Onde anda o Roleplay em Portugal?

No seguimento de um texto que publiquei tendo como base o D&D, e por sugestão do Ricardo Madeira, republico um excerto do mesmo aqui para abrir a discussão e ouvir opiniões. A questão é simples: Onde anda o roleplay em Portugal? Porque é que a comunidade de roleplayers Portugueses aparenta manifestar-se tão pouco?

Sérgio escreveu:
(...)

É um facto que D&D não é muito popular em Portugal comparativamente a outros hobbies, mas não é algo que esteja preparado para classificar como sendo extremamente raro. Acredito que tem o seu impacto, que existem grupos de jogadores por cá. No entanto, a sua expressão pública é muito fraca. Actualmente tendo nós acesso à Internet, como veículo de eleição para a propagação de comunidades, grupos, e fóruns de discussão, seria de esperar que existisse algum conteúdo sobre esta temática exclusivo ao que se passa aqui em Portugal. No entanto, pouco ou nada se encontra (pelo menos eu não encontro). Onde estão os fóruns de discussão activos? As colunas de opinião? Os diários de campanha?

Actualmente, o portal “Abre o Jogo” apresenta-se, claramente, como um centro nevrálgico da comunidade de roleplay em Portugal. É um esforço de louvar (estás de parabéns Ricardo), mas também há que ser realista e reconhecer que sabe a pouco. Com o intuito de agregar a comunidade Portuguesa de roleplaying games e de jogos de tabuleiro, é claro dentro daquele espaço, que os entusiastas dos jogos de tabuleiro se mobilizam muito mais do que roleplayers. Se repararem, apesar de centrar a questão em D&D (já que é aquele que me diz mais), podemos estender o problema ao roleplay em geral em Portugal. Onde estão os jogadores de Vampire? De Shadowrun? GURPS? Mutants and Masterminds? Qualquer outro sistema?

(...)

Existem pouquíssimos sites dedicados a esta temática. Mais uma vez, existe uma expressão muito fraca por parte dos roleplayers em Portugal numa actualidade onde as novas tecnologias tornam este tipo de “manifestação” em algo de trivial e de extremamente eficiente.

Não conto encontrar respostas sozinho. Muito menos espero levar este texto a uma conclusão elucidativa relativamente a esta questão. Prefiro, na verdade, lançar a pergunta a todos vós. Onde está toda esta comunidade? Escondida nalgum lugar onde ninguém a possa ver? Porque razão se manifesta tão pouco? Preguiça? Falta de motivação?

Onde anda o D&D (e no geral, o roleplay) em Portugal?

Gostava de saber a vossa opinião geral relativamente a este assunto.

---
Sérgio
Draconus Dictum - Roleplay, diários de campanha, comentários e não só.

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3 respostas rápidas

Sim, porque é que mesmo naquele que parece ser o maior e melhor portal para RPGs em Portugal existe pouca expressão dos roleplayers?

Julgo que, em primeiro lugar, somos poucos, mesmo poucos.

Em segundo lugar, muitos daqueles que jogam constituem uma ausência estatística, da qual já falei no meu blogue. 

Em terceiro lugar, o tema do RPG reúne menos conteúdo acessível a discussão do que qualquer outro hobbie. São muito mais as diferenças e os pontos de discórida do que os consensos e os pontos em comum. Fazer parte de uma comunidade de roleplay requer tolerãncia e capacidade de adoptar vários pontos de vista diferentes. Se já escrever num forum não é para toda a gente, ainda menos é neste caso. 

Mais achegas

- Ar dos tempos; mesmo lá fora os RPGs estão a perder terreno para os boardgames. Porquê? Talvez o efeito novidade dos boardgames alemães, talvez os RPGs tenham estagnado, talvez os hobbies sejam um bocadinho cíclicos. Afinal, os RPGs também "secaram" os Wargames e depois levaram um rombo enorme dos CCGs.

- Familiaridade; quase todas as pessoas sabem os princípios dos jogos de tabuleiro, que são tão velhos como a civilização. Quase ninguém percebe o princípio dos RPGs. Isso é uma enorme desvantagem à partida.

- Acessibilidade e flexibilidade; os RPGs assentam, normalmente, no conhecimento profundo de um determinado setting, na preparação prévia das aventuras e são jogados durante meses com o mesmo grupo de pessoas. Isso exige preparação, esforço, empenho e regularidade. A maioria dos boardgames pode aprender-se em 5-30 minutos e joga-se entre 20 minutos e 3 horas, com o mesmo grupo ou grupos diferentes, sem necessitar de muita preparação.

- Má aposta comercial; um RPG pode jogar-se com um livro, ou mesmo nenhum. O boardgame exige componentes, tabuleiros, regras, etc. Ou seja, os boardgames acabam por ser mais rentáveis do ponto de vista comercial e as empresas têm mais interesse na sua produção e divulgação. O próprio facto de serem mais imediatos permite que as pessoas possam comprar boardgames diversificados, enquanto que os roleplayers acabam muitas vezes por comprar só os suplementos de um único RPG.

- Auto-suficiência; um RPG é um mundo com o qual se estabelece uma ligação e investimento emocional. Esse mundo não precisa de ser jogado: para muitos basta comprar e ler os suplementos e inventar aventuras.

- Dispersão; o facto de haver tantos RPGs e tantos settings causa uma enorme dispersão, com cada jogador a ter o seu RPG favorito e, muitas vezes, ser a única pessoa do grupo a apreciá-lo. Isso gera também uma certa fragmentação da comunidade roleplayer. Porque, enquanto um boardgamer pode ter um jogo favorito e isso não inviabiliza que jogue e se interesse por outros boardgames, já um roleplayer, devido ao esforço que o seu hobby implica, ou se dedica ao seu setting ou tem de o pôr de lado, e, deste modo, acaba por ter mais dificuldade em estabelecer ligações e discussões com outros roleplayers que prefiram outros settings.

