Computers arrived: the end of chess, and the near-end of Go.

Retrato de Yes Master

Uma interessante entrevista ao russo Alexander Morozevich, Grandmaster de xadrez e 6-K no Go, que aborda questões pertinentes como o aparecimento dos computadores e a sua influência direta para o fim do jogo do xadrez e para o fim anunciado do Go, ou o recurso ao doping e a supra capacidade dos atuais computadores (como por exemplo, o AlphaGo).

Claro que não se trata de um fim em sentido literal, mas sim, quanto à capacidade de o Homem poder alguma vez mais dominar e vencer em qualquer um destes jogos, sempre que o adversário for um computador.

Vale a pena ler e compreender as consequências diretas da evolução da máquina (computador) em jogos milenares, e ainda, e sempre, tão valorizados na nossa comunidade, como são o xadrez e, porventura, com maior popularidade, o Go.

Aqui está o link:

https://chess24.com/en/read/news/morozevich-on-go-computers-and-cheating

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É interessante ver/ler

É interessante ver/ler opiniões sobre assuntos que não dominamos e perceber que há mudanças e desenvolvimentos que têm implicações e afectam aspectos que pessoalmente eu não daria valor. Não jogo xadrez, nem Go, tanto menos conheço o mundo da competição nestes jogos.

Compreendo a preocupação, nomeadamente no dopping/cheatting, mas não será dramatismo a mais?

A competição entre homens e máquinas nunca poderá existir de forma justa (do meu ponto de vista) - são máquinas diferentes...

E por haver máquinas mais capazes num determinado jogo, isso implica directamente o declínio desse jogo entre os jogadores? Quem jogava xadrez, deixou de jogar xadrez após haver um computador ganhador? Foi essa a razão para deixarem de jogar?

Eu vejo a coisa de outra perspectiva, criaram-se máquinas mais rápidas e mais fortes que qualquer ser humano, mas ainda assim os Jogos Olímpicos realizam-se de 4 em 4 anos e com todo o seu esplendor, e continuam a ser "a referência".

Como disse não estou metido nesse mundo, e a minha opinião vale o que vale, mas o eventual declínio da prática de jogos milenares não terá mais a ver com o rodar de gerações? O aparecimento de outros tipos de interess vídeo-jogos, tablets, ou mesmo os Jogos de Tabuleiro Modernos...

Não serão os novos jogos de tabuleiro que estão a "matar" os seus ancestrais? confused

Como comecei por dizer, leitura interessante, obrigado pela partilha ;-)

Ok, here´s my take on the matter

(As considerações seguintes são apenas referentes ao xadrez mas imagino que sejam decalcáveis para o Go, porventura com efeitos ainda mais dramáticos) 

"Compreendo a preocupação, nomeadamente no dopping/cheatting, mas não será dramatismo a mais?"

Não, a nível de torneios com dezenas de milhares de dólares de prémios, é uma questão grave.

Hoje em dia, qualquer smartphone joga de igual para igual com os mais fortes mestres (ou até vence), pelo que tem sido um imperativo fazer com que estes aparelhos não entrem nas salas de jogo (detetores de metais, revistas impostas pelo árbitro, etc).

Não basta os aparelhos estarem desligados porque podem ser utilizados no WC, por isso existe esse impedimento à entrada...Mas já houve quem os tivesse previamente escondido atrás do autoclismo, para poder depois consultar o aparelho durante as partidas!...

Também já houve quem transmitisse os lances para um cúmplice no exterior da sala, através de toques de dedos dos pés num tlm escondido nuns ténis...Em momentos de duvida chave, o cúmplice aparecia na sala e, por simples gestos faciais combinados, fornecia indicação a seguir ao jogador no tabuleiro.

Este problema também se punha quando os jogos eram transmitidos em tempo real pela net, pelo que, atualmente e por norma, os jogos são transmitidos com um delay de meia hora.

Obviamente que o uso de quaisquer chapéus, gorros ou lenços que possam esconder possíveis auriculares são terminantemente proibidos, a não ser quando os torneios se disputam em países islamicos onde é obrigatório o Hijab nas mulheres...nesses casos, os patrocínios que existem nesses países falam mais forte que as bem intencionadas regras...  

"E por haver máquinas mais capazes num determinado jogo, isso implica directamente o declínio desse jogo entre os jogadores? Quem jogava xadrez, deixou de jogar xadrez após haver um computador ganhador? Foi essa a razão para deixarem de jogar?"

Obviamente que a disputa de um jogo entre dois humanos, sem a interferência possível de qualquer dispositivo, não sofreu aparentemente qualquer alteração, no entanto...houve algo que se perdeu:

- Em xadrez (e imagino ainda mais no Go), cada jogador tenta sempre encontrar a "verdade última" da posição ou do jogo e, antes do advento das máquinas, essa "verdade" poderia ser atingida, ainda que virtualmente, isto é, até que alguém provasse que determinada abertura ou variante estava errada, era essa verdade que permanecia... e isso podia demorar décadas!

Hoje em dia, essa "verdade" pode não durar 30 segundos...perdeu-se o encanto, perdeu-se a magia. O campeão do mundo já não detém os últimos mistérios do jogo, em determinado momento, esses mistérios estão agora depositados em memórias de silicone...  

Este factor contribuiu para a quebra de fascínio social que o jogo detinha, associado à estratégia, ao planeamento, à inteligência, ao sucesso, etc 

"o eventual declínio da prática de jogos milenares não terá mais a ver com o rodar de gerações? O aparecimento de outros tipos de interess vídeo-jogos, tablets, ou mesmo os Jogos de Tabuleiro Modernos..."

Em parte sim mas, por outro lado, não...Nunca se jogou tanto xadrez a nível global, quer quantitativamente nem qualitativamente, contudo, os interesses das pessoas e dos jovens são hoje em dia (de forma geral) menos perenes e mais voláteis, pelo que, se por um lado mais gente adere ao jogo, por outro lado mais gente fica também menos tempo ligado a ele, sem que aprofunde a sua prática. 

"Não serão os novos jogos de tabuleiro que estão a "matar" os seus ancestrais?"

Não me parece porque, para além do que antes referi, entre os jogadores de boardgames apenas uma escassa minoria teve previamente contacto sério com os ancestrais, isto é, se não jogassem boardgames também não jogavam os outros.

Eu sou uma exceção a essa regra (embora vá voltar esporadicamente ao xadrez) mas, para compensar, "corro o risco" de levar um ou dois boargamers para o xadrez ;-)

A vingança dos humanos

A resposta dos humanos parece-me óbvia: chess boxing.