalho há algum tempo ligado à industria da publicação e venda de livros e deixem-me que vos diga que esta ideia de limitar preços e aproximá-los de um preço de retalho imposto pelo editor é uma mina para os editores. Eles controlam os descontos aos distribuidores estes aos retalhistas que, no fim da cadeia, têm que vender a um preço que não pode ser mais baixo que uma determinada percentagem imposta na produção.

Se isto não são regras de um jogo broken, então sei o que será...

O que pode acontecer com isto é que os consumidores vão deixar de ter a possibilidade de comprar jogos baratos online. Por isso irão comprar menos jogos e por isso vai existir menos actividade lúdica e, consequentemente, o crescimento que estávamos a testemunhar e que demonstra que esta atitude não era necessária, vai estagnar.

Mayfair, enquanto esta política durar não compro. E pronto...

Mallgur escreveu: Não

Mallgur escreveu:

Não sei. No meu caso é simples... nem mais um jogo da Mayfair.

Exactamente. Opinar com a carteira. E falo na qualidade de alguém cuja última aquisição foi da Mayfair, e que considerava fazer brevemente outras.

Quanto a mim, trata-se tão somente de uma situação "clássica" em que um player de um determinado mercado pensa que percebe mais da organização deste do que o mercado no seu próprio funcionamento espontâneo.

Em primeiro lugar, faço a ressalva que, do (pouco) que conheço, parece-me que essa linha de acção dificilmente seria legal na Europa, ou em Portugal, no caso. Os preços, margens e descontos não podem ser tabelados, a menos de produtos e serviços excepcionais que essencialmente são considerados de primeira necessidade ou em que o estado intervém nessa direcção (pense-se nos livros escolares, por exemplo) - já por si mal (mas isso são outros 500 Wink). Claro que, sendo o mercado de jogos essencialmente um mercado de importação directa, e muitas vezes de companhias extra-europeias e que porventura não têm representações oficiais nesta, a actuação contra esse facto pode ser complicada.

De qualquer modo, a resposta do mercado vai ser, quanto a mim, inevitável.

Para além do (já em curso) efeito de publicidade negativa, a reacção vai ser, quanto a mim, óbvia.

Mesmo que haja uma cartelização dos preços nas várias marcas (por si só outro problema de concorrência que também pode ter as suas consequências), impondo-se uma nivelação artificial entre os preços nas lojas online e nas lojas físicas, o que vai acontecer é que pura e simplesmente as lojas online se vão retirar do mercado e avançar para segmentos onde consigam alimentar uma procura condizente com a sua estrutura operacional. Estão a ver as produtoras a abdicar dos contratos de retalho e de distribuição que efectivamente lhes devem assegurar no presente o grosso das suas vendas? Estão a ver uma opção contra uma loja online que vende 1000 em prol de 10 lojas físicas que vendem 20 cada uma, mesmo que a preço final substancialmente superior?

Mais cedo ou mais tarde o que acontecerá é que as grandes encomendas começarão a ser negociadas casuísticamente, por quem pode, com condições especiais que quando transpirarem para o resto dos revendedores, originarão que sejam estes próprios a ameaçar abandonar o barco.

Vejam como funcionam presentemente os hipermercados na distribuição.

Como em todos os ramos de negócio em que há concorrência entre lojas online e lojas físicas, se estas últimas não se afirmarem pela complementaridade do serviço que proporcionam, servindo como centrais de aconselhamento e dando garantias que a compra que lá é feita é melhor feita e com prazos de entrega semelhantes aos das lojas online, ou proporcionando serviços adicionais (como um local para jogar, venda de bebidas, comidas e snacks), e se não apostarem no facto do aconselhamento personalizado ter essa maisvalia perante uma venda menos esclarecida online, mais vale já pensarem em fechar.

Além disso, quem cria as condições para agudizar estes problemas são os próprios produtores. Quando impõe compras mínimas, demoram a entregar, têm sistematicamente rupturas de stock na produção, acabam por transferir esses problemas para as lojas finais que, pela sua dimensão naturalmente inferior a uma loja online, não se podem dar ao luxo de alimentar grandes stocks ou de fazer esse género de encomendas frequentemente, ainda mais com preços altos impostos que as podem deixar mais cedo ou mais tarde ficar "a arder".

Finalmente, a atitude da Mayfair demonstra outro problema de adaptação à modernidade, à semelhança de outros ramos de negócio. A Mayfair entendeu não distribuir ela própria os seus produtos, e em limitar a extensão da sua actividade. Se quiser ter uma palavra a dizer no que toca a esse processo de distribuição tem um bom remédio: começar ela própria a vender o seu material como retalhista, quer abrindo representações físicas, quer a(s) sua(s) lojas(s) online. Deixando de o fazer, tem que aceitar que há lógicas do funcionamento dos seus vendedores intermédios e finais que não compreende (nem tem que compreender), e que portanto pouco terá a dizer.

A coisa já vai longa...

finalmente

Bom, depois de algumas discussões teóricas, chegamos à prática. Para quem não conhece ainda o meu ponto de vista, um dos primeiros tópicos que apareceu sobre isto foi o
Editoras de Jogos Poderão Fixar Preços Mínimos
e recentemente já fiz comentários como
preços mínimos e
e uma loja é viável?

Não me querendo repetir, só digo que agora sim o Mallgur se pode começar a queixar de não haver lojas decentes. Com mais restrições como esta é que as lojas tradicionais se tornam um negócio em que valha a pena apostar.

É desta que a gente discute este assunto? :) 

Vamos jogar um jogo...

Se isto fosse um jogo tinhas duas situações;

1º As regras ditam que há 4 tipos de jogadores. Os produtores, os distribuidores, os retalhistas e os compradores.

a) O produtor tem que pagar X por cada unidade que produz e pode vender o seu produto ao distribuidor ao preço que quiser. Depois disso não tem qualquer influência nos negócios dos jogadores seguintes.

b) O distribuidor compra ao produtor um número de unidades ao preço por este determinado. Pode vender ao retalhista pelo preço que quiser acima do que pagou.

c) O retalhista compra ao distribuidor da sua escolha e pode optar por dois modelos de venda online e físico. No online os seus custos fixos são mais baixos que no físico e por isso pode vender mais barato, mas não pode oferecer serviços adicionais ao comprador. No modelo físico tem mais custos físicos mas pode oferecer serviços extra aos consumidores.

d) O comprador escolhe um retalhista para comprar as unidades. Paga o preço das mesmas e, no caso de comprar a um retalhista físico paga os serviços adicionais. Ganha pontos de vitória pela escolha do produto e pelas vantagens que os serviços adicionais lhe dão, desempates a serem resolvidos em favor de quem fica com mais dinheiro.

e) Os outros jogadores ganham pontos de vitória em proporção ao dinheiro que têm após comprar e vender.

2º Com o mesmo tipo de jogadores:

a) O produtor tem que pagar X pelos produtos. Estabelece o preço que o comprador deve pagar no final da cadeia, os descontos sobre esse preço que o distribuidor tem ao comprar-lhe e os mesmos descontos que este pode fazer ao retalhista e este aos compradores. Ou seja, controla completamente, as margens de lucro dos restantes jogadores assim como, pela qualidade dos seu produtos, os pontos de vitória dos compradores.

b) O distribuidor tem que comprar com o desconto estabelecido pelo produtor. Pode vender ao retalhista dentro dos mesmos descontos.

c) O retalhista compra aos distribuidores de acordo com os descontos praticados sobre o preço final, sendo que há um limite, previamente conhecido e estabelecido pelo produtor. Pode escolher entre online e físico, sendo que os custos online são mais baixos mas o modelo físico permite-lhe oferecer serviços adicionais.

d) O comprador final deve escolher entre os retalhistas e pagar o preço estabelecido pelo produtor, ou mais, menos os descontos que estes possam, de acordo com o estabelecido pelo produtor dar. Ganha exactamente os mesmos pontos que na opção anterior e desempata da mesma forma também.

e) Os jogadores não compradores ganham pontos de acordo com os lucros obtidos.

Agora diz-me em qual destes modelos um jogador está em claríssima vantagem em relação aos outros. Qual deste jogos é broken?

errr...

Mallgur escreveu:
Se isto fosse um jogo tinhas duas situações

Julgo que entendi a tua elaboração, mas penso que retiramos dela conclusões diferentes. Que é que queres dizer? Que, por uma questão de princípio, nunca é aceitável colocar restrições?

E se juntarmos mais uma regra?

Os potenciais consumidores do modelo físico são 10% dos do modelo online.

Qual dos jogos está broken agora? 

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Looking across the space, we are looking back in time.

 

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You miss 100% of the shots you don't take. - Wayne Gretzky

Back at you...

Os retalhistas podem laborar em ambos os modelos, se quiserem...

E agora? 

sim e?

Mallgur escreveu:

Os retalhistas podem laborar em ambos os modelos, se quiserem...

E agora?

Isso é irrelevante. O retalhista escolhe tradicional ou online conforme lhe for mais vantajoso.
Enquanto não houver preços mínimos, é mais vantajoso online.
Quando houver preços mínimos, ele aí então poderá ter uma loja tradicional, promover os seus jogos e proporcionar um espaço agradável sem recear ser explorado pelos "clientes" que lhe vão à loja chular o seu serviço para depois só comprarem online.

Como irrelevante?

Se o retalhista pode, ao mesmo tempo, vender na loja física e online não há qualquer desvantagem na situação. Ele lucra num ou noutro lugar. Pode, inclusivamente, usar os lucros da loja online para melhorar o serviço que presta na loja física. Porquê essa absoluta radicalidade de escolhas?