Outros elementos

O Ricardo levantou também a questão, pertinente, de RPGs tradicionais versus RPGs Online. Começo a aperceber-me que o que o Rick Danger diz é verdade. Somos mesmo muito poucos. Não há sangue novo a entrar no hobbie e aqueles que têm o minimo interesse preferem a comodidade dos jogos online. São mais bonitos, mais atraentes, e dão menos 'trabalho'. Tudo isso explica, de certa forma, porque é que não há um renovado interesse no género.

De qualquer forma, mesmo sendo poucos, estamos activos, certo? Isto é, há ainda quem jogue, quem tenha campanhas regulares seja de que sistema for. Compreendo a questão das ausências estatísticas, mas isso não faz 100% dos jogadores. Não faz sentido que assim seja. Porque é que não vemos mais dessas pessoas a mobilizarem-se neste tipo de ambiente? Ou será que o pouco que vemos acontecer aqui o Abre o Jogo é, de facto, o total do expectável da comunidade global de roleplayers activos Portugueses?

--- Sérgio Draconus Dictum - Roleplay, diários de campanha, comentários e não só.

Curiosamente, tenho

Curiosamente, tenho levantado uma questão parecida, que é a de que ultimamente o portal mais parece a versão tuga do BoardGameGeek, o que não é necessariamente mau, antes indicador da dura verdade que os camaradas de forum já apontaram.

O camarada Mariano teve um esforço, que infelizmente se revelou inglório, que foi o de espicaçar a rapaziada para a construção de um rpg para possível publicação. A minha ideia para isso foi uma aproximação aos card games, por ser um formato que é facilmente reconhecível por todos, pode vender-se em todo o lado, e bom, iria ao encontro do que já foi aqui apontado por vós. Infelizmente também o deixei para trás, por preguiça, crónica.

Que é se calhar o mal que temos todos; a malta dos boardgames facilmente vem para cá mandar o seu bitaite, reunem-se para jogar semanalmente, vão a Espanha dar porrada nos gajos, e são muito mais activos. Nós, remetemo-nos ao nosso cantinho, auto-ostracizamo-nos (isto existe?) e pensamos que temos um hobby que ninguém percebe, que é uma chatisse ensinar, que somos geeks e nerds e uma carrada de outros termos giros...

--~~--

To crush your enemies, to see them driven before you, and to hear the lamentations of their women.
-Noddy, Lord of Darkness

A escrever: down*town, tech-noir rpg
Proto Agonístes um rpg de auto-descoberta, de um personagem e vários jogador

Romeo, Romeo, where for art thou, Romeo?

Uma coisa é verdade, como já disse o Rick Danger, os Roleplayers do norte são na sua maioria alérgicos a forums. Consigo contar 6 que mais ou menos regularmente postam aqui: eu, Rick Danger, kabukiman, Aramoro. Warman e um que agora faz parte do grupo do Rick e do Palinhos, mas cujo nome me escapa.

Quantos RPers conheço no norte? Bom, para os muito activos conheço no minimo dez. Se puxar muito pela cabeça, e incluir gajos que jogaram comigo e gajos que gostavam de jogar e não têm tempo, consigo subir o numero para 30. Pessoas de quem ouvi falar e "iniciados" ausentes, erguem o numero para perto de 50.

Nada mau, hã? Então porque é que só cerca de uma décima parte posta? Porque como já disse, postar em forums é uma arte -- e um risco. A minha melhor amiga, e jogadora activa tem fobia a forums. A unica razão pela qual o Rick a consegue convencer a postar aqui é no forum privado do jogo de Requiem deles e só porque ela sabe que mais ninguém lê os posts dela tirando o GM e o outro jogador (acho mesmo que ela deixava de postar se soubesse que os Admnins conseguem ler os posts dela, mas adiante). Em forums expões as tuas ideias e opiniões, e expões uma parte talvez vulnerável, abres-te a criticas. Para bicharocos de casca grossa como eu, com muitos anos de forumisses, não faz diferença nenhuma e dou tanto como recebo, mas há gente que não se quer sujeitar a isso.

Depois, há aqueles que jogam para se divertir, escolhendo settings que preferem ou usando RP como forma de estar com os amigos (custa menos dinheiro que ir ás discotecas e chateias-te menos), mas que não estão para perder tempo a debater argumentos sobre teorias de jogo. Preocupam-se com as suas personagens, e o resto são cantigas.

Por fim, não existe quase divulgação nenhuma. Não existem revistas da especialidade onde possamos publicitar "Rpers unite". A informação passa-se por informação de boca. Durante muito tempo, eu andava caida nos forums oficiais dos meus jogos favoritos (white wolf, witchcraft, etc) e nem sabia da existência de forums nacionais. Por acaso descobri o forum portugues de Vampire... sem o qual, eu nunca teria descoberto o Abre o jogo (anteriormente O turno da Noite) porque o menino ricmadeira foi para lá publicitar-se.

Por isso, recapitulando:

Falta de Informação + Falta de Vontade de Escrever + Timidez para Escrever Em Publico = Nº reduzido de pessoas a postar.

É preciso coragem e conhecimento para escrever reviews - é sempre um risco que alguém aparece para me dizer "Mas que &%%/ estás prai a dizer? N sabes do que falas". Eu poucas escrevo porque quero conhecer o sistema por dentro e por fora para fazer as minhas GBUs. Preciso de saber os pontos fortes e os pontos fracos. Dissertar sobre teoria de jogo ainda é pior (por isso é que o evito como a praga). Fora isso, que há para falar? Discussão da mentalidade/personalidade de uma personagem? Isso só interessa aos jogadores ligados ao jogo aonde a personagem se insere e na maior parte das vezes, ninguem reaje\lê posts que estejam ligados a uma campanha específica a n ser os próprios participants.

