Another Brick In The Wall (MLWM)

A noite cai sobre a pequena vila algures na Europa do leste.

Tudo está silencioso, em 1805 a vida acaba quando a noite começa.

Nesta vila havia uma crença ridícula, se alguém tomasse a decisão louca de desafiar o domínio da noite seria arrastado para uma cave escura por criaturas tenebrosas, um local cheio de objectos estranhos, grandes placas pretas onde se escrevem caracteres com pequenos paus brancos, onde lhes era berrado e martelado no cérebro conceitos relativos à organização da estrutura sócio-economico-religiosa das civilizações e como isso se reflectia na história da humanidade como um todo.

O ridículo desta crença não era o facto de referenciar a existência de uma criatura insana e determinada em ensinar pessoas, nem os supostos sorrisos malignos que surgiam em algumas cavernas espalhadas pelas redondezas da vila sempre que supostamente desaparecia alguém da vila, ou sequer o facto de camponeses em 1805, que sempre viveram no campo a plantar batatas, consigam dizer “organização da estrutura sócio-economico-religiosa das civilizações” aos seus companheiros de inchada. O verdadeiramente ridículo é a história ser verdade.

Numa propriedade um pouco mais afastada da vila havia uma propriedade privada, que por sua vez tinha uma escola, que por sua vez tinha uma passagem secreta para uma gigantesca rede de túneis que se espalhava… por uma grande quantidade de território, visto nunca ninguém se tenha dado ao trabalho de os verificar um a um. Nessas galerias subterrâneas um homem com um conhecimento tremendo sobre o mundo, ansiava por mais pessoas que vissem as coisas como ele as via, um mundo segundo uma nova ordem. Desejava ser respeitado e adorado pela sua visão.

Para cumprir o seu objectivo magnânimo colhia várias pessoas, especialmente crianças (mais influenciáveis) e praticava nelas os seus métodos de ensino, de modo a criar uma legião de crentes fervorosos. Tipicamente contra a vontade dos ditos crentes, estavam mais felizes a plantar batatas do que a discursar sobre… um grande conjunto de palavras que nem sabiam replicar.

Esta história, contudo, não é a dessas pessoas, embora tenham nela um papel minimamente importante, nem tão pouco do Mestre que as tentava ensinar, embora tenha nela um papel mais importante. Esta história é sobre um jardineiro, um mordomo e uma professora que trabalhavam com esse Mestre, uma pessoa que contemplavam com um misto de ódio visceral e rancor eterno. Este era, de um modo geral, considerado um homem sem qualquer consideração ou respeito pelos sentimentos dos outros.