Quanto a essa ideia de que os "clientes" chulam os retalhistas parece-me uma imagem um bocado negativa dos boardgamers. Queres dizer-me que nós fomos chulos por jogarmos na XXL? A verdade é que eles simplesmente não tinham jogos para vender... Eu já comprei no Mundo Fantasma e nunca lá joguei nada. Será que, neste caso, fui eu o chulado? Quem me pagou a mim para levar todas as semanas pessoas para a loja, que podem até ter lá comprado algo porque estiveram a jogar?

E aqueles que querem comprar os jogos online para jogar em casa com os amigos e nunca "chulam" lojas nenhumas, deverão eles ter que pagar preços mais caros simplesmente porque o produtor, que não é chulado no caso de não existirem peços mínimos, acha que tem o direito de limitar e impor os lucros dos outros?

Se as lojas físicas, de facto, têm algo para "vender" para além dos jogos, cobrem-se disso. Vendam os jogos a preço concorrente com os online (se a diferença não for exagerada as pessoas compram lá) e cobrem os extras... o espaço, o conhecimento, os meios de contacto com mais jogadores, etc.

Esta coisa da Mayfair só beneficia um interveniente, a Mayfair. Todos os outros perdem, principalmente os compradores de jogos. Eu e tu...

we're a local shop for local people

Mallgur escreveu:
Se o retalhista pode, ao mesmo tempo, vender na loja física e online não há qualquer desvantagem na situação.

Dizes isso como se ele tivesse algum prazer perverso em manter uma parte do negócio que só lhe dá prejuízo. Independentemente dessas situações, aqui estamos a comparar o modelo tradicional e online, sendo irrelevante se pertencem ou não ao mesmo retalhista.

Citação:
...por jogarmos na XXL...já comprei no Mundo Fantasma...

A nível dos boardgames, nem a Arena nem essas lojas encaixam no modelo que eu chamaria de tradicional, dado que, ou nem sequer tinham o produto, ou não dão qualquer apoio. De facto, precisamos de uma loja tradicional aqui no Porto.

Citação:
Se as lojas físicas, de facto, têm algo para "vender" para além dos jogos, cobrem-se disso.

Com já disse noutro thread, não funciona cobrar aconselhamento/espaço/etc. à parte. Um jogo não é só o produto, é um serviço de entretenimento prestado em conjunto pelas editoras e pelos retalhistas e os preços mínimos reflectem esse valor acrescentado. Além disso, a loja local é também um agente de promoção do jogo e um angariador de clientes para si e para a editora e é por isso que é aqui favorecida em detrimento da loja online.

Citação:
Esta coisa da Mayfair só beneficia um interveniente, a Mayfair. Todos os outros perdem, principalmente os compradores de jogos.

Como já comentei, esta coisa da Mayfair só a vai prejudicar a ela própria a menos que outras editoras façam o mesmo até ao natal. Eu não me sinto a perder, porque não me considero apenas um comprador de jogos, eu sou um cliente e não me chega só o produto.

Eu quero uma loja porreira onde possa jogar a qualquer dia, possa falar sobre estes assuntos, possa ver o que têem lá quando não sei ao certo o que quero comprar e possa ter um ponto de encontro permanente com outros jogadores. Quando compro um jogo, quero um serviço conínuo prestado pela editora e pelo retalhista que assegure que o material que comprei seja muito mais que uma caixa guardada na prateleira.

Além disso, do crescimento e sucesso das lojas tradicionais de jogos depende a própria divulgação deste hobbie para lá da nossa pequena elite. Só com agentes locais é que se poderá criar novos clientes e os jogos poderão ter reconhecimento público.

Rick Danger escreveu: Com

Rick Danger escreveu:

Com já disse noutro thread, não funciona cobrar aconselhamento/espaço/etc. à parte.

Azar, temos pena. O mercado existe para satisfazer as necessidades efectivas e reais dos produtores e dos consumidores, não para sustentar artificialmente modelos de negócio.

Rick Danger escreveu:
Um jogo não é só o produto, é um serviço de entretenimento prestado em conjunto pelas editoras e pelos retalhistas e os preços mínimos reflectem esse valor acrescentado.

Curiosamente a realidade parece desmentir essa tua afirmação. Se não houvesse um grande (dominante) grupo de pessoas para as quais o jogo é um produto e não um "serviço de entretenimento", se calhar a situação presente não se tinha atingido. E é legitimo estares a impor essa tua perspectiva a quem tem a perspectiva contrária, e ainda mais obrigando-os a sustentar a tua visão do que é um boardgame?

Rick Danger escreveu:
Além disso, a loja local é também um agente de promoção do jogo e um angariador de clientes para si e para a editora e é por isso que é aqui favorecida em detrimento da loja online.

Se o é, isso é uma vantagem competitiva para os produtores, e não objectivamente para os consumidores. O que dizes não faz sentido: as lojas físicas têm "melhor marketing" para a marca, são agentes de promoção dos jogos, mas aparentemente estas é que têm os problemas? Elas que negoceiem então condições preferenciais com a marca e se façam pagar por esse serviço.

Rick Danger escreveu:
Eu quero uma loja porreira onde possa jogar a qualquer dia, possa falar sobre estes assuntos, possa ver o que têem lá quando não sei ao certo o que quero comprar e possa ter um ponto de encontro permanente com outros jogadores. Quando compro um jogo, quero um serviço conínuo prestado pela editora e pelo retalhista que assegure que o material que comprei seja muito mais que uma caixa guardada na prateleira.

Então tens um bom remédio: tenta convencer possíveis interessados em abrir lojas que existe uma mercado de pessoas como tu e com as tuas necessidades, e quais são as possíveis concessões que estes podem esperar como contrapartidas desse serviço.

A questão é que, aparentemente, não pareces ter muita companhia que consiga criar essa confiança nos investidores (ou estes são desmentidos pela realidade).

Ou seja, está-se a prejudicar todos os outros que pensam de uma maneira diferente sobre a questão (e mesmo uma punição económica efectiva a todos os que nem sequer têm opção entre os tipos de loja), em nome de uma visão de minoria sobre o problema. Isso é justo?

Rick Danger escreveu:

Rick Danger escreveu:
Dizes isso como se ele tivesse algum prazer perverso em manter uma parte do negócio que só lhe dá prejuízo. Independentemente dessas situações, aqui estamos a comparar o modelo tradicional e online, sendo irrelevante se pertencem ou não ao mesmo retalhista.

Não... O que estamos aqui a fazer é discutir se esta política de fixação de preços da Mayfair beneficia, de facto, o retalhista tradicional.

Já vários aqui expuseram que não é uma medida que seja vital para isso. Além do mais, parece-me evidente que a Mayfair não é obrigada a praticar os mesmos descontos para todos os seus cliente e poderia perfeitamente vender mais caro às lojas online. Podia, se fosse do seu interesse defender os lojistas tradicionais, simplesmente impor este preço mínimo exclusivamente aos retalhistas online. Mas não o faz... Porquê?

Porque o interesse da Mayfair é defender o seu controle sobre todas as fases de distribuição dos jogos, sem se dar ao trabalho de fazer por si própria essa distribuição.

Citação:
A nível dos boardgames, nem a Arena nem essas lojas encaixam no modelo que eu chamaria de tradicional, dado que, ou nem sequer tinham o produto, ou não dão qualquer apoio. De facto, precisamos de uma loja tradicional aqui no Porto.

Ou seja, esta política vai-nos fazer pagar mais caro os jogos. Portanto nem nos podemos substituir a essa inexistente loja com o apoio do BGG e das lojas online. Não vejo em que medida isso te beneficie.

Citação:
Com já disse noutro thread, não funciona cobrar aconselhamento/espaço/etc. à parte. Um jogo não é só o produto, é um serviço de entretenimento prestado em conjunto pelas editoras e pelos retalhistas e os preços mínimos reflectem esse valor acrescentado. Além disso, a loja local é também um agente de promoção do jogo e um angariador de clientes para si e para a editora e é por isso que é aqui favorecida em detrimento da loja online.

Não. As condições para as lojas tradicionais e para as lojas online são exactamente as mesmas segundo esta proposta da Mayfair.

Quanto a isso de ser um serviço completo etc... a minha experiência é que não há qualquer garantia que as lojas tradicionais prestem esse serviço. Além disso, todas as lojas com quem negociei online prestaram um serviço excelente, tendo inclusivamente apoiado os meus contactos com editoras acerca de produtos defeituosos.

Citação:
Como já comentei, esta coisa da Mayfair só a vai prejudicar a ela própria a menos que outras editoras façam o mesmo até ao natal. Eu não me sinto a perder, porque não me considero apenas um comprador de jogos, eu sou um cliente e não me chega só o produto.

Como podes dizer isso se não tens quem te trate como um cliente? Até agora ou compras num sítio diferente de mim e que eu não conheço ou então tem que te chegar o produto.

Citação:
Eu quero uma loja porreira onde possa jogar a qualquer dia, possa falar sobre estes assuntos, possa ver o que têem lá quando não sei ao certo o que quero comprar e possa ter um ponto de encontro permanente com outros jogadores. Quando compro um jogo, quero um serviço conínuo prestado pela editora e pelo retalhista que assegure que o material que comprei seja muito mais que uma caixa guardada na prateleira.

Eu também. Por isso se a Mayfair, de facto, promover as lojas tradicionais terá o meu apoio, mas não é isso que eles estão a fazer. Estão apenas a controlar o mercado de uma forma artificial com a consequência de que os seus jogos, se me interessassem passariam a ser mais caros sem qualquer benefício adicional para mim.