Acaba por ser mais fácil falar de jogos de tabuleiro: joga-se uma vez, aprende-se o sistema, está-se à vontade para falar e discutir e fazer perguntas. Com muitos jogadores a jogar para estar com amigos ou para disfrutar de um setting, debates mais "teoricos" acabam por ser indiferentes ou pouco interessantes.

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http://www.abreojogo.com/files/rpgenia.jpg

Eu Escrevi Um RPG Numa Semana!

Para ir à raiz do problema

Para ir à raiz do problema penso que somos poucos, dispersados, nada regulares nas nossas sessoes e muito fechados nos nossos grupos pessoais.
Muitas campanhas morrem prematuramente e não se fala das mesmas, joga-se pouco seja porque a malta está a ficar mais velha e a vida real lá fora entranha-se no que adoramos fazer.
Depois se não se espalha o que gostamos é normal que o mesmo não seja conhecido, de cada vez que falo que jogo Dungeons & Dragons, a maioria das respostas de quem conhece (minimamente) o nome é logo que é de um jogo de computador (BaldursGate, Neverwinter) ou pasme-se um TCG ("Não é aquilo com cartas que se vê os putos a jogar").
Online conheço um forum dito de D&D em Portugal, mas que por ser tão pouco frequentado me fez ir procurar outros ares, aqui por exemplo encontro um nicho para ir pondo resumos da campanha (mesmo que estes nao sejam comentados... HINT! HINT!)
Para dar um exemplo do quão desligados e afastados estamos, foi preciso eu sair dos Olivais e ir morar para a Amadora, para num site descobrir que mesmo ao pé da zona onde eu morava (na Portela) há um DM novato em D&D que faz sessões e até gostava de falar mais do jogo e afins...

União precisa-se, eu falo da parte de D&D, mas claro que muita coisa aplica-se ao RPG em geral.

Uma questão de mentalidades?

Ou seja, resumindo e concluíndo, NMSO, é uma questão de mentalidade consubstanciada pela própria natureza do hobby.

Todos somos exemplos disso. O ricmadeira, no post original do spmb, no blog dele, falou do caso da demo de Vampire: The Requiem que corri, dia 31 de Março, onde apareceram apenas duas pessoas que queriam experimentar o jogo e uma delas foi arrastada para jogar pelo simples facto de que se encontrava na loja. A falta de adesão entusiasta não foi para mim o facto evidente pois a pouca publicidade que se fez (no site e na loja) e os ânimos contidos que o Vampire provoca depois do seu "remake" é que levaram a isso. O problema é que depois de jogarmos e não conseguirmos acabar a história existem poucas probabilidades de mantermos este grupo de jogo ou de espontâneamente se ter adquirido mais 3 jogadores de RPG (ou deste RPG em particular). Eu por exemplo, já tenho um grupo de pessoas com quem jogo (ou porque partilham do meu gosto específico, ou me estão perto e são familiares) e tenho tempo de qualidade limitado. Os outros, sem motivação externa (minha ou de outros entusiastas que conheçam), difícilmente pegarão num livro e recrutam um grupo de jogadores. E isto deve-se somente aos jogadores? Não, é a natureza privada, auto-suficiente e exigente do hobby que o origina.

Existem vários casos como este em que é o próprio hobby que cria e fomenta dificuldades para a sua propagação. E o hobby providencia tantas dificuldades como facilidades, alguma delas já enumeradas aqui.

Existem duas soluções: ou se muda a mentalidade consubstanciada pelo hobby para que este se torne mais divulgado, mais acessível e mais jogado (apesar do que já existe) ou se mudam os veículos do hobby (os jogos) para impulsionarem uma mudança de mentalidade. Como a segunda é extremamente difícil em Portugal pelas dificuldades em se criarem/publicarem jogos de RPG resta-nos a primeira.

A ideia consensual é que só a formação/educação pode mudar mentalidades. Uma mensagem informativa e construtiva diferente daquela que tem sido transmitida até hoje tem que ser passada. De que este é um hobby estimulante, social e criativo cujo custo é barato e as possibilidades de entretenimento são enormes. E temos que mostrar que todas as palavras-chave desta última frase são efectivamente verdade, cada uma delas. Ensinar e formar, incluir e propagar.

Hmmm... E como raio vamos fazer isto? :D 

"Se alguma vez sou coerente, é apenas como incoerência saída da incoerência." Fernando Pessoa

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E que tal se...

jrmariano escreveu:

A ideia consensual é que só a formação/educação pode mudar mentalidades. Uma mensagem informativa e construtiva diferente daquela que tem sido transmitida até hoje tem que ser passada. De que este é um hobby estimulante, social e criativo cujo custo é barato e as possibilidades de entretenimento são enormes. E temos que mostrar que todas as palavras-chave desta última frase são efectivamente verdade, cada uma delas. Ensinar e formar, incluir e propagar.

Isso não passará, talvez, por uma maior exteriorização daquilo que, de facto, consiste o fenómeno de roleplay? Muito foi falado aqui sobre a discussão de elementos de sistemas regras e por ai fora. Tudo isso é relevante, mas algo volátil quando estamos a tratar de sistemas flexíveis e que deixam muito em aberto para o gosto de quem o joga. Já para não dizer que são discussões, à partida, complexas.

