Cuba

Retrato de Joca


Cuba é um jogo atraente que nos seduz com cores vibrantes e ilustrações afáveis. Coloca-nos a contemplar o tabuleiro, a vila de cores quentes, com vida pintada nos traunsentes que pelas ruas transportam os seus produtos para o mercado. 
Está entre os jogos mais bonitos que vi. No entanto, a casca da laranja pode reluzir e a fruta ter pouco sumo. 
Cuba não é assim. Tem sumo q.b. para todos saciar. É um bom jogo, equilibrado, independente de sorte, com um extenso leque de opções diferentes para orientar a estratégia. Aliás, torna-se imprescindível delinear uma estratégia pois neste jogo dispersar os esforços em várias frentes é meio passo para o insucesso. 
  

   
Em Cuba vence quem obter mais pontos de vitória ao fim de seis rondas. 
Em cada ronda os jogadores vão efetuar uma séria de ações prédefinidas, mas tudo gira à volta do comércio. obter produtos e artigos de luxo, ganhando dinheiro e pontos. Podem-se despachar os produtos para os navios ancorados no porto (pontos de vitória), ou podem-se vender os produtos no mercado (dinheiro). 
É um jogo praticamente sem dependência de língua, de dois a cinco jogadores, para ser jogado em aproximadamente duas horas. 
Além do tabuleiro principal, cada jogador tem um pequeno tabuleiro individual com vários tipos de campos onde irá extrair produtos e recursos, e onde irá construir edifícios para melhorar o seu jogo. 
Em Cuba existem três géneros diferentes de bens:
- os recursos: pedra, madeira e água; permitem essencialmente construir edifícios.
- os produtos: cana de açúcar, tabaco e frutas; são matérias-primas retiradas das propriedades que podem ser comercializadas ou transformadas noutros artigos em edifícios próprios.  
- os artigos de luxo: charutos cubanos e rum; os charutos feitos a partir do tabaco e o rum a partir do açúcar, são bens comercializáveis com maior valor. 
   


    
A primeira ação é tornar conhecidos os projetos-lei para serem votados mais tarde no parlamento. 
 
A segunda ação, a mais morosa, consiste em alternadamente jogar uma das cinco cartas que se tem na mão e exercer a sua função. Todos os jogadores têm um lote com as mesmas cinco cartas, cada qual com funções diferentes. Existe o trabalhador, a vendedora, o arquiteto, o capataz, e o presidente. 
O trabalhador permite receber produtos e recursos da propriedade de cada jogador.
A vendedora permite comprar e vender produtos e artigos de luxo no mercado. 
O arquiteto permite construir um dos 25 edifícios disponíveis. 
O capataz permite ativar a função dos edifícios existentes na nossa propriedade. 
O presidente permite despachar produtos e artigos de luxo para os navios ancorados. 
Os jogadores vão então à vez pousando e executando a função de uma das cinco cartas que têm na mão. Quando todos tiverem jogado quatro das cinco cartas, termina esta fase. 
         

           
A terceira ação é a votação no parlamento. Os jogadores vão leiloar o direito de escolherem dois dos quatro projetos-lei para entrarem em vigor, sendo os outros dois descartados. Claro está que quem escolher irá puxar a brasa para a sardinha. Considerando que cada uma das cinco cartas tinha um número de um a cinco, na sequência que acima resumi, os votos que um jogador irá deter na votação será o número constante da carta que lhe sobrar após jogar as outras quatro. Deste modo verifica-se que guardando a carta do presidente, que tem o número cinco, irá dar o máximo de votos, mas para a guardar o jogador irá se privar de usufruir da função da carta. 
Todavia, além dos votos facultados pela quinta carta, a que não foi jogada na ação anterior, cada jogador irá ofertar de mão fechada uma quantidade de moedas equivalente aos votos adicionais que pretende "comprar" na votação. Um jogador que somente tinha dois votos através da sua carta, pode simplesmente pegar em dez moedas, elevando os seus votos para doze. 
Todos ofertam as moedas em simultâneo, mesmo ostentando um punho vazio, e todos ficam sem as suas ofertas monetárias, quer vençam a eleição, quer percam. 
             