Citação:
Além disso, do crescimento e sucesso das lojas tradicionais de jogos depende a própria divulgação deste hobbie para lá da nossa pequena elite. Só com agentes locais é que se poderá criar novos clientes e os jogos poderão ter reconhecimento público.

Pois. Por isso é que faço o esforço que faço na promoção. Será que a Mayfair me mandaria umas cópias à borla para demonstrações? Duvido...

A ideia do jogo é boa mas...

Estás a simplificar muito as coisas.

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Mas o jogo tem outras dimensões além das que mencionas

Por exemplo, os serviços «de valor acrescentado» não são monopólio da loja física, bem pelo contrário. A internet permite prestar imensos serviços destes, seja nos sítios do produtor, seja em sítios de fans... como o Abre o Jogo. Ora o retalhista online está bem melhor preparado para facilitar o acesso do consumidor a estes serviços do que a loja puramente física.

 Em segundo lugar a afirmação de que «O distribuidor compra ao produtor um número de unidades ao preço por este determinado» é normalmente incorrecta. Normalmente o poder negocial está na mão do distribuidor mais do que na do produtor. Na maior parte dos casos a afirmação correcta é a de que «o produtor vende ao distribuidor um número de unidades ao preço por este determinado». Há aqui um jogo de poder que num sistema comercial clássico tende a beneficiar o distribuidor, sobretudo no caso de produtores de pequena dimensão.

Em terceiro lugar o jogo pode ser alterado pela eliminação de jogadores intermédios. Por exemplo, as grandes superfícies e megalojas como a FNAC ou a Amazon eliminam os retalhistas (em alguns casos). A colocação online pelos produtores dos seus produtos nos retalhistas elimina os distribuidores. A venda directa (como a GW faz em alguns mercados) elimina distribuidores e retalhistas.

Isto tudo significa que é incorrecto afirmar-se à partida que o consumidor é prejudicado pela fixação de preços e margens pelo produtor. Isso depende do mercado concreto e da forma como se distribuir o poder entre este e os jogadores intermédios... e como estes exercem o poder que têm. Há situações em que o comportamento de distribuidores e retalhistas pode ser claramente prejudicial ao produtor e ao consumidor. Nesse caso a fixação de preços e margens pelo produtor acaba por beneficiar o consumidor. Se funcionar, o que nunca é garantido.

A verdade é que num mercado ideal não há intermediários, a transacção ocorre directamente entre produtor e consumidor. Os intermediários são um mal necessário. Ora a internet veio reduzir grandemente a necessidade destes.

O que me leva de volta ao serviço, a grande bandeira dos retalhistas físicos. O que impressiona é que eles só se lembraram de que podem prestar serviços quando sofreram a pressão de um mercado que os permite curtocircuitar. De repente descobriram que vender livros (ou jogos) pode ser acompanhado de simpatia, informação, espaços convidativos.

Do meu ponto de vista há imenso que as lojas físicas podem fazer para sobreviver... excepto concorrerem com as lojas online. Até porque estas também vão mudar o seu perfil com o tempo. E centrar a questão no preço é o pior que pode ser feito.

Em bom rigor o problema com mercados como o do livro e o do jogo é que funciona com base num paradigma errado, o de preço de capa menos desconto. Este paradigma é completamente errado do meu ponto de vista. Se o mercado funcionasse de forma correcta seria precisamente ao contrário: o produtor fixava o sem preço; os jogadores posteriores acrescentavam a este as suas margens. Isto é muito melhor e transparente para o consumidor. Ele fica a saber o que custa o produto no produtor e o que lhe é acrescentado a partir daí. Isto força os distribuidores e retalhistas a justificarem-se, e isso é bom para o consumidor. Não creio, porém, que isto venha alguma vez a ser implementado.

Sérgio

Pois... era uma simplificação.

Claro.

A ideia era só transmitir que o que estará correcto é o que mencionas no teu último parágrafo. Que a cadeia de jogadores deve evoluir passo a passo e não ser pré-determinada por um dos jogadores como acontece com os preços fixos nos livros, por exemplo.

 

o caso da Mayfair

Fico surpreendido por esta empresa relativamente pequena ser das primeiras a optar por esta via. Estava a contar que o sinal ao mercado fosse dado por uma Wizards of the Coast, Alderac Entertainement ou White Wolf. Assim sendo, a menos que outras editoras se juntem à Mayfair, ela arrisca-se a ser queimada na fogueira por clientes como o Mallgur ou o JLP.

Para que a fixação de preços mínimos beneficie realmente as lojas tradicionais, não basta ser só uma editora. Por mais reputada que a Mayfair seja, ninguém pode ter um negócio só para vender Tigris e Euphrates. São precisas mais editoras a entrar neste comboio.

já não chega o carrinho de compras

MGBM escreveu:
Será este o fim das lojas online?

Não necessariamente, apenas passam a competir directamente com as lojas tradicionais a nível de apoio ao cliente e dos serviços que podem prestar. 

Economia

Eis a minha opinião como economista.

Para começar, a Teoria do Jogo aplica-se neste caso. Estamos perante uma situação interessante, e o que acontecerá é isto:

A Mayfair estabelece limites de desconto. A partir daqui as outras empresas de boardgames têm exactamente duas opções, ou aplicam price fixing também ou não aplicam. A Teoria do Jogo aplica-se nesse momento, se for só a Mayfair a fazer price fixing e mais nenhuma empresa é óbvio que a Mayfair sai bastante prejudicada disto, vai perder lucro e clientes. Mas, e isto é um grande MAS, se as outras empresas decidirem, pelo menos a maioria, fazerem price fixing, então o consumidor final que compre boardgames não terá outra alternativa senão comprar boardgames à mesma, pois usar a técnica do boicote não funciona porque senão ele fica sem comprar quase todos os boardgames que saem no mercado.

Ou seja se as empresas de boardgames criarem um cartel de oligopólio, o consumidor final ou compra os boardgames ao preço que é oferecido ou acaba por não comprar mesmo nada.

Resultado final? Duma maneira ou doutra, o mercado sai a perder, vai haver uma diminuição na procura agregada de boardgames e isso é muito mau.

Isto é o que irá acontecer, ou uma situação ou outra, agora é esperar e ver o que acontece.

O que irá acontecer às lojas online? Simples, perdem a grande vantagem que tinham, descontos elevados. Embora isso pareça mau para o consumidor, para um economista é tão mau vender produtos muito baratos num mercado de especialidade como é o nosso. Basicamente o que acontece é, o produto vendido perde valor nominal e passamos a encarar os boardgames como a valerem menos do que realmente valem. Esta perda de valor já há muito que acontece neste mercado e é das piores coisas que pode acontecer. Porquê? Porque quando um produtor de boardgames decide corrigir o valor real para valores mais realistas, este tipo de reações acontecem com toda a malta a dividir-se em campos e andar à porrada.

Em relação a lojas online contra as tradicionais, sinceramente eu até acho bem que as lojas tradicionais fiquem com mais poder de competição face às online, que é o que vai acontecer com estes price fixings. Prefiro ir a uma loja tradicional e pagar menos 20% do que ir a uma loja online e pagar menos 35% sinceramente. Claro que cada um faz a sua opção, eu sou a favor das lojas tradicionais.

Portanto, como os Chineses dizem, vamos viver tempos interessantes.

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A samurai once asked Zen Master Hakuin where he would go after he died. Hakuin answered ‘How am I supposed to know?’
‘How do you know? You’re a Zen master!’ exclaimed the samurai.
‘Yes, but not a dead one,’ Hakuin answered.

---- Behold the pain and sorrow of the world, Dream of a place away from this nightmare. Give us love and unity, under the heart of night. O Death, come near us, and give us life!

BGG

Agora o que é triste ver é no BGG toda a gente estar a andar a porrada uns contra os outros por causa disto. É mau e não gosto nada, espero que aqui tenhamos cabeça suficiente para não começarmos à batatada por causa de uma coisa que sinceramente não é tão importante quanto a fazem parecer.

O que é preciso é ter calma.

Não se esqueçam, cada um faz as suas escolhas, se gostam de lojas tradicionais então ainda bem, se gostam de lojas online, então ainda bem. Não importa o que usam para comprar, nós todos pertencemos ao mesmo hobby e como tal devemos co-existir pacificamente. Cada um escolhe o que escolhe e decide o que decide, não podemos é deixar isso afectar a nossa opinião dos outros. Cada um é liver de escolher o que quiser.

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A samurai once asked Zen Master Hakuin where he would go after he died. Hakuin answered ‘How am I supposed to know?’
‘How do you know? You’re a Zen master!’ exclaimed the samurai.
‘Yes, but not a dead one,’ Hakuin answered.

---- Behold the pain and sorrow of the world, Dream of a place away from this nightmare. Give us love and unity, under the heart of night. O Death, come near us, and give us life!

MGBM escreveu: Eis a

MGBM escreveu:
Eis a minha opinião como economista.

Para começar, a Teoria do Jogo aplica-se neste caso. Estamos perante uma situação interessante, e o que acontecerá é isto:

A Mayfair estabelece limites de desconto. A partir daqui as outras empresas de boardgames têm exactamente duas opções, ou aplicam price fixing também ou não aplicam. A Teoria do Jogo aplica-se nesse momento, se for só a Mayfair a fazer price fixing e mais nenhuma empresa é óbvio que a Mayfair sai bastante prejudicada disto, vai perder lucro e clientes. Mas, e isto é um grande MAS, se as outras empresas decidirem, pelo menos a maioria, fazerem price fixing, então o consumidor final que compre boardgames não terá outra alternativa senão comprar boardgames à mesma, pois usar a técnica do boicote não funciona porque senão ele fica sem comprar quase todos os boardgames que saem no mercado.