Coloquem-se na posição de um indíviduo que não percebe nada do assunto e caí "misticamente" aqui no meio do "Abre o Jogo". Acham mesmo que discussões de regras e técnicas bastam para o estimular? São úteis, claro, mas à partida estamos a falar de alguém que não conhece nada sobre o hobbie. E começar a construir uma casa pelo telhado não é, obviamente, a melhor solução.

Sou jogador regular de D&D, como sabem, e esse é o meu domínio. Conheço outros sistemas, mas gostava de os experimentar mais a fundo, só não o tenho feito porque há sempre colisões com as minhas sessões habituais. Então como é que eu conheço os sistemas?
Pelas regras, claro. Pelos rulebooks que consulto.
Mas não devia ser assim. Eu devia conhecer os sistemas, o hobbie, pelo real conteúdo. Por aquilo que acontece em cada sessão, pelo resultado final de todas essas regras e sistemas que perdemos o tempo a discutir. E o acesso a esse tipo de conteúdo é rarissimo.

Como é que se divulga o hobbie e se dá a conhecer o que ele tem de bom? Que tal começar por divulgar aquilo que é passível de ser realmente interessante para a pessoa "comum"? Ninguém quer saber de livros enormes de regras que regulam algo que não compreendem à partida. No entanto, as pessoas estão muito mais abertas a ler/ouvir uma boa história.

Não acham?

--- Sérgio Draconus Dictum - Roleplay, diários de campanha, comentários e não só.

smpb escreveu:

smpb escreveu:
Como é que se divulga o hobbie e se dá a conhecer o que ele tem de bom? Que tal começar por divulgar aquilo que é passível de ser realmente interessante para a pessoa "comum"? Ninguém quer saber de livros enormes de regras que regulam algo que não compreendem à partida. No entanto, as pessoas estão muito mais abertas a ler/ouvir uma boa história.

Não acham?

Acho, acho. A questão é, se o objectivo é só "ler/ouvir uma boa história" é muito mais fácil/cómodo/prático/barato/eficiente comprar um bilhete de cinema ou comprar um livro ou requisitá-lo na biblioteca municipal ou jogar um videojogo ou contar anedotas com os amigos ou ver televisão ou ir ao teatro, etc.

Porque o facto é: se o objectivo é apenas de consumir uma história, então os RPGs têm a pior relação investimento/esforço/tempo/recompensa que se possa imaginar (entre comprar manual, ler manual, escrever aventura, criar personagens, marcar encontros, jogar a história toda, etc.).

Para a maioria das pessoas que só quer "passar o tempo" e "conviver com os amigos" é um investimento inútil.

Só para aqueles que se entusiasmam com determinada história/personagem/setting/ambiente e se põem logo a imaginar diferentes possibilidades narrativas para o mesmo é que os RPGs fazem sentido.

Certo. Mas...

neonaeon escreveu:
Porque o facto é: se o objectivo é apenas de consumir uma história, então os RPGs têm a pior relação investimento/esforço/tempo/recompensa que se possa imaginar (entre comprar manual, ler manual, escrever aventura, criar personagens, marcar encontros, jogar a história toda, etc.).

Obviamente, concordo. Mas estava a referir o factor de "consumo" de uma história meramente como elemento introdutório. De divulgação. É algo mais agradável e acessível do que começar logo com regras e restricções. O importante é passar a noção de que há uma história e que essa história não é estática. É de construcção interactiva.
O "como" da questão é que, inicialmente, pode ser deixado para segundo plano.

neonaeon escreveu:
Só para aqueles que se entusiasmam com determinada história/personagem/setting/ambiente e se põem logo a imaginar diferentes possibilidades narrativas para o mesmo é que os RPGs fazem sentido.

Mas em geral essas são as pessoas que já conhecem RPGs e, provavelmente, os jogam. O importante aqui é despertar, criar, esse gosto e interesse em pessoas que à partida não sabem que o têm. Dai o facto de eu enfatisar que é importante dar mais relevância aos aspectos de construção de uma história do que de regras.

--- Sérgio Draconus Dictum - Roleplay, diários de campanha, comentários e não só.

smpb escreveu: Mas em

smpb escreveu:
Mas em geral essas são as pessoas que já conhecem RPGs e, provavelmente, os jogam. O importante aqui é despertar, criar, esse gosto e interesse em pessoas que à partida não sabem que o têm. Dai o facto de eu enfatisar que é importante dar mais relevância aos aspectos de construção de uma história do que de regras.

Pois, mas outra questão é se essas pessoas terão a energia e motivação para continuar a jogar por si, sem serem incentivadas, coisa que eu duvido.
Eu, por exemplo, já joguei com várias pessoas, a maioria gostava de jogar e alguns até se entusiasmavam e falavam em comprar o manual. Mas a partir do momento em que eu não deixava de mestrar, as pessoas simplesmente desligavam-se dos RPGs. Porque embora gostassem, não tinham a energia de continuar por si ou não tinham um grupo de amigos que também jogasse.

Isso não acontece só nos RPGs, a maioria das pessoas vai ao cinema com os amigos ou joga videojogos que os amigos arranjam ou lê livros "que toda a gente já leu", mas boa parte não vê um filme porque "gosta do realizador", porque seja fanático dos videojogos ou porque "adore ler".

Ou seja, a maioria das pessoas precisa de um impulso social para fazer estas coisas. E precisa também que essa coisa sejam compensadora e exija um esforço mínimo de aprendizagem (para canseiras entediantes já basta estudar, trabalhar e criar filhos). Ora, os RPGs é só barreiras: os livros são enormes, caros, em inglês, exigem trabalho activo da parte de quem os lê e não se sabe se a aventura vai correr bem ou não.