           
A quarta ação é levar a cabo o poder das quatro leis que se encontram em vigor. 
As duas primeiras pertencem a categorias de pagamento: em ambas se o jogador pagar o pedido ganha pontos, se não pagar não os ganha. A terceira lei é um subsídio. Normalmente todos levam alguns pontos ou dinheiro daqui, contudo uns mais do que outros. A quarta lei normalmente impera no decorrer do turno seguinte: alguma restrição de comércio, um custo adicional para fazer algo, etc. 
      
A quinta ação trata-se das diligências do fim de turno. 
          

         
Resumidamente está explicado Cuba.
Claro está que os navios ancorados dão mais ou menos pontos consoante o seu posicionamento, o mercado tem flutuações interessantes, os edifícios acrescentam um infindável rol de variações e caminhos que um jogador atento pode optar por combinar com determinado objetivo. É só escolher pois Cuba tem muito por onde o fazer. 
          

              
Eu gostei de Cuba pois apresenta-se com toda aquela amplitude e variedade que aprecio. É um portento que tem o bónus de ser visualmente reconfortante.
Fazendo uma pausa para representar o advogado do diado, digo que a faísca que já encontrei noutros jogos encontra-se aqui um pouco mais apagada. Confesso contudo que não sei bem o quê. Notei que a incrível variedade de edifícios disponíveis, com todas as suas possibilidades, ficam praticamente por utilizar. Lembro-me de Puerto Rico que conseguia fazer uso de vários dos edificios. Aqui não dá tempo. Aliás, se se constroi um por turno e são seis turnos, considerando que no primeiro turno poucos recursos dispomos e no último já não dará para usar praticamente nada, verifica-se que pouco resta. Também confesso que esperava um pouco mais de interação entre os jogadores. Há alguma é certo, mas parece escassa para um jogo tão bem concebido. 
É um jogo que após alguns retoques pode atingir um patamar bastante elevado, e parece-me que as expansões são capazes de o projetar para esse ponto. Tenho comigo uma delas, e em breve irei deixar aqui a respetiva review. 
          

         
Cuba é um tema de sucesso, pois remete-nos para uma ilha paradisíaca, com artigos exóticos desejáveis, com mulheres ainda mais desejáveis ;) , veículos lindíssimos doutra era (capa do jogo), e tudo isso está presente no aspeto visual do produto final. O jogo em si é ótimo com todas as possibilidades de jogo, o equilíbrio, um produto onde revemos vários conceitos consolidados noutros jogos. 
É um dos bons jogos que andam por aí, apesar desde 2007 já contar uns anitos, a obra de Michael Rieneck e Stefan Stadler é um verdadeiro ponto de referência no roteiro dos jogos de tabuleiro. 
 
Dou 16 em 20

 
 

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Cuba

Mais uma review. :)

nao é bem a minha praia e mto

nao é bem a minha praia e mto provavelmente nao o irei experimentar contudo excelente review e pessoalmente adoro teres colocado fotos da cidade real .... mto bom

apresentas mto bem o design grafico do jogo e parece ser bastante bom

parabens pela review ... excelente yes

Boa escolha!

Boa escolha para uma review. É um jogo excelente.

A minha nota seria um pouco maior (aí pelo 18/20) pois não vejo como tão graves os problemas que indicas.

Na questão dos edifícios, não se fazem muitos, é certo, mas o objectivo é fazer aqueles que combinam bem ou aqueles que potenciam uma estratégia específica, por exemplo os que facilitam o envio de produtos e bens para os navios em conjunto com uma esratégia de produção ou os que potenciam certos tipos de produção como charutos ou rum.

Na questão da interacção, é súbtil mas pode ser muito intensa, especialmente havendo estratégias coincidentes, algo que acontecerá mais facilmente com mais jogadores. Há muitos pontos em que os jogadores se cruzam e podem atrapalhar-se mutuamente. No mercado com a variação dos preços, na escolha das leis a aprovar que podem dificultar a obtenção de alguns pontos, no timing do envio para os navios dos produtos e bens, na preparação para as eleições em que é importante saber quem tem que personagens já jogados, no momento de ocupação dos espaços limitados no arquitecto, vendedora e presidente da câmara, na própria escolha dos edifícios a construir, etc.

