Retiro RPG, Dezembro 2009

Na continuidade do que já tem feito em anos anteriores, o Sr. João Mendes organizou mais um “Retiro de RPG” (como tem vindo a ser chamado no nosso grupo de jogo), que consiste em dedicar uma semana para sair de Lisboa e jogar RPG. Aproveitando os feriados de Dezembro conseguimos fazer isto entre o dia 27 de Novembro e 8 de Dezembro.

Este ano foi um bocado mais confuso em termos de comparências, porque houve alguma flutuação de pessoal a entrar e a sair mas ainda assim conseguimos ter, na altura em que estávamos todos, 7 pessoas à volta da mesa.

Tivemos um óptimo ritmo de jogo, conseguindo fazer três sessões de jogo por dia, tirando uma ou outra ocasião onde só deu para fazer duas.

Quando tiver tempo irei fazer um AP mais detalhado de alguns jogos que participei, mas entretanto deixo um pequeno rescaldo das sessões e do que jogámos.

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My Life With Master: Arco de 4 sessões.

GM: Eu

Jogadores: 2

Fizemos um pequeno arco de 3 sessões de jogo mais criação de personagens. Foi o meu segundo contacto com o jogo, embora o primeiro como GM.

My Life With Master é um jogo que segue um estilo de horror muito ligado a histórias como Dr. Frankstein e Drácula, onde os jogadores interpretam os minions (ou ajudantes) de um Master maléfico e destrutivo para a sociedade que o rodeia, que são obrigados a levar a cabo as suas ordens macabras até ao dia em que se revoltam contra ele.

A opinião final foi que correu bastante bem, com os jogadores e pessoas que não estavam a jogar mas tiveram a (in)felicidade de estarem a ouvir o decorrer das sessões, a contorcerem-se fisicamente com os eventos in-game que foram bastante fortes de amor, revolta, nojo, etc., como normalmente o jogo costuma proporcionar. Infelizmente não conseguiram matar o Mestre no fim e fugiram de uma populaça em fúria para nunca mais serem vistos.

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In A Wicked Age: 8 Capítulos

GM: Alternadamente JMendes, Eu, B0rg

Jogadores: Variando ao longo dos dias, mínimo 3 e máximo 6.

Este foi claramente a “estrela” do retiro, o último jogo do Vincent Baker (embora o core do jogo em si tenha sido desenvolvido pelo Clinto R. Nixon se não estou em erro). Jogámos todos os dias e foi do consenso geral que o jogo é uma grande moca e vamos tentar joga-lo mais regularmente.

O jogo foi criado para ser jogado numa sessão (chamada capítulos) com os personagens a serem criados na hora, com base num sistema de oráculos, um conjunto de quatro cartas (normais) tiradas à sorte que representam vários elementos de história como personagens, lugares, situações, etc. Com base nos elementos retirados do oráculo os jogadores criam os seus personagens e escolhem os seus interesses, que devem ser opostos aos interesses dos personagens dos outros jogadores, o GM faz o mesmo para os NPCs.

Depois de ser introduzida a primeira cena a sessão tende a convergir muito rapidamente para o seu clímax e de forma muito intensa, à medida que os vários personagens lutam pelos seus interesses e se atropelam, atacam, seduzem, enganam, amaldiçoam e outras maleitas que tais, umas às outras. No final de 8 capítulos surgiram algumas personagens e situações que vão ficar claramente para a história do nosso grupo de jogo.

No fim do capítulo é determinada qual a personagem que passa para o capítulo seguinte.

O universo de jogo é descrito como Sword And Sorcery em locais inspirados na Mesopotâmia e Suméria.

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Donjon: Arco de 9 sessões

GM: JMendes

Jogadores: 3

Um jogo de Dungeon Crawling clássico com truque, é o que diz na capa. Neste jogo os jogadores interpretam os membros de um party clássica de D&D, com a excepção que não existem classes e raças pré-definidas e grande parte das suas características são criadas pelos jogadores.