No dia em que haja um RPG à "boardgame alemão" (cujas regras e setting sejam simples e acessíveis e caibam numa página A4 - incluindo ilustrações -, que possa ser explicado em dois minutos, se possa começar a jogar em cinco e o jogo acabe em menos de uma hora e meia com 60% de hipóteses de toda a gente se ter divertido) então vais ver que se torna muito mais fácil divulgar o hobby.

Time consuming

neonaeon escreveu:
(...) a maioria das pessoas precisa de um impulso social para fazer estas coisas. E precisa também que essa coisa sejam compensadora e exija um esforço mínimo de aprendizagem (para canseiras entediantes já basta estudar, trabalhar e criar filhos). Ora, os RPGs é só barreiras: os livros são enormes, caros, em inglês, exigem trabalho activo da parte de quem os lê e não se sabe se a aventura vai correr bem ou não.

No dia em que haja um RPG à "boardgame alemão" (cujas regras e setting sejam simples e acessíveis e caibam numa página A4 - incluindo ilustrações -, que possa ser explicado em dois minutos, se possa começar a jogar em cinco e o jogo acabe em menos de uma hora e meia com 60% de hipóteses de toda a gente se ter divertido) então vais ver que se torna muito mais fácil divulgar o hobby.

Ora cá está para mim a verdade. No fundo as pessoas não conhecem ou não jogam porque é preciso investir muito tempo nos RPGs. Se eu tivesse mais tempo, estaria em 3 ou 4 campanhas ao mesmo tempo. Mas como tenho a vida, vejo-me á rasca para fazer 1 sessão semanal. Demorei mais de um mês a conseguir arranjar um dia para fazer sesões com o meu grupo, e mesmo assim há alguns que não podem vir de vez em quando. Se uma sessão de RPG demorasse 1h ou 2h, seria muito mais simples, mas como é preciso sempre 3h a 5h para ficar completa, horarios tornam-se dificeis. E depois vem a questão das regras. Como são enormes,quem tem tempo para as ler na totalidade vai logo ter 1 vantagem sobre os outros jogadores e estar mais á vontade. É frustrante para o jogador ocasional, que nem o livro base tem. Por isto mesmo apoio o que o neonaeon disse. E surpreendemo-nos (jogadores de RPG) que os boardgames estão com mais força. Quando o investimento é menor e o resultado quase o mesmo, é natural que haja mais gente interessada e activa.


Light allows us to see, Darkness forces us to create...

neonaeon escreveu: No dia

neonaeon escreveu:
No dia em que haja um RPG à "boardgame alemão" (cujas regras e setting sejam simples e acessíveis e caibam numa página A4 - incluindo ilustrações -, que possa ser explicado em dois minutos, se possa começar a jogar em cinco e o jogo acabe em menos de uma hora e meia com 60% de hipóteses de toda a gente se ter divertido) então vais ver que se torna muito mais fácil divulgar o hobby.

Concordo com isto em absoluto e dou um exemplo prático.

Há uns anos, de férias no Algarve, decidi divulgar os RPGs aos amigos de ocasião. Reuni um grupo de 5 pessoas convencidas por ser mais giro que jogar cartas.

Inventei um sistema de regras de uma página, baseado no FUDGE. Nada de cenas estilo Forge (estávamos em 1994), o sistema era baseado em D&D mas estupidamente simples e com coisas que toda a gente reconhece. Primeiro, só havia um tipo de lançamentos a fazer e era de d6 (que toda a gente já viu). Segundo, havia duas características que toda a gente conhece, força e inteligência. Terceiro, em vez de skills escolhia-se uma "profissão" com um bónus que se apliava quando relevante. Quarto, a "magia" consistia em ficar KO para conseguir um acto "sobrenatural".

O setting também era simples - tempos modernos mas com magia à lá Vampire. São os melhores para principiantes na minha opinião, toda a gente conhece o setting mas tem um "twist" suficientemente interessante para atrair os jogadores.

Com isto consegui explicar o sistema e fazer personagens em 10 minutos, na praia, com umas folhas de papel. A aventura durou 2 horas e foi muito fixe, deu direito a 3 repetições nos dias seguintes - incluindo uma em fantasia e uma de "A-Team" - que atraíram espectadores (numa sessão tivemos 10 espectadores a mandar bitaites), e na altura criou um grupo de malta interessada em experimentar RPGs mais "complexos" porque aquele era realmente algo limitado :-)

Acho que isto funciona muito bem como divulgação, mas não sei se vende. Isto porque quem desconhece RPGs não vai perceber o interesse - e mais complicado que explicar as regras, é explicar "o que é um RPG" a quem não os conheça (aquele Microcosm referido acima talvez sirva de inspiração). A maior dificuldade é explicar a um GM o que é ser GM, e eu acho que um GM é essencial em jogos para principiantes por causa das minhas experiências com o Prime-Time Adventures

Usei o PTA com malta que não joga RPGs, com algum sucesso. Também é simples e fácil de apreender, só que tem um problema (na minha experiência prática: tentativa de mostrar RPGs a 2 grupos diferentes com PTA). Uma boa parte do poder criativo está na mão dos jogadores, mas um grupo de 5 pessoas a jogar pela primeira vez não sabe o que fazer com ele, e ficam a olhar uns para os outros até o GM intervir à moda antiga... E aí já não se está a jogar PTA ;-) Para um grupo de novatos em que ninguém sabe ser GM, torna-se complicado.

Li o resto do post que

Li o resto do post que meteste no teu blogue e simpatizo totalmente contigo relativamente à parte de tentar explicar o hobby de RPGs a outras pessoas, foi precisamente por não saber como o fazer que recrutei o Sr. JRMariano para escrever uma série de artigos precisamente com esse intuito. Com eles espero conseguir mostrar à pessoas um pequeno preview do que um RPG pode ser e como pode funcionar.  Espero que algum dia se tornem úteis hehe.