De qualquer modo, boa review que espero leve mais gente a experimentar este jogo. Por mim, estou sempre pronto para fazer mais uma partida.

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"[...] a period when games were complex in your brain, instead of on the board."
tommynomad

Cuba

Pode ser que jogar com mais pessoas dê outra interação que desconheço. Só o joguei a três. :( 

Talvez num próximo mensal de Braga dê para testar. 

Ainda há a questão das expansões que em alguns casos melhoram o jogo original (recordo-me das expansões dos populares Carcassonne ou Alhambra). Tenho a expansão "Cuba  - El Presidente" mas ainda por testar. 

Já agora duas dúvidas: 

- porque é que a formatação não aparece como no texto editado? Deixei as imagens centradas, o texto justificado, linhas a dividir as imagens do texto, e no entanto aqui surge tudo desformatado! 

- os mails que envio pelo formulário do AoJ para outros utilizadores são todos devolvidos para a caixa de spam do meu mail. Antes não acontecia! A que se deve isto e como resolvo? 

Obrigado a todos pelos comentários. 

Joca escreveu: Já agora

Joca escreveu:

Já agora duas dúvidas: 

- porque é que a formatação não aparece como no texto editado? Deixei as imagens centradas, o texto justificado, linhas a dividir as imagens do texto, e no entanto aqui surge tudo desformatado! 

- os mails que envio pelo formulário do AoJ para outros utilizadores são todos devolvidos para a caixa de spam do meu mail. Antes não acontecia! A que se deve isto e como resolvo? 

Obrigado a todos pelos comentários. 

Olá,

Antes de mais nada obrigado por mais esta review que ainda não tive oportunidade de ler. Quando o fizer comentarei a mesma ;)

Respondendo às tuas dúvidas:

- Não aparece porque as tags html utilizadas eram <div> que não podem ser aceites pelo AOJ sobre o risco de desformatar toda a página inicial; alterei as mesmas para <p>

- Os mails são enviados como sendo enviados pelos utilizadores o que na realidade não acontece; o que é feito é o AOJ enviar um mail a dizer que é enviado pelo mail do utilizador "xpto@abc.com"; o problema é que os servidores de mail dos utilizadores detectam que o endereço de mail de envio não é verdadeiro (pois quem está a enviar é o AOJ) e reportam isso como SPAM. Os mails que envias pelo formulário do AOJ não estão a chegar aos destinatários?

tmgd escreveu: Joca

tmgd escreveu:
Joca escreveu:

Já agora duas dúvidas: 

- porque é que a formatação não aparece como no texto editado? Deixei as imagens centradas, o texto justificado, linhas a dividir as imagens do texto, e no entanto aqui surge tudo desformatado! 

- os mails que envio pelo formulário do AoJ para outros utilizadores são todos devolvidos para a caixa de spam do meu mail. Antes não acontecia! A que se deve isto e como resolvo? 

Obrigado a todos pelos comentários. 

Olá,

Antes de mais nada obrigado por mais esta review que ainda não tive oportunidade de ler. Quando o fizer comentarei a mesma ;)

Respondendo às tuas dúvidas:

- Não aparece porque as tags html utilizadas eram <div> que não podem ser aceites pelo AOJ sobre o risco de desformatar toda a página inicial; alterei as mesmas para <p>

- Os mails são enviados como sendo enviados pelos utilizadores o que na realidade não acontece; o que é feito é o AOJ enviar um mail a dizer que é enviado pelo mail do utilizador "xpto@abc.com"; o problema é que os servidores de mail dos utilizadores detectam que o endereço de mail de envio não é verdadeiro (pois quem está a enviar é o AOJ) e reportam isso como SPAM. Os mails que envias pelo formulário do AOJ não estão a chegar aos destinatários?

