Paleio de Guico - Jogabilidade

Retrato de Mallgur


Jogabilidade... hã?
a 2009-12-17 por Mallgur

Sim, eu sei que a palavra "jogabilidade" não existe. Mais uma razão para tentar explicar o seu significado, certo?

Uma das formas de analisar palavras em busca do seu significado é estudar a origem das mesmas, a sua evolução histórica, naquilo que é tecnicamente conhecido por etimologia.

Então como nasce esta palavra "jogabilidade" no meu vocabulário?

Nos bons, velhos e idos tempos do ZX Spectrum, na perdida década de 80 do sec. XX, existia uma série de publicações dedicadas aos jogos que se podiam jogar com esse pequeno mas revolucionário aparelho, que deu verdadeiro significado ao termo "Computador Pessoal". Em algumas dessas publicações começaram a surgir termos para definir coisas para as quais não existiam ainda palavras.
Eu era um ávido leitor da Your Sinclair e aí usava-se o termo playability para definir até que ponto um jogo era "jogável".
Pode parecer estranho considerar que os jogos são mais ou menos "jogáveis", afinal um jogo "injogável" não será certamente um jogo, mas no ambiente dos jogos para o ZX Spectrum isso fazia todo o sentido. Há que recordar (ou informar os mais novos) que carregar um jogo para o computador implicava vários minutos de leitura de uma cassete áudio e que, não raras vezes, o processo corria mal e era interrompido obrigando a nova tentativa. Assim, este termo playability procurava quantificar até que ponto valia a pena esperar que o jogo carregasse, ou tentar várias vezes até o conseguir. Por vezes os jogos até eram bonitos ou inovadores mas tentar jogá-los num teclado podia ser um desperdício de tempo, ou o seu funcionamento podia ser pouco fiável ou até podia suceder que o jogo simplesmente não fosse interessante o suficiente.

Portanto ao falar de jogos de tabuleiro o que tento transmitir ao falar da "jogabilidade" de um jogo?

Normalmente falo acerca do interesse que um jogo me desperta para o jogar várias vezes. Das condições ou grupo que são necessários para o jogar... Enfim, tudo o que pode influenciar a experiência de jogo, excluindo as mecânicas internas, os seus componentes ou outras coisas que lhe são inerentes.

Entra neste aspecto quase tudo, daí que seja difícil de definir. Daí que recorra a uma palavra que não existe e que na realidade não tem significado. É, verdadeiramente, paleio de "guico".

Neste ponto posso estar a falar do número de jogadores, do tamanho da mesa necessário, da dificuldade, da duração, da complexidade, da adequação ou não a grupos e jogadores iniciados, da originalidade do jogo perante outros que constem na colecção e assim por diante...

Sendo um conceito tão vago e difuso, talvez não o devesse focar nas críticas a jogos. Talvez fosse mais simples inserir estes aspectos nas conclusões ou no resumo geral do jogo. É por existirem tantos "talvez" e tanta indefinição neste ponto que o mesmo não tem qualquer tipo de avaliação quantitativa nas minhas críticas. Ao falar neste aspecto procuro esclarecer o que pretendo que o mesmo signifique caso a caso, porque nem sempre é o mesmo.

Opções de visualização dos comentários

Seleccione a sua forma preferida de visualização de comentários e clique "Gravar configuração" para activar as suas alterações.

Comentários à época

H3 { margin-bottom: 0.21cm; }H3.western { }H3.cjk { font-family: "Droid Sans"; }H3.ctl { font-family: "Lohit Hindi"; }P { margin-bottom: 0.21cm; }P.western { }A:link { }

abruk disse:

Boas!

Antes de mais parabéns pelo paleio. Depois gostaria de dizer, que a mim parece-me que quem procura informações sobre um jogo, procura-a, numa primeira análise, em forma opiniões quantitativas, para a partir desse momento decidir se deve avançar ou não para uma pesquisa mais qualitativa e aprofundada. Por isso quer um tipo, quer o outro têm a sua pertinência.

Obrigado pelo momento nostálgico ZX Spectrum +2!... Já agora exemplo de melhor rácio de jogabilidade era: Chuckie Egg, não achas?

17 Dezembro 2009 - 07:22

 

tmgd disse:

Estou de acordo com o conceito vago e difuso que é a jogabilidade; por exemplo: não há dúvida que um bom jogo (que tem tudo para nós gostarmos) quando jogado com as pessoas erradas, no local errado ou num momento em que não estejamos com a disposição para aquele tipo de jogo, poderá tornar-se uma "seca", assim como um jogo menos bom, pode tornar-se uma agradável experiência se jogado com as pessoas certas, no momento certo...

Quanto à jogabilidade no Spectrum: Chuckie Egg, Bomb Jack, Commando, Bruce Lee, Ms Pacman, Tapper, Glug Glug, e tantos tantos tantos outros...