Quanto à divulgação, bem eu e o Sr. JRMariano estamos a tentar trabalhar nisso com a nossa Abreojogo Demo Tour  por enquanto tem sido ainda muito pouco divulgada, por que andamos a testar ainda um bocado as águas, a ver o que funciona e não e dai para a frente fazer mais publicidade, espero para o próximo mês começar a colocar flyers em algumas universidades e ver se aparecem mais pessoas, especialmente novatos ou veteranos à procura de jogos novos.

O problema das conversas sobre RPG são estas, a meu ver:

- Se falamos profundamente sobre a estrutura de como funciona a actividade de roleplay ou conseguimos ter um diálogo profundo sobre isso ou gera-se uma troca de palavras poucos construtivas e ninguém chega a lado nenhum (normalmente é a segunda);

- Se falamos profundamente sobre a estrutura de jogos em específico, sobre como funcionam bem ou falham no seu objectivo ou o que for, ou conseguimos ter um diálogo profundo sobre isso ou gera-se uma troca de palavras poucos construtivas e ninguém chega a lado nenhum (normalmente é a segunda);

- Se falamos profundamente sobre os eventos e estrutura de uma sessão de jogo, especialmente no funcionamento e relacionamento entre todos os jogadores e o jogo/sessão em causa ou conseguimos ter um diálogo profundo sobre isso ou gera-se uma troca de palavras poucos construtivas e ninguém chega a lado nenhum (normalmente é a segunda);

- Resta por isso diálogos superficiais sobre os eventos de jogo do ponto de vista do que se passou no espaço imaginário, que embora não gerem trocas de palavras pouco construtivas também dificilmente geram o que quer que seja porque só têm significado para as pessoas/PCs que estavam presentes;

- Pode haver também ainda discussões sobre regras e eventualmente settings, contudo estas são limitadas ao universo de pessoas que conhecem um dado jogo e enquanto o pessoal não partir à descoberta de novos RPGs ou jogar uma maior variedade de coisas esse universo será sempre necessariamente restrito. 

Normalmente isto não acontece nos Boardgames porque o universo dos jogos deles é muito mais directo e especificado, enquanto os RPGs são um bocado mais fuzzy e apenas se tornam mais claros com as discussões que enumerei em cima, o que é uma pescadinha de rabo na boca.

Gostava contudo de relembrar uma coisa, nem todos os RPGs são bichos enormes de 7.000 cabeças, carregados de coisas complicadas e trabalho, vê o exemplo de algo que me aconteceu nestas férias (aproveito para chular a publicidade que quase metade dos tópicos no forum de Actual Play são meus hehe), onde corri uma sessão de algumas horas sem livro de regras do RPG (que já agora só tem 72 páginas) à mão e usando apenas a folha de personagem para ilustar o sistema, foi quase

neonaeon escreveu:
regras e setting sejam simples e acessíveis e caibam numa página A4 - incluindo ilustrações -, que possa ser explicado em dois minutos, se possa começar a jogar em cinco

jogar apenas 1h30 não me parece o suficiente para criar algo com o mínimo de significado, mas aceito todas as surpresas que a vida me quiser dar hehe.

"the drunks of the Red-Piss Legion refuse to be vanquished"

Mais alguns comentários

Tanto o que o neonaeon diz e o que o tu dizes faz sentido. Sempre tive a perfeita noção de que os RPGs clássicos são algo complexo, não trivial. Acho, no entanto, a comparação com boardgames injusta. É um paradigma diferente. Um contexto díspar de RPGs. É dificil de comparar. Só tracei a ligação inicial relativamente à mobilização das respectivas comunidades, não tanto entre os hobbies em si.

Porque, na verdade, uma das coisas que me continua a fazer confusão - e vou-me repetir aqui um pouco, mais uma vez - é a falta de mobilização da comunidade. Tudo bem que é complexo enveredar por um discurso quase de evangelização onde se apregoam as maravilhas dos RPGs e que toda gente e as suas mães deviam joga-los. Aceito perfeitamente que não é para todos. Mas no fundo, numa perspectiva egoista de interessado na matéria, o que eu gostava era de ler mais sobre aquilo que se faz em Portugal neste campo. Mas não há quase nada para consultar.

Enfim, já foi dito muito aqui e já foram dadas muitas e boas razões. Começo-me a sentir a entrar num discurso circular e isso não é nada produtivo ou útil. Fica a mensagem de que aquilo que eu realmente gostava de ver, pelo menos numa fase inicial, era um maior empenhamento daqueles já envolvidos no hobbie para partilharem as suas experiências e darem-nos a sua visão do que é roleplay. Logo ai acho que seria uma grande contribuição.

--- Sérgio Draconus Dictum - Roleplay, diários de campanha, comentários e não só.

Concordo

E concordamos todos contigo nesse aspecto. Venham essas contribuições e muito obrigado a todos que já as fazem!

"Se alguma vez sou coerente, é apenas como incoerência saída da incoerência." Fernando Pessoa

sopadorpg.wordpress.com - Um roleplayer entre Setúbal e Almeirim
Ludonautas Podcast - Viajando, sem nos movermos, pelos mundos do RPG

smpb escreveu: Acho, no

smpb escreveu:
Acho, no entanto, a comparação com boardgames injusta. É um paradigma diferente. Um contexto díspar de RPGs. É dificil de comparar. Só tracei a ligação inicial relativamente à mobilização das respectivas comunidades, não tanto entre os hobbies em si.

Mil perdões, minha falha, como vi uns ramos da conversa a comparar os hobbys achei por bem dar aquele comentário para se perceber que são universos muito distintos e, tal como dizes, não vale a pena perder tempo a compará-los em profundidade.