Ou seja se as empresas de boardgames criarem um cartel de oligopólio, o consumidor final ou compra os boardgames ao preço que é oferecido ou acaba por não comprar mesmo nada.

O "problema" é que, exactamente como se pode aplicar a Teoria dos Jogos para justificar a criação de um cartel, esta pode também ser utilizada para justificar a sua dissolução espontânea. Um cartel que não se sustente por meios coercivos, e ainda mais neste caso que não é de um artigo em particular mas sim de uma classe de produtos, cria nos seus membros, particularmente nos mais fracos, ou nos concorrentes que entrem no mercado num instante posterior à formação do cartel toda a motivação para agirem contra este.

A questão é que um cartel, para funcionar, obriga além da fixação de preços aos seus membros ao estabelecimento das quotas de mercado destes. Ou seja, basta que um dos membros do carte venha a discordar da fixação dessa quota, ou da evolução desta (imaginam que uma editora de pequeno sucesso lança um grande exito de mercado) para ter toda a motivação para romper com o cartel.

MGBM escreveu:
Resultado final? Duma maneira ou doutra, o mercado sai a perder, vai haver uma diminuição na procura agregada de boardgames e isso é muito mau.

Aí estamos de acordo!

MGBM escreveu:
O que irá acontecer às lojas online? Simples, perdem a grande vantagem que tinham, descontos elevados.

A questão é se isso lhes fará alguma diferença. As lojas online são essencialmente uma plataforma logística de vendas. Se um determinado sector do mercado deixa de dar, mudam para outro. Aliás, suspeito que a atitude de persistência nesse género de monopólios e de "exclusivos", ou de regras leoninas impostas aos distribuidores é o que faz com que, por exemplo, os RPG não tenham disseminação (em termos de oferta) assinalável nas lojas online generalistas que vendem livros.

MGBM escreveu:
Embora isso pareça mau para o consumidor, para um economista é tão mau vender produtos muito baratos num mercado de especialidade como é o nosso. Basicamente o que acontece é, o produto vendido perde valor nominal e passamos a encarar os boardgames como a valerem menos do que realmente valem.

Em relação a essa afirmação, desculpa o meter a foice em seara alheia, mas isso não é "Economia". É, quando muito, uma corrente económica (e que para mim é em grande parte uma treta).

O que é o "valor nominal" de um jogo? O que é o seu "valor real"?

O valor, quanto a mim, de um jogom, é o resultado de uma análise subjectiva do comprador da qual preço, "qualidade" e outros factores são tão somente possíveis variáveis que podem estar em cima da mesa. É o encontro dessa vontade da procura com a da oferta que definem o negócio, e não um mero "encontro de preços".

Pressupor que os bens têm um determinado "valor natural" ou "intrínseco" é, mesmo afastando-nos de paradigmas de teoria do valor marxistas, quanto a mim profundamente errado quando ligado à realidade dos factos.

Porque, além disso, há outros factores que o mercado tem em conta: por exemplo, o facto de o mercado naturalmente aumentar em eficiência. Quando a produção de jogos se desloca para centros onde os custos de produção são largamente inferiores aos do passado, quando se verifica que o volume de vendas de um determinado jogo justifica crescentes economias de escala, e contudo o preço final de venda se mantém constante, é natural que o mercado desconfie. Portanto, essa "diminuição do valor forçada" que referes não é mais na generalidade das vezes o ajustar do mercado (nomeadamente das margens) à realidade da produção (produtividade, custos), ao aumento da oferta de jogos e da concorrência entre produtoras.

Pensamentos

JLP escreveu:

O "problema" é que, exactamente como se pode aplicar a Teoria dos Jogos para justificar a criação de um cartel, esta pode também ser utilizada para justificar a sua dissolução espontânea. Um cartel que não se sustente por meios coercivos, e ainda mais neste caso que não é de um artigo em particular mas sim de uma classe de produtos, cria nos seus membros, particularmente nos mais fracos, ou nos concorrentes que entrem no mercado num instante posterior à formação do cartel toda a motivação para agirem contra este.

A questão é que um cartel, para funcionar, obriga além da fixação de preços aos seus membros ao estabelecimento das quotas de mercado destes. Ou seja, basta que um dos membros do carte venha a discordar da fixação dessa quota, ou da evolução desta (imaginam que uma editora de pequeno sucesso lança um grande exito de mercado) para ter toda a motivação para romper com o cartel.

Yeap, concordo. Sem dúvida nenhuma que a Teoria do Jogo pode-se aplicar em ambas as situações, esqueci-me de mencionar isso na mensagem original. Como disseste, basta um dos membros discordar para romper com o cartel.

JLP escreveu:
MGBM escreveu:
O que irá acontecer às lojas online? Simples, perdem a grande vantagem que tinham, descontos elevados.

A questão é se isso lhes fará alguma diferença. As lojas online são essencialmente uma plataforma logística de vendas. Se um determinado sector do mercado deixa de dar, mudam para outro. Aliás, suspeito que a atitude de persistência nesse género de monopólios e de "exclusivos", ou de regras leoninas impostas aos distribuidores é o que faz com que, por exemplo, os RPG não tenham disseminação (em termos de oferta) assinalável nas lojas online generalistas que vendem livros.

Quanto a isto só mesmo o tempo dirá. É bem provável que o que disseste seja verdade, eles virarem-se para outra vertente do mercado, ou para outro sector, o que será sempre bom para as lojas tradicionais.

JLP escreveu:
MGBM escreveu:
Embora isso pareça mau para o consumidor, para um economista é tão mau vender produtos muito baratos num mercado de especialidade como é o nosso. Basicamente o que acontece é, o produto vendido perde valor nominal e passamos a encarar os boardgames como a valerem menos do que realmente valem.

Em relação a essa afirmação, desculpa o meter a foice em seara alheia, mas isso não é "Economia". É, quando muito, uma corrente económica (e que para mim é em grande parte uma treta).

O que é o "valor nominal" de um jogo? O que é o seu "valor real"?

O valor, quanto a mim, de um jogom, é o resultado de uma análise subjectiva do comprador da qual preço, "qualidade" e outros factores são tão somente possíveis variáveis que podem estar em cima da mesa. É o encontro dessa vontade da procura com a da oferta que definem o negócio, e não um mero "encontro de preços".

Pressupor que os bens têm um determinado "valor natural" ou "intrínseco" é, mesmo afastando-nos de paradigmas de teoria do valor marxistas, quanto a mim profundamente errado quando ligado à realidade dos factos.

Hmmmm. Sempre fui do género de pessoa que acha que tudo tem um "perceived value", e que esse perceived value é um valor subjectivo, pois com o mesmo bem varia de pessoa a pessoa. Mas tens razão, é puramente uma corrente económica. Nisto culpo o meu professor de Microeconomia II que ensinou-nos isto quase como se fosse parte da ciência de economia e por causa disso isto ficou tautado na minha mente hehehehe.

JLP escreveu:

Porque, além disso, há outros factores que o mercado tem em conta: por exemplo, o facto de o mercado naturalmente aumentar em eficiência. Quando a produção de jogos se desloca para centros onde os custos de produção são largamente inferiores aos do passado, quando se verifica que o volume de vendas de um determinado jogo justifica crescentes economias de escala, e contudo o preço final de venda se mantém constante, é natural que o mercado desconfie. Portanto, essa "diminuição do valor forçada" que referes não é mais na generalidade das vezes o ajustar do mercado (nomeadamente das margens) à realidade da produção (produtividade, custos), ao aumento da oferta de jogos e da concorrência entre produtoras.

Por acaso estamos perante esta situação, muitas empresas de boardgames estão a deslocar os seus centros de produção de boardgames para a China onde os custos totais e marginais são muito menores.

Bem, tou contente que um colega economista, ou pelo menos alguém que têm uma correcta visão económica, esteja a ter uma conversa sobre economia, é o que gosto mais é de falar de economia aplicada a boardgames e RPGs. :D

Sinceramente no entanto, quanto a este ponto, sou a favor das lojas tradicionais mas reconheço o grande problema que é não haver essas lojas em todo o lado, o que obriga os consumidores a recorrerem a lojas online. Mas fora isso, vou ficar neutro nesta questão, não quero fomentar discussões azedas, isso é algo que não quero mesmo.

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A samurai once asked Zen Master Hakuin where he would go after he died. Hakuin answered ‘How am I supposed to know?’
‘How do you know? You’re a Zen master!’ exclaimed the samurai.
‘Yes, but not a dead one,’ Hakuin answered.

---- Behold the pain and sorrow of the world, Dream of a place away from this nightmare. Give us love and unity, under the heart of night. O Death, come near us, and give us life!

MGBM escreveu: Quanto a

MGBM escreveu:
Quanto a isto só mesmo o tempo dirá. É bem provável que o que disseste seja verdade, eles virarem-se para outra vertente do mercado, ou para outro sector, o que será sempre bom para as lojas tradicionais.

Sim, poderá ser bom, conjunturalmente, para as lojas tradicionais (se for sustentável, o que duvido). Mas tenho dúvidas que seja bom para o mercado como um todo, e principalmente para os jogadores e compradores de jogos, o que julgo engloba a grande maioria dos que frequentam fóruns como este e o BGG.

MGBM escreveu:
Hmmmm. Sempre fui do género de pessoa que acha que tudo tem um "perceived value", e que esse perceived value é um valor subjectivo, pois com o mesmo bem varia de pessoa a pessoa.