17 Dezembro 2009 - 10:17

 

costa disse:

E ainda estes... Manic Miner, Jet Set Willy, Commando, Match Day, Match Point, Way of the Exploding Fist, Chronos, Jet Pack, Moon Patrol, Arkanoid, Laser Squad...

17 Dezembro 2009 - 11:21

 

Asur disse:

É a componente mais importante de um jogo, a seguir à qualidade.

Depende do jogo, do meu grupo, da minha colecção. É um jogo que vai à mesa? Frequentemente? É diferente dos outros que tenho? Se um jogo da minha colecção não for jogado, sai porta fora, por muito bom que até seja.

Por isso é que estou sempre a olhar para o número de partidas de cada jogo que tenho. Se algum estiver em falta, a la "Chicken's Run", corre o risco de ficar sem cabeça.

17 Dezembro 2009 - 14:19

 

Tereso disse:

Agora percebo porque é que o meu primo (50 anos) fazia aquela cara de chateado quando lhe pedia para jogar no Spectrum dele. Ia fechar-se no quarto montes de tempo a preparar o jogo e depois voltava ainda mais chateado. Eu jogava Arkanoid e cinco minutos depois já estava farto...

E quanto a rejogabilidade? Vamos ler sobre isso em breve?

17 Dezembro 2009 - 17:34

 

Rick Danger disse:

Também me lembro dessas revistas dos tempos em que a jogabilidade era a coisa mais importante para um jogo de computador. Não acho que seja um conceito assim tão vago, "jogabilidade" tem entrada na Wikipedia e o conceito mais abrangente de "usabilidade" já consta nos dicionários e não apenas nos livros de design e ergonomia. Como não deve ser focado nas críticas a jogos?

18 Dezembro 2009 - 16:22

 

Mallgur disse:

Obrigado pelos comentários.

@abruk: Claro que as formas quantitativas são interessantes. Eu prefiro não as usar muito em questões onde é difícil estabelecer uma definição para o que é quantificado. Coisas de gajo ligado às engenharias...

@Tereso: A "rejogabilidade" está quase sempre focada no parágrafo da "jogabilidade". Neste caso a definição é quase recursiva... coisa mesmo muito geek!

@haroldun: Duas dúvidas a essa máxima. 1 - O universo tem regras? 2 - Se tem, quem nos garante que não se trata mesmo de um jogo?

@Rick Danger: A entrada na Wikipedia não faz com que seja uma palavra integrante da língua. Mesmo o termo inglês "playability" não é ainda oficialmente uma palavra. Quanto a ser focado, é. Eu disse "talvez"... hehe.

19 Dezembro 2009 - 11:47

 

Rick Danger disse:

Sim, mas já faltou mais para ser uma palavra reconhecida, sendo que é simplesmente um domínio específico da usabilidade e, nesse ãmbito, poderias ter criticado ou elogiado alguns jogos ou mesmo algumas editoras.

19 Dezembro 2009 - 13:36

 

haroldun disse:

Caro Mallgur, desde já desculpa se o meu comentário foi um bocado seco. Ultimamente os jogos também têm sido um bocado 'secos'. Talvez 'injogáveis', segundo a tua definição. E eu compreendi o que querias dizer, ou talvez não!. Por exemplo, um World in Flames, que é um wargame gigantesco, em tudo, e leva alguns meses a ser jogado: se calhar, para a maioria de vocês não é 'jogável, mas para mim é. No entanto, aceito perfeitamente a tua definição no caso de jogos para computador e afins.

Quanto ao Universo, esse tem regras que vamos descobrindo aos poucos (talvez isto tb seja um jogo). E quando descobrirmos as regras todas não vamso querer, nem poder, jogar ao 'Universo' porque acabou. Enfim ... absurdo e não ligues!

Um feliz natal e um bom ano novo.

20 Dezembro 2009 - 23:39

 

Tereso disse:

Consegui perceber a parte do Feliz Natal e do Ano novo... :p

21 Dezembro 2009 - 15:35

 

Mallgur disse:

Boas, haroldun. No worries. Não achei nada seco... até achei piada à parte filosófica da coisa. Daí ter questionado para movimentar um pouco mais o pensamento.

22 Dezembro 2009 - 01:23

 

Rui Conde disse:

Não estou mto interessado em saber se Playability/Jogabilidade, são ou n são palavras reconhecidas, isso tem para mim a mesma relavancia q palavras como Baril e Bué, para mim importante é saber o q significam e nesse aspecto, Playability/Jogabilidade, existem e sendo +/- quantificaveis, são a meu ver, do mais importante num jogo e em seguida, agarro na tirada do Tereso, Replayability/Rejogabilidade, qtas vezes vamos jogar o jogo???

04 Fevereiro 2010 - 15:20

 

_
"[...] a period when games were complex in your brain, instead of on the board."
tommynomad