Time's Up - Versão Portuguesa

Retrato de pringi
Time's up

De vez em quando há jogos que me surpreendem. Time's up! - Edição Azul em Português é um deles.

Estava numa de comprar um jogo para vários jogadores e que fosse ao mesmo tempo colectivo, interactivo, curto, que desse para haver competição entre equipas e que acima de tudo não fosse nada complicado nem aborrecido. Basicamente um jogo que desse para jogar quando temos um conjunto de pessoas com gosto em relação a jogos de tabuleiro bastante heterogéneo num mesmo local e ao mesmo tempo. Um jogo que desse para convencer até os mais renitentes a jogar. O jogo, como é óbvio, tinha de fugir às características tradicionais dos jogos que se vêm por aí nos hipermercados como o Party & Co ou Pictionary e outros desse género. Nada de haver provas de desenho, ler nos lábios (que prova mais estúpida), e afins. Ainda ando a remoer porque raio fui comprar o Locuras. Mas é assim que se aprende...

 

Depois de alguma investigação no BGG, descobri o Time's Up!, mas era na edição inglesa ou americana. O jogo está bem cotado na tabela classificativa de jogos no BGG (posição 106 com uma pontuação média de 7,46).

 

O jogo consiste, basicamente, em fazer os companheiros de equipa adivinhar a celebridade que está escrita numa carta. Na carta aparece o nome da celebridade(pessoa real ou fictícia). Esta celebridade é sempre minimamente famosa (daí o nome celebridade). Claro que o ser famoso é um conceito bastante lato, e, como é óbvio, nem todos conhecem. No caso da edição azul deste jogo, cada carta tem duas cores (azul e amarela). Em cada cor tem-se o nome de uma celebridade diferente. No princípio do jogo decide-se com qual cor se joga.

 

Para facilitar, o jogo trás consigo um pequeno manual de celebridades. Este pequeno manual (mas em alturas em que não se sabe nem se sonha quem é o raio da celebridade, precioso),  tem uma pequena descrição de quem é a celebridade. Assim nunca se fica na total ignorância. É claro que a descrição no manual só pode ser lida pela pessoa que está a fazer adivinhar (lida para ela mesma e não em voz alta).

 

A esta altura se calhar já estarão a pensar, é pá, mais um Quem quer ser milionário, não obrigado...

Mas não pensem assim. O jogo é simples e interessante (além de imensamente cómico principalmente na ronda 3) pelo facto como se jogam as 3 rondas do jogo.

 

O jogo é jogado em 3 rondas. Antes de se iniciar o jogo, são escolhidas aleatoriamente 40 cartas com as quais se vai jogar do início ao fim das 3 rondas. Isto é, nas 3 rondas irão ser sempre usadas as mesmas 40 cartas. Cada ronda tem, contudo, características diferentes. Seguidamente distribuem-se pelos jogadores as 40 cartas (sempre com a face voltada para baixo, de modo a só o jogador que recebe as cartas saber as personagens que estão nessas cartas).  Pode-se optar, para tornar o jogo mais fácil, e distribuir 2 cartas adicionais a cada jogador. Cada jogador elimina 2 personagens que acha que são demasiadamente difíceis (para ele claro está). Isto tudo em segredo de modo a não se ver que personagens foram eliminadas.

 

De seguida volta-se a reunir as 40 cartas e baralha-se. Nesta altura cada jogador sabe parte das personagens que estão no monte (as que estavam nas cartas que lhe foram dadas), mas ignora por completo as restantes que lá estão.

 

E inicia-se a primeira ronda. Na primeira ronda, tal como nas 2 seguintes, o objectivo é sempre adivinhar a celebridade que está na carta. Á vez cada jogador irá ser o orador (as equipas vão jogando alternadamente), e irá fazer adivinhar a celebridade aos elementos da sua equipa. Todos terão a oportunidade (obrigatória) de ser orador. Isto é, não há eleitos, todos têm de fazer figura de ursos, isto é, ser o orador. As 40 celebridades são sempre baralhadas antes do início de cada ronda, e colocadas num monte com a face para baixo.

 

Na primeira ronda podem-se usar as palavras que se quiser (desde que não sejam diminutivos ou traduções directas do nome que está na carta), e a equipa pode tentar adivinhar o número de vezes que for preciso. Quando a equipa adivinhar, passa-se à carta seguinte que está no monte e assim sucessivamente. A ronda acaba quando o monte acabar. Por cada resposta certa, ganha-se um ponto. Há contudo um pequeno pormenor, e é esta a razão do nome do jogo. Existe uma ampulheta que conta o tempo. São 30 segundos que cada equipa tem para conseguir adivinhar o máximo de celebridades possíveis. Quando o tempo se esgotar, passa-se à equipa seguinte.