Quanto às actividades, acho que era de bem finalmente levar para a frente a eterna ideia de fazer uma espécie de convenção/encontro nacional de RPGs, onde arranjando um espaço se pudesse marcar demonstrações de vários jogos e dar o pessoal a conhecer-se uns aos outros. Se tiveres real interesse em levar isto para a frente é apenas uma questão de recrutar pessoal para a organização (como o Sr. JRMariano ou o Sr. Ricwood, entre outros interessados) e começar a planear isso, eu pelo menos tenho todo o interesse em ajudar nessa actividade.

Entretanto, se quiseres ir lendo sobre as actividades bloguistas de outros jogadores de RPG, deixo-te o link para o blogue do Sr. JMendes, que eu considero muito interessante e com coisas relevantes sobre as quais vale a pena perder tempo a pensar.

"the drunks of the Red-Piss Legion refuse to be vanquished"

Interessante

RedPissLegion escreveu:

Quanto às actividades, acho que era de bem finalmente levar para a frente a eterna ideia de fazer uma espécie de convenção/encontro nacional de RPGs, onde arranjando um espaço se pudesse marcar demonstrações de vários jogos e dar o pessoal a conhecer-se uns aos outros. Se tiveres real interesse em levar isto para a frente é apenas uma questão de recrutar pessoal para a organização (como o Sr. JRMariano ou o Sr. Ricwood, entre outros interessados) e começar a planear isso, eu pelo menos tenho todo o interesse em ajudar nessa actividade.

Parece-me algo bastante interessante. Não sei se tenho estofo para participar a fundo num caracter organizativo (mas nunca se sabe), no entanto, acho giro a hipotese de participar e/ou ajudar num evento deste tipo. Sei que é muito complicado, mas não deixa de ser uma boa ideia.

RedPissLegion escreveu:

Entretanto, se quiseres ir lendo sobre as actividades bloguistas de outros jogadores de RPG, deixo-te o link para o blogue do Sr. JMendes, que eu considero muito interessante e com coisas relevantes sobre as quais vale a pena perder tempo a pensar.

"the drunks of the Red-Piss Legion refuse to be vanquished"

Bom link. É este tipo de conteúdo, e as suas variações, que gostava de ver mais vezes a popular a Rede. É pena, no entanto, que isso não se verifica.

--- Sérgio Draconus Dictum - Roleplay, diários de campanha, comentários e não só.

Agora é que vi esta parte com atenção

smpb escreveu:
Sempre tive a perfeita noção de que os RPGs clássicos são algo complexo, não trivial.

Quero começar por dizer que "clássicos" é uma boa escolha de palavras hehe. Vou presumir que te referes a jogos como D&D, Call Of Cthullu, Vampire/WW, etc.

Não os chamaria complexos, essencialmente giram em torno de maneiras de combinar skills com atributos, usando esse score para influenciar o resultado de uma acção. São contudo algo extensos nos seus textos e na explicação e promenorização das suas regras, uma vez que se focam bastante na tentativa de reproduzir extensivamente leis realísticas que os criadores acham necessárias para o tipo de jogo que desenvolveram e que para nós jogadores hardcore são o pão nosso de cada dia, contudo podem dissuadir outras pessoas com menos disponibilidade/vontade para perderem enormidades de tempo nestas coisas.

Existem contudo outros jogos, se calhar menos clássicos, que são um bocado mais leves nesse sentido (não todos, por exemplo o Spirit Of The Century e o Heroquest são livros ainda grandinhos e pesados de trazer às costas) e que por isso mesmo são, a meu ver, uma boa aposta para tentar aliciar pessoal para este mundo.

Refiro-me concretamente a PTA, que é quase um clássico graças ao trabalho intensivo do nosso produtor de serviço RicWood, que continuo a achar que é um jogo muito bom para um tipo específico de pessoas, pessoal ai dos seus 20 e poucos para cima que delira com séries de TV como 24h, Lost, Prison Break, etc. e que nem é assim tão pesado quanto isso, nem em termos de regras ou preparação de jogo, nem em termos de quilos hehe.

Acho que são jogos com os quais vale a pena perder um pouco de tempo a ler e jogar e tentar usar para cativar outras pessoas, por exemplo eu tenho tido uma boa experiência com DRYH que planeio usar para a semana para ver se converto uns quantos boardgamers hehe.

"the drunks of the Red-Piss Legion refuse to be vanquished"

Olha que por acaso....

RedPissLegion escreveu:

São contudo algo extensos nos seus textos e na explicação e promenorização das suas regras, uma vez que se focam bastante na tentativa de reproduzir extensivamente leis realísticas que os criadores acham necessárias para o tipo de jogo que desenvolveram e que para nós jogadores hardcore são o pão nosso de cada dia, contudo podem dissuadir outras pessoas com menos disponibilidade/vontade para perderem enormidades de tempo nestas coisas.

É precisamente por essa razão que os chamo complexos. É claro que, para mim e muitos de vós, não são nada demais. Para quem nunca teve contacto com algo do género, no entanto, são claramente complicados de perceber.

--- Sérgio Draconus Dictum - Roleplay, diários de campanha, comentários e não só.

Sem referir que mesmo as

Sem referir que mesmo as pessoas que jogam não gostam de falar sobre isso, mesmo que sejam com outras pessoas que jogam e do mesmo grupo.

Por vezes, quando tento analisar o meu estilo de jogo (ou o do grupo onde estou), e tirar daí conclusões, sou arremetido para um canto com palavras como "isso não interessa para nada, eu quero é jogar". Quase como falar sobre futebol apenas mencionando o nome dos jogadores, não falando de tácticas, esquemas, faltas, árbtitros, penalties, etc etc etc e mais etc.