Sim, também concordo com essa perspectiva. O que eu pretendia assinalar era o meu discordar com que essa avaliação seja sequer constante no tempo ou generalizável a um grupo ou à totalidade dos indivíduos, e desse modo falar em problemas de "perda de valor".

MGBM escreveu:
Mas tens razão, é puramente uma corrente económica. Nisto culpo o meu professor de Microeconomia II que ensinou-nos isto quase como se fosse parte da ciência de economia e por causa disso isto ficou tautado na minha mente hehehehe.

Smile

É (acompanhando como faço o ensino da Economia à distância), um problema do "nosso" ensino da mesma: o de vender como soluções universais e dogmas coisas que na generalidade das vezes não passam de correntes económicas.

MGBM escreveu:
Por acaso estamos perante esta situação, muitas empresas de boardgames estão a deslocar os seus centros de produção de boardgames para a China onde os custos totais e marginais são muito menores.

Sim, eu estava-me a referir exactamente ao que tem sido a evolução mais ou menos recente deste como de outros mercados.

MGBM escreveu:
Bem, tou contente que um colega economista, ou pelo menos alguém que têm uma correcta visão económica, esteja a ter uma conversa sobre economia, é o que gosto mais é de falar de economia aplicada a boardgames e RPGs. :D

Por aqui é mais engenheiro (o inimigo nº1 do economistaWink), mas atento à Economia e com interesse partilhado em discutir este género de questões!

MGBM escreveu:
Sinceramente no entanto, quanto a este ponto, sou a favor das lojas tradicionais mas reconheço o grande problema que é não haver essas lojas em todo o lado, o que obriga os consumidores a recorrerem a lojas online. Mas fora isso, vou ficar neutro nesta questão, não quero fomentar discussões azedas, isso é algo que não quero mesmo.

Não tenho preferências, e acho que cada uma tem o seu lugar e satisfaz procuras específicas de grupos específicos. O que já me irrita mais é a perspectiva das "soluções iluminadas" e unilaterais, ou a perspectiva de que se é mais inteligente do que todos os agentes juntos que intervêm num mercado. Acho que a solução mais sábia é a tua, a da neutralidade e do deixar as coisas evoluírem à sua própria maneira. O que não impede necessariamente que também se vote com a carteira, agindo como se acha correcto e na direcção que pessoalmente se acredita ser mais benéfica para o agragado do interesse particular e do que se acha que é o interesse dos que partilham o hobby.

Quanto às discussões "azedas", acho que muitas das vezes é problema do canal e não da mensagem. Pelo menos da minha parte não pretendo de nenhuma forma azedar qualquer discussão, apesar de normalmente ser franco e directo. Admito que, muitas vezes, o meio utilizado para estas "conversas" distorça muito do que cada um dos lados pretende fazer passar.

JLP escreveu: MGBM

JLP escreveu:
MGBM escreveu:
Quanto a isto só mesmo o tempo dirá. É bem provável que o que disseste seja verdade, eles virarem-se para outra vertente do mercado, ou para outro sector, o que será sempre bom para as lojas tradicionais.

Sim, poderá ser bom, conjunturalmente, para as lojas tradicionais (se for sustentável, o que duvido). Mas tenho dúvidas que seja bom para o mercado como um todo, e principalmente para os jogadores e compradores de jogos, o que julgo engloba a grande maioria dos que frequentam fóruns como este e o BGG.

E agora um momento económico.

Ai é que está, pelo menos do ponto de vista económico, imagina esta situação. As lojas online são obrigadas a establecer descontos menores (Não preços PVP mais altos, pois a Mayfair só cortou nos descontos, não aumentou o PVP dos produtos) logo menos gente compra online, logo menos boardgames vendidos. Mas se o cartel pegar, que não faço a minima ideia se vai pegar ou não, torna-se mais sustentável abrir uma loja tradicional. Logo, começam a abrir mais lojas, o que por consequência atrairá gente às lojas que irão comprar boardgames, e um aspecto que estamos a por de lado, os distribuidores podem acabar por ter margens de lucro mais altas com a criação de tantas lojas tradicionais. O mercado acaba por, de certa maneira, auto-regular-se. A grande questão é, as pessoas que compram nas lojas tradicionais comprarão em quantidade comparável às quantidades compradas nas lojas online, de maneira a que o mercado não tenha uma quebra de produtos escoados através de venda? Não estou a afirmar nada, só estou a formular uma hipótese, que poderá acontecer ou não.

JLP escreveu:
MGBM escreveu:
Mas tens razão, é puramente uma corrente económica. Nisto culpo o meu professor de Microeconomia II que ensinou-nos isto quase como se fosse parte da ciência de economia e por causa disso isto ficou tautado na minha mente hehehehe.

Smile

É (acompanhando como faço o ensino da Economia à distância), um problema do "nosso" ensino da mesma: o de vender como soluções universais e dogmas coisas que na generalidade das vezes não passam de correntes económicas.

Yeap, há que saber distinguir as coisas logo de inicio, mas também não te esqueças, às vezes as correntes económicas podem-se tornar teorias comprovadas.

JLP escreveu:
MGBM escreveu:
Bem, tou contente que um colega economista, ou pelo menos alguém que têm uma correcta visão económica, esteja a ter uma conversa sobre economia, é o que gosto mais é de falar de economia aplicada a boardgames e RPGs. :D

Por aqui é mais engenheiro (o inimigo nº1 do economistaWink), mas atento à Economia e com interesse partilhado em discutir este género de questões!

Nah, o engenheiro não é o inimigo nº 1 do economista, pelo menos aqui. Acho que não temos inimigos mesmo na minha universidade. :D

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A samurai once asked Zen Master Hakuin where he would go after he died. Hakuin answered ‘How am I supposed to know?’
‘How do you know? You’re a Zen master!’ exclaimed the samurai.
‘Yes, but not a dead one,’ Hakuin answered.

---- Behold the pain and sorrow of the world, Dream of a place away from this nightmare. Give us love and unity, under the heart of night. O Death, come near us, and give us life!

MGBM escreveu: Ai é que

MGBM escreveu:
Ai é que está, pelo menos do ponto de vista económico, imagina esta situação. As lojas online são obrigadas a establecer descontos menores (Não preços PVP mais altos, pois a Mayfair só cortou nos descontos, não aumentou o PVP dos produtos) logo menos gente compra online, logo menos boardgames vendidos. Mas se o cartel pegar, que não faço a minima ideia se vai pegar ou não, torna-se mais sustentável abrir uma loja tradicional. Logo, começam a abrir mais lojas, o que por consequência atrairá gente às lojas que irão comprar boardgames, e um aspecto que estamos a por de lado, os distribuidores podem acabar por ter margens de lucro mais altas com a criação de tantas lojas tradicionais. O mercado acaba por, de certa maneira, auto-regular-se. A grande questão é, as pessoas que compram nas lojas tradicionais comprarão em quantidade comparável às quantidades compradas nas lojas online, de maneira a que o mercado não tenha uma quebra de produtos escoados através de venda? Não estou a afirmar nada, só estou a formular uma hipótese, que poderá acontecer ou não.

A questão de serem descontos ou PVP é, para mim, relativamente irrelevante. O que interessa, acima de tudo, e o que serve de termo de comparação, é o preço final.

Tendo em conta que o modelo de negócio das lojas online é de baixos lucros por venda, vendas massivas e grande rotação de stocks e o das lojas físicas é exactamente o contrário, não me parece que essa transferência seja exequível, acima de tudo por duas razões:

-Estreitando a capacidade de as lojas online terem preços muito mais baixos que a concorrência física, diminui-se a própria sustentabilidade do seu modelo de negócio. Não há "estreitar" de vendas: pura e simplesmente estas deixam de estar interessadas e retiram o time de campo. Não me parece que o resto do mercado, com a sua estratégia de negócio, consiga absorver e cativar a generalidade dos anteriores clientes de lojas online.

- Em última instância (e em termos totais agregados), é inevitável que os preços finais subam, o que conjugado com a diminuição da oferta só vai contribuir para afugentar a procura.

Quanto à questão dos distribuidores, pensa assim: tu preferes comprar num mercado (de bens essencialmente genéricos: não há "fit to order" nem costumização) pejado de distribuidores e pequenos retalhistas, ou num em que há grandes distribuidores (preferencialmente vários) que lidam directamente com os produtores? Mais uma vez e como referia anteriormente, voltamos à questão dos hipermercados...

Mas parece-me que estamos essencialmente de acordo.

MGBM escreveu:
Yeap, há que saber distinguir as coisas logo de inicio, mas também não te esqueças, às vezes as correntes económicas podem-se tornar teorias comprovadas.

Bem, essa do "comprovadas" dava pano para mangas! Smile

Não fossem os economistas brindados com o qualificativo de serem os melhores tipos a preverem eventos e sua justificação depois de eles acontecerem... ;)

Pessoalmente acredito que a Economia sobrevive mais de axiomas do que de teorias...

MGBM escreveu:
Nah, o engenheiro não é o inimigo nº 1 do economista, pelo menos aqui. Acho que não temos inimigos mesmo na minha universidade. :D

Laughing

JLP escreveu: Mas

JLP escreveu:

Mas parece-me que estamos essencialmente de acordo.

Yeap. Seja como for ainda é demasiado cedo para dizer o que vai acontecer. Verdade seja dita, esta situação é, pelo menos para um economista, muito interessante.