No decorrer das sessões, resolvem-se combates, desafios de habilidades, missões e todo o tipo de adversidades que um grupo de aventureiros está à espera de encontrar no seu dia-a-dia.

O truque está na possibilidade dos jogadores introduzirem factos para a história no decorrer do jogo, usando determinadas habilidade e obtendo sucessos em relação ao nível de dificuldade, sendo cada sucesso conta como um facto. O que introduz uma dinâmica bastante criativa e divertida ao jogo.

Jogámos um arco de 9 sessões onde libertámos minas infestadas de goblins, fechámos portais que invocavam criaturas malignas de outras dimensões, investigámos um culto de magos nas ruínas de uma cidade antiga e templos perdidos, culminando a acção num confronto final contra um Demónio-lobisomem.

Tivemos bastantes problemas em atinar com o sistema de magia e mudámos as características dos nossos personagens várias vezes até conseguirmos perceber como é que as mecânicas de jogo funcionavam, no fim tivemos que implementar algumas restrições e alterações às regras para conseguirmos obter um sistema de jogo que fosse equilibrado para todos e mesmo assim permitisse a combinação e criação de habilidades de forma criativa.

Gostei bastante do jogo e de explorar a história que criámos em conjunto, mas duvido que volte a pegar neste jogo tão cedo, apesar de não ser tão crunchy como D&D acho que ainda assim não é leve o suficiente para ser um jogo de Dungeon Crawling que se pegue e comece a jogar sem grandes problemas, como é o caso do Storming The Wizards Tower onde a interacção táctica/mecânica me pareceu mais leve e divertida de jogar.

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Poison’d: 3 sessões

GM: Eu

Jogadores: 3

O capitão Brimstone Jack da embarcação pirata The Dagger acaba de ser assassinado por um agente da coroa, Tom Reed. O assassino foi arrastado para o convés para ser julgado pela restante tripulação. Cabe agora aos jogadores decidir o destino de Tom Reed, votar entre eles para decidir quem será o novo capitão e rumo a seguir com a embarcação, ao mesmo tempo que lutam e prestam ajuda entre eles para cumprir as suas próprias ambições. Entretanto em Kingston Bay, o navio da coroa The Resolute levanta âncora e lança-se em perseguição dos piratas.

Apenas tivemos tempo para uma sessão de criação de personagens e duas sessões de jogo, onde explorámos várias mecânicas e situações de jogo, como caças a navios mercantes, abordagens, lutas internas de poder, negócios com o diabo (sim O Diabo), combates e um assalto final à fortaleza do governador. Não consegui ter um feeling muito concreto em relação a este jogo, mas espero conseguir explorá-lo numa outra oportunidade e ver onde vai dar.

Sendo este um jogo de piratas que tenta retratar a violência do seu modo de vida e as suas superstições, tipicamente as cenas envolvem violência física, tortura, violações, enganos, maldições, onde os jogadores tentam ganhar vantagens (uma das mecânicas principais do jogo) antes de desancarem o que quer que seja que lhes apareça à frente.

Foram umas sessões engraçadas e violentas (em termos de ficção de jogo). A experimentar em maior profundidade de futuro

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No geral o retiro foi um sucesso, conseguimos manter um bom ritmo de jogo e experimentamos muitas coisas que nunca tínhamos tido a hipótese de jogar (sendo esse o objectivo da coisa), tendo todos ficado bastante satisfeitos com as sessões jogadas e o decorrer geral desta última semana e meia.

Para o ano há mais.

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My Life With Master

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o regresso da Red Piss

Ganda jogatina, sim senhor Happy O JMendes e o B0rg é que já não dizem qualquer coisa por aqui há bastante tempo Ashamed

RedPissLegion escreveu:

Infelizmente não conseguiram matar o Mestre no fim e fugiram de uma populaça em fúria para nunca mais serem vistos.