No seguimento dos problemas dos mails lembrei-me de tentar uma outra abordagem. Acabei de fazer um 2º teste. Acho que agora já não terá ido parar ao SPAM, embora o mail tenha de inicio uma parte estranha que tentarei corrigir. Depois agradeço que valides. Obrigado.

Dúvida

Recebi os teus dois mails em condições. 

O que não consigo é enviar. Normalmente, depois de enviar a partir daqui, vou à caixa de spam do meu mail e reenvio a partir daí. Vou fazer um teste enviando-te a ti uma msg daqui a alguns segundos. Se não a receberes, já sabes. 

Obrigado pela ajuda, apesar deste não ser o local correto. 

Parabéns

Parabéns pela review Joca. Muito bem escrita.

Apesar de concordar contigo em muitos aspectos, mesmo muitos, há para mim um grande senão, é longo demais para a densidade que tem. Não sendo um heavy game, porque não é, com 4 jogadores uma sessão de Cuba demora sempre mais de duas horas e isso a mim irrita-me.

Eu gosto do jogo, mas não o jogo mais vezes por isso mesmo. Para esse dispender esse tempo, prefiro algo mais pesado, mais denso, com mais sumo, tipo Age of Steam. Se demorasse meia hora a menos seria um excelente jogo :)

 

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"The only way to achieve the impossible is to believe it is possible."
Lewis Carroll in Alice in Wonderland

Cuba

É um jogo cujo tempo aumenta por cada jogador a mais. Há alguns que equilibram a duração doutros modos, mas este quantos mais a jogar, mais tempo dura. Eu só joguei a três, que dá para terminar em pouco menos de duas horas. Quanto ao Age of Steam, é uma gigantesca lacuna minha, por apesar de já ter jogado algumas centenas de jogos diferentes, ainda não testei uma só vez esse monumento. 

E sei que no Grupo do Porto há grandes fãs desse jogo, em particular um deles. :) 

Cuba

Finalmente li com atenção mais esta review.

Confesso que só joguei Cuba uma vez e já foi há demasiado tempo.

... só posso dizer vou ver se releio as regras e se o consigo jogar ainda hoje no encontro mensal de Lisboa

Depois disso, eventualmente pensarei na expansão! surprise

Cuba

... ontem consegui ler as regras e jogar Cuba a 4 jogadores. smiley

O jogo começou lento, com todos nós a tentarmos perceber o que se poderia fazer com o jogo. Fizemos a primeira ronda em cerca de meia hora o que fazia advinhar que o jogo poderia vir a demorar umas 3 horas. Não havia grande problema pois estavamos-nos a divertir e a apreciar o jogo.

Todos tentámos desde a 1ª ronda potenciar o nosso jogo utilizando o arquitecto e comprando edifícios. Eu controlei o jogo todo os votos no parlamento, decidindo quais as leis que iam passar, e ganhando sempre os 5 pontos das duas primeiras leis. O Marcelo e o Hélio com bons edifícios, apostaram mais no envio de mercadorias utilizando os barcos que estavam próximos de partir, sendo que o Marcelo enviou mais vezes rum ou cigarros e o Hélio apenas os produtos como tabaco, citrinos e o açucar. O David pareceu-me que dispersou um pouco tendo obtido os seus pontos de uma forma mais distribuida.

No final, foi um jogo muito dispustado e equilibrado, tendo o Hélio feito 72 pontos o que foi suficente para me ganhar a mim e ao Marcelo que fizemos ambos 71 pontos, sendo que o David começou pior mas foi claramente recuperando ao longo do jogo para terminar com 59 pontos (ver imagem abaixo do final do jogo)

Quanto ao tempo de jogo, foi mais rápido do que esperava, em especial depois do tempo que demorou a primeira ronda. No final, demorou pouco mais do que 1h30m o que significa que se fizeram as últimas 5 rondas em cerca de 1h. Acredito que se todos souberem jogar e sem muito AP, se consegue jogar este jogo em menos de 1h30m, o que para o que jogo nos oferece me parece bastante bom.

Cuba, com um bom grafismo e excelentes componentes aliados a um jogo sólido. significa para mim que é um jogo a repetir!