JLP escreveu:
MGBM escreveu:
Yeap, há que saber distinguir as coisas logo de inicio, mas também não te esqueças, às vezes as correntes económicas podem-se tornar teorias comprovadas.

Bem, essa do "comprovadas" dava pano para mangas! Smile

Não fossem os economistas brindados com o qualificativo de serem os melhores tipos a preverem eventos e sua justificação depois de eles acontecerem... ;)

Pessoalmente acredito que a Economia sobrevive mais de axiomas do que de teorias...

Vá, não sejamos mauzinhos. :D Pessoalmente economia, sendo uma ciência social, está sujeita aos problemas que as ciências sociais sofrem, ou seja, não temos um laboratório onde conduzir experiências para ver o resultado delas. O nosso laboratório é a sociedade, os mercados e toneladas de estatisticas. Como tal, é dificil para um economista elaborar uma teoria que seja facilmente comprovada. Mas economia é uma ciência apesar de tudo, e comporta-se como tal. :D

Bem, e agora acho que é melhor dar-me por concluido já que tou a fazer um thread derailing massiço. :p

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A samurai once asked Zen Master Hakuin where he would go after he died. Hakuin answered ‘How am I supposed to know?’
‘How do you know? You’re a Zen master!’ exclaimed the samurai.
‘Yes, but not a dead one,’ Hakuin answered.

---- Behold the pain and sorrow of the world, Dream of a place away from this nightmare. Give us love and unity, under the heart of night. O Death, come near us, and give us life!

Então e nós...

Li tudo e no final percebi que ninguém se lembrou que gajos como eu que vivo em Aveiro não temos loja físicas para comprar! Tem mesmo de ser on-line ou então tenho de ir a Porto, o que não é propriamente o que me apeteça sempre que quero comprar um jogo!

 Cá para mim, que de economia não percebo nada, o mundo anda a lixar a malta, e já nem sequer é possível comprar em lojas discount!

Abruk escreveu: Li tudo e

Abruk escreveu:

Li tudo e no final percebi que ninguém se lembrou que gajos como eu que vivo em Aveiro não temos loja físicas para comprar! Tem mesmo de ser on-line ou então tenho de ir a Porto, o que não é propriamente o que me apeteça sempre que quero comprar um jogo!

Cá para mim, que de economia não percebo nada, o mundo anda a lixar a malta, e já nem sequer é possível comprar em lojas discount!

Bem, tens razão sem dúvida. Infelizmente não há lojas fisicas espalhadas por todo o lado, e esse é o grande problema e nesse caso não há outra hipótese do que mandar vir de uma loja online. É por isso que, por mim, quem quiser jogar boardgames deve podê-los comprar seja onde for que lhe der mais jeito.
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A samurai once asked Zen Master Hakuin where he would go after he died. Hakuin answered ‘How am I supposed to know?’
‘How do you know? You’re a Zen master!’ exclaimed the samurai.
‘Yes, but not a dead one,’ Hakuin answered.

---- Behold the pain and sorrow of the world, Dream of a place away from this nightmare. Give us love and unity, under the heart of night. O Death, come near us, and give us life!

o jogo é muito mais do que o material

Abruk escreveu:
Li tudo e no final percebi que ninguém se lembrou que gajos como eu que vivo em Aveiro não temos loja físicas para comprar!

É possível dizer-se que uma das razões pelas quais ninguém abre uma loja em Aveiro (ou mais uma no Porto) é precisamente porque, mesmo que abrissem, a malta continuava a comprar online porque é mais barato. Como estão a dizer no BGG:

Mike Z escreveu:
'm sick of people exploiting the resources of my local store (demoes, game space, kick-ass terrain, late hours, knowledgable staff) and then buying their games online because it is so much cheaper.

Fixando preços mínimos, o negócio local fica protegido desta concorrência desleal e poderá motivar quem estiver interessado. Se houver iniciativa, existe potencial para se criarem muitas novas lojas.

O Mike Z...

O Mike Z fartou-se de levar nas orelhas por causa dessa boca. Ouve muitos que o informaram que as lojas de que dispunham para comprar eram fracas e que o serviço não prestava. Nem todas as lojas físicas são boas... E ele é que diz que a dele é boa. Não é propriamente um observador imparcial.

Além disso, quem o impede de vender também online?

Lembras-te da Devir e da sua forma de promover jogos de tabuleiro... se calhar é porque eles não promoviam nada! O Magic dá que chega. O melhor é comprar as licenças dos jogos de tabuleiro, por-lhes preços exorbitantes e assim diminuir a concorrência à vaca gorda que é o Magic... dá lucro à mesma.

Fixar preços mínimos não vai resolver nada. Certamente não vai fazer abrir mais lojas em Portugal porque, a bem dizer, mesmo assim compensa mais uma loja online. Os custos fixos são sempre menores. Uma loja física tem que competir à custa dos seus serviços extra, não à custa dos preços impostos por outros... os retalhistas não têm qualquer controlo sobre os preços do produtor. Há que não esquecer isto.

Mesmo que o preço seja exactamente igual online e na loja. Online ainda tem vantagens... os jogos vêm ter a nossa casa, sabemos, sem sair do conforto da cadeira, se há stock ou não, a oferta é mais vasta, etc...

Dá ideia que agora os negócios online são o bicho papão... Se virmos bem, o BGG e este site também são uma ameaça às lojas tradicionais. Oferecem o mesmo (estou a ser simpático, na realidade oferecem muito mais) conhecimento dos produtos, à borla! Se calhar devia a Mayfair impedir o BGG de ter lá reviews dos seus jogos, fotos, variantes e clarificações de regras. Se calhar o abreojogo é responsável por não existir uma boa loja de jogos no Porto, ou em Aveiro.

Se calhar a internet é obra dos adoradores do demo que jogam D&D, meus amigoz! Não havia necessidade...

Mallgur escreveu: Se

Mallgur escreveu:

Se calhar a internet é obra dos adoradores do demo que jogam D&D, meus amigoz! Não havia necessidade...

E eis que chegámos ao cerne da questão! Esses mafarricoszz...

Smile

sim

JLP escreveu:
Se não houvesse um grande (dominante) grupo de pessoas para as quais o jogo é um produto e não um "serviço de entretenimento", se calhar a situação presente não se tinha atingido. E é legitimo estares a impor essa tua perspectiva a quem tem a perspectiva contrária, e ainda mais obrigando-os a sustentar a tua visão do que é um boardgame?

Não tenho dúvidas que, no reino das boas intenções, todos os intervenientes concordam que um jogo deve ser um serviço prestado ao cliente. Acontece que, na prática, os editores dificilmente serão capazes de publicar, distribuir e prestar esse serviço em todo o mundo. A internet pode lhes permitir um contacto directo com os seus clientes, mas não é substituto para o que se consegue fazer através de uma loja local. Assim sendo, todos os editores tentam apoiar - ou dizem que apoiam - os seus retalhistas, pois são eles que asseguram a sustentabilidade das suas vendas no longo prazo.

Fixar preços mínimos (não confundir com declarar um aumento de preços) é apenas uma das maneiras de concretizar esse apoio, mas é uma opção válida e legítima. Numa economia de mercado, dificilmente se pode falar em impõr perspectivas. A editora fixa as suas condições e só compra quem quer. Mesmo no caso de várias delas fazerem o mesmo, eu não chamaria a isso cartelização, pois estão muito longe de acertarem os preços entre elas. Cada uma continua a pedir os valores que quiser - e a concorrência continua a existir - apenas se determina uma margem de desconto aceitável de forma a proteger a viabilidade de um serviço que é prestado ao cliente.

Rick Danger escreveu:

Rick Danger escreveu:
Não tenho dúvidas que, no reino das boas intenções, todos os intervenientes concordam que um jogo deve ser um serviço prestado ao cliente. Acontece que, na prática, os editores dificilmente serão capazes de publicar, distribuir e prestar esse serviço em todo o mundo. A internet pode lhes permitir um contacto directo com os seus clientes, mas não é substituto para o que se consegue fazer através de uma loja local.

A Days of Wonder consegue. Mais... a Days of Wonder vende os seu jogos directamente aos clientes finais a preços competitivos com os das lojas online.

Citação:
Assim sendo, todos os editores tentam apoiar - ou dizem que apoiam - os seus retalhistas, pois são eles que asseguram a sustentabilidade das suas vendas no longo prazo.

Fixar preços mínimos (não confundir com declarar um aumento de preços)

A consequência é a mesma. Se os retalhistas vêm os seus descontos diminuidos e são obrigados a diminuir os descontos aos clientes finais o preço dos jogos, efectivamente aumenta para o cliente final...

Citação:
é apenas uma das maneiras de concretizar esse apoio, mas é uma opção válida e legítima. Numa economia de mercado, dificilmente se pode falar em impõr perspectivas. A editora fixa as suas condições e só compra quem quer. Mesmo no caso de várias delas fazerem o mesmo, eu não chamaria a isso cartelização, pois estão muito longe de acertarem os preços entre elas. Cada uma continua a pedir os valores que quiser - e a concorrência continua a existir - apenas se determina uma margem de desconto aceitável de forma a proteger a viabilidade de um serviço que é prestado ao cliente.

Quanto à validade, discordo. Na minha opinião esta medida, a generalizar-se, vai retrair as vendas. Isso não é bom para o hobby.

Eu acho muito bem que a editora imponha as suas condições de venda a cada um dos seus clientes. Não acho bem que imponha as condições de venda que estes possam querer praticar por sua vez.

E repara que não há qualquer imposição de prestação de serviço ao cliente. Se a Toys 'r' Us quisesse vender os produtos da Mayfair achas que eles se importavam que os clientes finais sejam tratados como galinhas? Esfregavam era as mãos de contentes.