Já há algum tempo que não mestro MLWM, mas o Mestre não tem que morrer sempre? O scene framing volta sempre ao confronto com ele até este morrer - é assim que o jogo pode terminar e seguir para os epílogos conforme os valores com que as personagens ficarem após a sua morte (uma das hipóteses é mesmo substituir o Mestre). Não há aí qualquer dúvida nas regras? Viste a errata?

Estou a ver que também és fã do senhor Baker Thumbs Up O In a Wicked Age parece especialmente interessante, especialmente na forma como se geram uma série de personagens que vão rodando pelos jogadores ao longo da campanha, no uso de advérbios para a construção das mesmas e da ideia muito bem executada dos Oráculos (mas isso já nós sabemos que ele escreve bem).

 

Andam ambos com vidas muito

Andam ambos com vidas muito ocupadas, entre jogos e RL hehe.

Não conseguirão matar o mestre porque sempre que falhavam o roll, a Weariness deles aumentava, o que diminuía o número de dados que tinham para o roll seguinte de matar o mestre, a determinada altura já nem valia a pena rolar 2d4 contra os meus 12. Mas vou postar um AP dessa situação na Forge e ver se nos falhou alguma coisa.

Sim o Baker está a tornar-se rapidamente num dos meus designers favoritos (já tinha começado com o Dogs In The Vineyard). Estou a pensar levar o In A Wicked Age para Leiria, se passares por lá podemos jogar, o Mariano também já se mostrou interessado, mais um e ficava impecável.

"the drunks of the Red-Piss Legion refuse to be vanquished"

Rick Danger escreveu: Já

Rick Danger escreveu:

Já há algum tempo que não mestro MLWM, mas o Mestre não tem que morrer sempre? O scene framing volta sempre ao confronto com ele até este morrer - é assim que o jogo pode terminar e seguir para os epílogos conforme os valores com que as personagens ficarem após a sua morte (uma das hipóteses é mesmo substituir o Mestre). Não há aí qualquer dúvida nas regras? Viste a errata?

Postei o AP na Forge (o link está no fim da entrada no blogue) e já tive algumas respostas interessantes em relação a isto.

Pelo que me parece quando são apenas dois jogadores, a pool de dados de ajuda é menor. Para eles conseguírem matar o Mestre têm que tentar continuar a aumentar o score de Love para ter um número de d4s mais considerável em relação aos lançados pelo Mestre.

Provavelmente com mais do que dois jogadores a tentar matar o Mestre, esta situação já não é tão crítica.

"the drunks of the Red-Piss Legion refuse to be vanquished"

matematicamente morre sempre

RedPissLegion escreveu:

Pelo que me parece quando são apenas dois jogadores, a pool de dados de ajuda é menor. Para eles conseguírem matar o Mestre têm que tentar continuar a aumentar o score de Love para ter um número de d4s mais considerável em relação aos lançados pelo Mestre.

Bom, basta um mau lançamento do Master para que ele morra enquanto cada minion pode ir sempre tentando nem que seja lançando só um dado (pools de 0 ou menos equivalem a um dado). O Master acaba por morrer e, se a Weariness estiver assim tão alta, aplica-se a primeira ou a segunda hipótese do Epílogo e pronto.

 

Roll ad nauseum

Sim, essa opção foi discutida num link que apareceu na resposta de um bacano da Forge, depois houve alguém que fez as contas e concluiu que a hipótese de um dado ganhar contra a pool do Mestre era qualquer coisa abaixo dos 1%... de maneira nenhuma nós iamos ficar a rolar dados até isso acontecer. O que até pode ser uma opção decente dependendo do pacing que se esteja a dar ao jogo, mas no nosso caso não só não era uma opção como sinceramente, em termos de ficção, era arrastar demasiado uma história que já estava acabada.