 

Na segunda ronda as coisas complicam-se. Depois do fim da primeira ronda, toda a gente teve a oportunidade de saber quais são as 40 celebridades. Antes de se iniciar a segunda ronda, volta-se a baralhar as 40 celebridades, e colocam-se todas no monte no centro. Nesta segunda ronda o orador apenas pode dizer uma só palavra, e a equipa tem uma só oportunidade para adivinhar a celebridade. Se errar, tem de se passar à seguinte. Se o monte se esgotar, azar, têm de passar a vez. Nesta ronda tal como na primeira, e também na terceira, a ampulheta controla o tempo de cada equipa. Quando o tempo se esgotar, acabou e passa-se à equipa seguinte.

 

Das vezes que já joguei este jogo, posso dizer que nesta segunda ronda, é crucial que se esteja com bastante atenção ao que aconteceu na primeira ronda. O orador dispõe apenas de uma palavra para fazer a equipa adivinhar a personagem. E a equipa só pode dizer um nome ao qual pensa que corresponde o que está na carta. Damos por nós a recorrer às coisas mais idiotas que aconteceram na primeira ronda. É aqui na segunda ronda que a gargalhada geral se começa a instalar. Com uma palavra apenas...

 

Estando já bem dispostos da ronda dois, e depois de se ter esgotado o monte na ronda dois, e de ser ter contado os pontos, eis que começa a ronda três. Aqui volta-se a baralhar o monte, e eis que o orador tem à sua disposição apenas e só a mímica, e ruídos. A equipa tem apenas uma oportunidade para adivinhar a celebridade. Caso falhe, o orador tem logo que passar à seguinte. As regras são iguais à da ronda dois. O tempo pressiona o orador e a equipa para adivinharem o máximo de personagens.

 

Aqui na ronda três é a risota geral. Claro que isto depende sempre muito das pessoas. Mas mesmo as mais carrancudas irão-se rir. As figuras que temos de fazer como oradores para fazer adivinhar por exemplo: Camões, ou... Jorge Sampaio, passando por Pedro Santana Lopes, Rainha Santa Isabel ou .... Floribela. Isto tudo só com mímica (fazer adivinhar o Zidane é relativamente fácil... é só dar uma cabeçada em alguém....) ....

 

E no fim volta-se a contar os pontos, e faz-se o somatório das três rondas. A equipa com mais pontos ganha.

E volta-se logo de seguida a jogar outro porque todos ficam bem dispostos e a querer jogar outro.

São cerca de 219 cartas cada uma com 2 personalidades diferentes.

 

É verdade, este jogo existe em Português de Portugal, com personagens portuguesas (também tem muitas celebridades estrangeira). Foi a razão pela qual comprei o jogo cá (o LeiriaCon). Custou cerca de 20€.

 

A edição do jogo é da Morapiaf. A caixa é um bocado fraca, mas o jogo trás um saco onde podemos ter todas as cartas, regras e a ampulheta. Recomendo vivamente.

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Boa review

Depois do trauma do Trivial e Pictionary, este foi o primeiro party game que eu comecei a gostar. Muito bom!

vch escreveu: Depois do

vch escreveu:

Depois do trauma do Trivial e Pictionary, este foi o primeiro party game que eu comecei a gostar. Muito bom!

Pô, eu gosto dos dois. Undecided

 

Sobre o Time's up, se o jogo fosse só a primeira ronda, era excelente. As restantes eu dispensava.

 


Top10:

A ser só uma ronda que

A ser só uma ronda que fosse uma onde só podes cantar músicas para indicar quem é que está no cartão.

"the drunks of the Red-Piss Legion refuse to be vanquished"

O que é que andaste a fumar? :)

Hahahah! Que ridículo!

Que imbecil estaria disposto a jogar o jogo com essa regra?Hahahah...heh..heh...

...uhh...Embarassed

adiante...

Acho o jogo muito porreiro. Provavelente um dos party games mais divertidos que experimentei. A única desvantagem do jogo na minha opinião é que a uma certa altura existe uma tendência para se decorarem nomes a partir de palavras-chave(sempre que alguém diz «o velhinho» a resposta no meu grupo de amigos é invariavelmente Paul Newman) e pode tornar-se cansativo a médio prazo. Mas nada que estrague a diversão, que é o que se pretende.