é uma escolha que se faz

JLP escreveu:
Em última instância (e em termos totais agregados), é inevitável que os preços finais subam, o que conjugado com a diminuição da oferta só vai contribuir para afugentar a procura.

No curto/médio prazo, isso é inevitável, mas concerteza que a Mayfair está a contar que (e de acordo com o que o MGBM já explicou):

  • outras empresas tomem a mesma opção, até por pressão dos retalhistas;
  • novas lojas tradicionais sejam abertas, assim que deixarem de ser esmagadas pelos descontos online.

Como as lojas tradicionais fazem muito mais pela promoção dos jogos do que as lojas online, no longo prazo, um maior número delas (finalmente fora da sua cíclica falência) vai potenciar a criação de novos clientes e um aumento natural nas vendas.

Por outro lado, certamente outras editoras estão a considerar a opção igualmente válida para os seus interesses de manterem boas relações comerciais com as lojas online como forma de escoarem os seus produtos (deixam de pensar nos seus jogos como serviços) e garantirem liquidez no curto/médio prazo. Essa é uma opção especialmente atraente para as más editoras, aquelas que os retalhistas lhes dizem "os vossos jogos são uma bosta" :) Para elas, nada melhor do que se cagarem para os clientes finais, despejar o stock que têem nas lojas online e, a longo prazo, fechar o tasco.

Rick Danger escreveu: No

Rick Danger escreveu:
No curto/médio prazo, isso é inevitável, mas concerteza que a Mayfair está a contar que (e de acordo com o que o MGBM já explicou):
  • outras empresas tomem a mesma opção, até por pressão dos retalhistas;
  • novas lojas tradicionais sejam abertas, assim que deixarem de ser esmagadas pelos descontos online.

Acho que estás a ser ingénuo. Mas assumindo que de facto a Mayfair está cheia de boas intenções, chama-se a esta esperança que dizes eles terem aqui, contar com o ovo no cu da galinha...

Citação:
Como as lojas tradicionais fazem muito mais pela promoção dos jogos do que as lojas online

Isto carece, fortemente, de confirmação..

Citação:
, no longo prazo, um maior número delas (finalmente fora da sua cíclica falência) vai potenciar a criação de novos clientes e um aumento natural nas vendas.

Mais uma vez... o ovo etecetera e tal...

Citação:
Por outro lado, certamente outras editoras estão a considerar a opção igualmente válida para os seus interesses de manterem boas relações comerciais com as lojas online como forma de escoarem os seus produtos (deixam de pensar nos seus jogos como serviços) e garantirem liquidez no curto/médio prazo. Essa é uma opção especialmente atraente para as más editoras, aquelas que os retalhistas lhes dizem "os vossos jogos são uma bosta" :) Para elas, nada melhor do que se cagarem para os clientes finais, despejar o stock que têem nas lojas online e, a longo prazo, fechar o tasco.

Estás a falar da Rio Grande, da Days of Wonder, da Kosmos, da Pegasus, da Hans Im Gluck, da Asmodee, da GMT, da Queen Games, da Alea, etc... certo?

Arre!!!

Já não se pode trabalhar 3 dias sem parar e depois chega-se aqui e tem-se 10 páginas pra se ler!!! LOL

Há um pequeno pormenor que parece que o pessoal se esquece: os hobbistas de boardgames (como nós) somos uma minoria muito pequena de quem compra um jogo!!! Sem dúvida que criamos as tendências, votamos, damos opiniões, fazemos reviews, etc. Mas seja aqui ou no BGG, toda esta comunidade é a ponta do iceberg dos consumidores de boardgames/wargames/RPG's/etc. Quem dá dinheiro são os outros que passam e compram porque ouviram falar, porque está à vista etc. Nós procuramos a melhor relação qualidade/preço, e reviramos tudo para a encontrar. A questão de ir a um espaço fisico fornecido por uma loja e nem um par de dados lá comprar semana após semana é sintomático da maioria de nós. Uma das questões que esta medida vai atingir vai ser aquele tipo de lojas on-line criada por dois caramelos que querem comprar jogos para a sua colecção e que assim criam uma estrutura comercial para satisfazerem o seu vicio sem se importarem com os efeitos que isso tem no mercado, básicamente lixando os outros.

Acho que em toda esta questão a Mayfair foi idiota em ter feito o anuncio como o fez, bastava fazer um pequeno contrato com os distribuidores com qq coisa como isto: Vendo-lhe ao preço X e só pode vender a quem fizer contrato de revenda a um preço Y minimo (Y>X). E pronto estava resolvido e colocava a coisa a funkar sem levantar ondas. Acho que precisam de trocar o PR deles.

Boicotar??? LOL. Ou se gosta ou não se gosta de um jogo. Quem daqui não andou à cata pela eBay daquela edição xpto de um jogo pelo preço triplicado? Para mim não faz muito sentido a idéia do: nem mais um soldado... epah esta era na outra estação de rádio!!!

Manuel Pombeiro
a.k.a.Firepigeon
LUDO ERGO SUM

Últimas jogatinas:

Negating the unforeseeable is utterly unrealistic, and scrambling to deal with problems is indeed a game skill.

Como Santiago aos mouros

Firepigeon escreveu:
Já não se pode trabalhar 3 dias sem parar e depois chega-se aqui e tem-se 10 páginas pra se ler!!! LOL

Laughing

Firepigeon escreveu:
Há um pequeno pormenor que parece que o pessoal se esquece: os hobbistas de boardgames (como nós) somos uma minoria muito pequena de quem compra um jogo!!!

Será? É que, fora o Settlers, não estou a ver títulos da Mayfair que tenham sequer conseguido atingir com esse sucesso relativo (quando comparado com os gamers) o público em geral. E mesmo assim, terá sido mais por atirarem a uma cadeia de lojas muito mais alargada (como tabacarias, grandes superfícies) do que por mérito das lojas de B&M.

Quando dizes que os gamers de boardgames são uma minoria, pergunto-me se o público em geral consegue compensar a enorme diversidade de títulos comprados pelos primeiros e, principalmente, se compram com a periodicidade brutal com que estes o fazem. É que, esse tal "público geral", que compra por conselho e por hearsay terá quando muito 1, dois (percamos a cabeça!) três jogos de tabuleiro, que provavelmente incluirão o Risco e o Monopólio comprado no Continente. Não vejo, ainda mais em Portugal mas mesmo nos U.S., que exista mercado para sustentar a indústria fora dos gamers, a menos de um ou dois títulos que conseguem atingir o mainstream.

Firepigeon escreveu:
A questão de ir a um espaço fisico fornecido por uma loja e nem um par de dados lá comprar semana após semana é sintomático da maioria de nós.

A questão é que essas lojas também se esquecem muitas vezes dos benefício que essas pessoas, os "regulares", lhes trazem. Quantas pessoas atraiem e colocam nos braços da loja (quando em alternativa nunca sequer saberiam da sua existência), a maioria das vezes com o seu material que não consta sequer das prateleiras e que acaba por criar uma oferta do nada no que toca ao esforço da própria loja em ter uma oferta que cative. Que não se importam de demonstrar ou falar sobre um jogo que muitas vezes o responsável da loja nunga jogou na vida.

Firepigeon escreveu:
Uma das questões que esta medida vai atingir vai ser aquele tipo de lojas on-line criada por dois caramelos que querem comprar jogos para a sua colecção e que assim criam uma estrutura comercial para satisfazerem o seu vicio sem se importarem com os efeitos que isso tem no mercado, básicamente lixando os outros.

Quais outros? Os que andavam a "mamar" margens que nem dois gamers acabados de chegar ao mercado e que partiram naturalmente sem os conhecimentos e sem a escala desses têm problemas em bater? E mesmo assim conseguem ter mais sucesso comercial e ainda sustentar o hobby?

Quanto ao "efeito no mercado", os mercados têm uma característica fascinante de, fora regras coercivas introduzidas por terceiros, se ajustarem perfeitamente à vontade dos seus interlocutores. Conheces algum consumidor que se queixe per se do mercado das lojas online? E alguma loja online? Naturalmente, não é difícil descobrir vendedores que gostassem de vender mais caro ou compradores que quisessem vender mais barato. O problema é a realidade.

Firepigeon escreveu:
Acho que em toda esta questão a Mayfair foi idiota em ter feito o anuncio como o fez, bastava fazer um pequeno contrato com os distribuidores com qq coisa como isto: Vendo-lhe ao preço X e só pode vender a quem fizer contrato de revenda a um preço Y minimo (Y>X). E pronto estava resolvido e colocava a coisa a funkar sem levantar ondas. Acho que precisam de trocar o PR deles.

O problema é que essas questões são como o segredo de justiça: têm uma enorme tendência a vir a público. Pessoalmente, acho que a estratégia da Mayfair foi tão somente de minimizar os prejuízos pela "franqueza". Até porque as lojas online que querem afrontar seriam os primeiros a meter a "boca no trombone".

Firepigeon escreveu:
Boicotar??? LOL. Ou se gosta ou não se gosta de um jogo.

Tudo bem. Mas, uma vez que não defendo, filosoficamente, que seja impostas medidas reguladoras do mercado, "voto" como posso. Até porque não gosto, como consumidor, de ser tratado como o "mau da fita", nem simpatizo com empresas que perdem mais tempo a tentar agradar à sua própria estrutura comercial do que em fazer bons jogos e a tentar agradar e cativar o seu cliente final que (mas ainda sou dos antigos Wink) devia ser quanto a mim o seu alvo prioritário.

impostas medidas reguladoras do mercado?