No fim acho que até nem fizemos as coisas mal, talvez podiamos ter morto o Mestre de qualquer maneira, apesar do roll não ter sido ganho pelos minions, mas deu uma história muito boa de qualquer maneira. Embora quando/se me encontra noutra situação igual, provavelmente vou sugerir aos jogadores que tenham (cada um) pelo menos mais uns 4 ou 5 pontos de Love a mais do que a pool do Mestre.

"the drunks of the Red-Piss Legion refuse to be vanquished"

é uma ligeira falha

RedPissLegion escreveu:

Sim, essa opção foi discutida num link que apareceu na resposta de um bacano da Forge, depois houve alguém que fez as contas e concluiu que a hipótese de um dado ganhar contra a pool do Mestre era qualquer coisa abaixo dos 1%... de maneira nenhuma nós iamos ficar a rolar dados até isso acontecer.

A partir de certa altura, a quantidade de Weariness acumulada deixa de ser revelante em termos de epílogo. Até certo ponto, interessa saber se se aplica a primeira hipótese. A seguir, intessa saber se também se pode aplicar a segunda. A partir disso, vamos pressupõr que cada minion tem não-sei-quantos-milhões de Weariness, o Master morre e cada minion narra o seu epílogo. É uma possível falha do sistema, mas não é muito grave. O único problema é que já não se sabe quantas cenas há para fazer até o Master enfim morrer. Aí, suponho que se pode ir jogando até mais ninguém querer fazer alguma coisa e aceitar os stats conforme estão. Say yes or roll the dice :)

 

Hopping to the "naked social contract"

Sim, foi o que o nós fizemos hehe.

Já agora, vai uma "onda" de MLWM? ;p

"the drunks of the Red-Piss Legion refuse to be vanquished"

I'm in, my Master!

Eu alinhava na boa.

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Bravo!

Bela maneira de passar uma semana de férias de Natal!

Mas vocês não enjoam? :P

Mesmo alternando entre jogos, passar sete dias a fazer três sessões por dia... é preciso estômago! :)

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"D&D" http://jrc589.googlepages.com/

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"D&D" http://grou.ps/silverymoon

Na verdade foram 9 dias a

Na verdade foram 9 dias a fazer três sessões e mais um dia (o primeiro sábado) onde fizemos só uma hehe.

Como são jogos muito diferentes entre si o pessoal não enjoa, o que pode acontecer é enjoar-mos de um jogo em particular, nesse caso tentamos perceber a origem do "enjoo" (se é alguma coisa que se esteja a fazer mal, ou se é do jogo em si, etc.) e discutir o assunto, se chegamos à conclusão que o jogo não está a dar para nós (como já aconteceu), metemos de lado e sacamos outro. Sim, porque apesar de apenas termos jogado quatro jogos diferentes, levámos para ai uns 5/6.

Além disso, estávamos em Chinicato, no Algarver... que mais é que há para fazer...

"the drunks of the Red-Piss Legion refuse to be vanquished"

Mas isto está estagnado?

Não há rpg's novos dignos de nota na cena indie? É preciso jogar coisas com mais de 3 anos?

De resto, muita pena por não ter ido. Esses encontros são sempre brutais. E pena também por não ter conseguido mandar-vos as minhas coisas...

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Visitem o Ideonauta, um blog sobre roleplay!

Não te metas comigo, camarada; tenho n avisos à navegação, alguns deles em público, e não tenho medo de os usar.

A escrever: down*town, tech-noir rpg
Proto Agonístes um rpg de auto-descoberta, de um personagem e vários jogador

O In A Wicked Age é

O In A Wicked Age é recente heh.

Também já não ando tão atento às novidades como estava à uns tempos, de qualquer forma como havia pessoal no grupo que pouco ou nada conhecia de RPGs, ou conhecia D&D.

Também o facto de haver a pessoal a chegar e a sair em alturas diferentes, não deu para fazer grandes aventuras. Mountain Witch ficou mais uma vez pendurado, para grande pena minha, argh.

Se fores a Leiria 2010 podemos experimentar os teus jogos por lá.

"the drunks of the Red-Piss Legion refuse to be vanquished"