Tenho dificuldades em entender como é que é possivel a Mayfair achar que tem "o plano" para controlar o mercado. Talvez o JLP ou o Mallgur me possam explicar o ponto de vista tão maquiavélico desta editora.

Eu imagino uma conversa simples entre a Mayfair e uma distribuidora.
Distribuidora: "Então, ficamos combinados. 500 unidades no fim do mês."
Mayfair: "Sim, já agora, nós queremos fixar um limite aos descontos praticados."
Distribuidora: "Ai é? Então para já ficam só 100 unidades este mês e depois conversamos."
Mayfair: "Pois, já contávamos."

Parece-me evidente que esta editora está disposta a se queimar para proteger aquilo que considera ser o "perceived value" dos seus produtos e, imagino eu, apoiar as lojas locais. Leva com um boicote por, no curto prazo, aceitar fazer menos dinheiro? :)

Maquiavel

Rick,

Rick Danger escreveu:
Parece-me evidente que esta editora está disposta a se queimar para proteger aquilo que considera ser o "perceived value" dos seus produtos e, imagino eu, apoiar as lojas locais. Leva com um boicote por, no curto prazo, aceitar fazer menos dinheiro? :)

Não achas que estás a substituir a nossa perspectiva "maquiavélica" por uma perspectiva ingénua? Ou se calhar a Mayfair é uma instituição de solidariedade social e não sabíamos... Wink

Se eu quisesse ser verdadeiramente maquiavélico diria que, se calhar, o problema é qua a Mayfair anda a vender os jogos aos vendedores online a um preço inferior ao que vende aos seus revendedores e aos seus distribuidores B&M...

se calhar sou eu que estou a ver mal

JLP escreveu:
o problema é qua a Mayfair anda a vender os jogos aos vendedores online a um preço inferior ao que vende aos seus revendedores e aos seus distribuidores

A Mayfair anda a vender retalhista a retalhista? Que eu saiba, vende a um distribuidora que depois leva o produto quer a lojas online, quer ás tradicionais. A limitação aos descontos aplica-se a todas.

Nunca estiveste lá...

Pois Rick;

Nunca assitiste a uma reunião dentro de uma editora em que se analisa a forma de lidar com os distribuidores/retalhistas.

A questão resume-se aos direitos de cópia. Se uma editora sabe que tem um produto que é um sucesso garantido faz os preços que quer e obriga aos descontos que entende. Os lojistas precisam de vender o que está na moda e nos tops. Os tops eles controlam, basta um cartaz na loja, mas o que está editado está nas mãos dos produtores e estes só vendem e colocam nas lojas que querem. Se não há poder negocial do retalhista, leva com todos os monos que a editora lhe puder despejar em cima.

Em nenhuma editora há preocupação em proteger os pequenos livreiros. O que interessa é facturar. Bem vindo ao mundo dos negócios. Não há penas ou morais ou justiça. Há números.

Em Portugal, no mercado livreiro onde existe este absurdo do preço de capa e uma figura estapafúrdia de comércio chamada consignação, é aí que se discute. O que é posto à consignação e com que desconto.

As editoras controlam este negócio. Os retalhistas têm tanto poder negocial quanto a sua dimensão. A Fnac ou o Continente (que podem negociar fora das consignações porque têm muito capital) podem reclamar melhores descontos e condições. Os pequenos lojistas não.

Com os jogos, se o mercado crescer, o que não me parece seja o caso se esta política se alargar, vai-se passar o mesmo. As Toys 'r' Us e os Continentes vão ser os que obtêm melhores condições e os pequenos retalhistas vão sofrer ainda mais. E não me parece que possas esperar aquele serviço de entretenimento com que sonhas em algum dos grandes vendedores...

Mais uma vez pergunto, se a Mayfair quer proteger as lojas locais porque não aplica uma política diferenciada a estes?

E explica-me lá como é que a Mayfair faz menos dinheiro nesta situação, excepto pelos boicotes?

Quem vai boicotar a FFG?

A Fantasy Flight Games anunciou isto:

Citação:
FFG is about to launch our newest pre-order promotion, for the Kingdom Hearts TCG, expected to launch in mid-November 2007! If you'd like to be involved (and who wouldn't?), please sign up here. After confirmation, your store will be added to the list of participating retailers, driving customers to your store to purchase this hot new game!

This and all FFG promotions are restricted to brick-and-mortar game stores and the FFG Online Store as part of our commitment to assist the backbone of the hobby game industry — the Friendly Local Game Store!

No que é que isto difere da Mayfair? É simples, os tipos das Relações Públicas da FFG são muito melhores!! Em vez de dispararem no pé a dizerem que isto e que aquilo, e tatata e badabum, limitam-se a dizer que a promoção em causa exclui as lojas online!!! LOL!!

Manuel Pombeiro
a.k.a.Firepigeon
LUDO ERGO SUM

Últimas jogatinas:

Negating the unforeseeable is utterly unrealistic, and scrambling to deal with problems is indeed a game skill.

Por outro lado...

A FFG tem a sua própria loja online, o que quer dizer que ela pratica nesta os preços que bem entende, ou seja, a sua decisão não é propriamente a de deixar funcionar o mercado ao nível da comercialização, antes controla-o no que respeita ao comércio via internet. O que vem a redundar numa situação que não é assim tão diferente da criada na Mayfair. Isto tudo numa análise muito superficial da minha parte, como é evidente.

Sérgio

Um TCG? Boicoto de certeza...

Neste caso há várias diferenças...

Primeiro; É uma situação aplicada a um só jogo e não à generalidade do catálogo, como no caso da Mayfair.

Segundo; É uma promoção de lançamento específica e não uma regra a aplicar a toda a vida do produto.

Terceiro; Faz, efectivamente, uma distinção entre as lojas fisicas e as lojas online. Coisa que não se passa na Mayfair.

Quarto; É uma excelente manobra publicitária. Coloca a FFG num patamar diferente em termos de imagem. Aqui aparenta existir um verdadeiro apoio às lojas físicas, coisa que no caso da Mayfair exige muito "wishful thinking". Daqui por umas semanas a política volta a ser igual para todas as lojas. Provavelmente incluindo também os limites de descontos para ajudar ao controle do mercado. Mas nessa altura o impacto desta medida já terá passado... Excelente "damage control", de facto. Mas não são boas notícias, mesmo que o material da FFG não me interesse muito.

Só para meter o bedelho,

Só para meter o bedelho, porque não posso mesmo resistir: é engraçado ver como a moralidade é chamada quando se mete a mão no bolso dos jogadores.

Infelizmente, como RPer que teve sempre que pagar o preço total pelos jogos (porque RPGs aqui é preço de capa e viva o velho, deem-se por contentes que não fazemos o dolar a 1.20 como no mundo Fantasma) tenho muito pouca pena do Mallgur e do João Luis (que é um tipo bestial, diga-se já).

Eu, na minha ignorante opinião do que toca a boardgames, acharia que se a Mayfair mete um jogo à venda por 100 euros e uma loja online por 50, e de repente, pela lei, a loja online só pode fazer a 95, seria mais simples os jogadores decidirem se o jogo vale 95. Se sim, compram, se não, gasta-se o dinheiro noutra coisa -- para quê fazer boicote? Além do mais porque fico com a impressão que se a Mayfar dissesse "Precisamos de mais dinheiro, as vendas andam em baixo, por isso vamos aumentar o valor dos jogos em 40%" vcs gritavam, resmungavam, mas não faziam boicote....

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"HOUSE FLAMBEAU - where you teach your apprentices by pissing them off until their will to set you on fire overcomes the stactic paradigm"

"I still miss my ex-wife, but my aim is improving!"

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Eu Escrevi Um RPG Numa Semana!

LadyEntropy escreveu: Só

LadyEntropy escreveu:
Só para meter o bedelho, porque não posso mesmo resistir: é engraçado ver como a moralidade é chamada quando se mete a mão no bolso dos jogadores.

Infelizmente, como RPer que teve sempre que pagar o preço total pelos jogos (porque RPGs aqui é preço de capa e viva o velho, deem-se por contentes que não fazemos o dolar a 1.20 como no mundo Fantasma) tenho muito pouca pena do Mallgur e do João Luis (que é um tipo bestial, diga-se já).

Obrigado pela distinção. Também não gosto muito que tenham pena de mim... E nem há razão neste caso.

Daquilo que se deve ter pena é do hobby e da sua possibilidade de divulgação, conforme já expliquei anteriormente.

Suponho que estejas de acordo com esta ideia e, nesse caso, não percebo o "infelizmente" da frase...

Citação:
Eu, na minha ignorante opinião do que toca a boardgames, acharia que se a Mayfair mete um jogo à venda por 100 euros e uma loja online por 50, e de repente, pela lei, a loja online só pode fazer a 95, seria mais simples os jogadores decidirem se o jogo vale 95. Se sim, compram, se não, gasta-se o dinheiro noutra coisa -- para quê fazer boicote? Além do mais porque fico com a impressão que se a Mayfar dissesse "Precisamos de mais dinheiro, as vendas andam em baixo, por isso vamos aumentar o valor dos jogos em 40%" vcs gritavam, resmungavam, mas não faziam boicote....

Não seria um boicote declarado, mas o efeito seria o mesmo... não comprava. Mas ao menos admirava a honestidade na declaração, ao invés desta ladainha de "somos muito bonzinhos e coisa e tal, mas paguem mas é o que nós queremos.". Ainda por cima mal feita... como demonstrou o Pombeiro.