Esta discussão é gira, faz-me perceber que não percebo o nosso hobby. :D

--~~--

To crush your enemies, to see them driven before you, and to hear the lamentations of their women.
-Noddy, Lord of Darkness

A escrever: down*town, tech-noir rpg
Proto Agonístes um rpg de auto-descoberta, de um personagem e vários jogador

os BGs são nossos amigos

Este tópico floresceu em diferentes direcções, todas merecedoras do seu próprio thread:

  1. A falta de participação por parte dos roleplayers no abreojogo.com, tendo em conta a quantidade deles que já estão registados.
  2. Porque motivo parece haver mais participação de boardgamers do que de roleplayers no site.
  3. A falta de popularidade do RPG em geral e o que fazer para ajudar a levar o hobbie mais longe.
  4. A maior adesão popular que existirá em relação aos boardgames do que aos roleplaying games. 

Quanto à primeira questão - da qual já falei na minha primeira resposta - acho que a dificuldade essencial, provocada pela extrema heterogeneidade do hobbie, começa logo na linguagem. Como é que é possível escrever sobre qualquer coisa se a comunidade não chega a acordo sobre o que significa? Logo à partida, muita gente não se considera um roleplayer, não sabe se aquilo que joga tem a ver com o que os outros chamam de RPG nem quer saber. Tem o seu grupo, a sua leitura das regras, as suas personagens com os seus amigos e mais nada. Escrever sobre quê?

Abordar a segunda questão permite-me continuar a responder à primeira. Um boardgame, em comparação a um RPG, é um produto real, o cliente sabe que compra uma experiência de acordo com o que está escrito na caixa. É preciso alguém ter graves problemas mentais ou sociais para conseguir estragar, por exemplo, uma simples sessão de Carcassone ou Tsuro. Mesmo que, no limite, a pessoa saiba absolutamente zero de estratégia/táctica, não é difícil escolher o tilezinho do monte e encaixá-lo onde os lados fazem sentido. Se compararmos isto a um RPG, o produto em si é completamente irreal, ou seja, a distãncia entre o que vem escrito no livro e aquilo que eventualmente, se correr bem, se consegue jogar é, por vezes, gigantesca. Sendo algo fatalmente dependente dos jogadores e da dinãmica do grupo, ninguém sabe o que é que vai sair dali até se experimentar. Por isso acontece que dez pessoas compram o mesmo RPG e têem dez experiências diferentes com ele. Isto não acontece com um boardgame e por isso é que é bastante mais fácil falar deles, fazer críticas e dar conselhos que servem a toda a gente. 

Quanto à terceira questão, este é um assunto que ciclicamente abordamos aqui no site. O meu blogue faz várias referências ao assunto. A minha última iniciativa foi o grupo Jogo Procura Mestre. Podem lá encontrar uma das mais participadas discussões sobre RPG das últimas semanas. 

Quanto à quarta questão, houve já um interessante tópico aberto pela xIn3s sobre o futuro do roleplay, que merecia pelo menos metade da participação que este teve. Nele admito que é bastante provável a gradual aproximação entre RPGs e BGs, no sentido de roleplay:

  • com menos tempo de preparação
  • com princípio, meio e fim
  • com algo de concreto que se possa ver e agarrar 

Hipótese...

Rick Danger escreveu:
  • com menos tempo de preparação
  • com princípio, meio e fim

Portanto um RPG viral como este?

"Se alguma vez sou coerente, é apenas como incoerência saída da incoerência." Fernando Pessoa

sopadorpg.wordpress.com - Um roleplayer entre Setúbal e Almeirim
Ludonautas Podcast - Viajando, sem nos movermos, pelos mundos do RPG

Obrigado pela boa

Obrigado pela boa sistematização, Rick. Se não te importas, vou aproveitá-la, para sistematizar  de forma breve a minhas próprias ideias:

1. A falta de participação por parte dos roleplayers no abreojogo.com, tendo em conta a quantidade deles que já estão registados.
Julgo que muitos dos inscritos são roleplayers passivos, que gostam de jogar, mas não sentem necessidade de discutir o seu hobby. Entre os activos, também haverá os tímidos e os que têm medo de se expor.

2. Porque motivo parece haver mais participação de boardgamers do que de roleplayers no site.
Julgo que os boardgames estão numa fase de expansão em Portugal e de grande criatividade e produtividade a nível geral. Nestas fases de efervescência é normal que as pessoas sejam mais entusiastas. Acresce que, pela sua natureza, os jogos de tabuleiro são mais fáceis de experimentar e conhecer que os RPGs. Isto facilita que se possa experimentar vários jogos e falar sobre essa experiência. Já os RPGs têm uma profundidade e exigem uma dedicação que obriga muitas vezes à especialização e torna mais difícil os pontos de contacto entre os vários roleplayers.

3. A falta de popularidade do RPG em geral e o que fazer para ajudar a levar o hobbie mais longe.
Quando eu estabeleci a relação entre RPGs e jogos de tabuleiro (BGs, para facilitar), não estava propriamente a defender que os primeiros fossem mais parecidos com os segundos (o que também ajuda), mas que têm a aprender com estes.
Repare-se que os BG americanos de antanho, e nomeadamente os Wargames, sofriam dos mesmos problemas dos RPGs: tinham 3 a 8 horas de duração, livros de regras de 24 páginas A4 para cima, mecânicas que promoviam o conhecimento profundo das regras, a conflituosidade e a eliminação de jogadores, temas muito específicos e conflituosos.
A revolução que houve nos BGs foram os jogos alemães, que adoptaram: temas leves e intuitivos, livros de regras do tamanho de uma página A5, jogos com baixa conflituosidade sem deixarem de ser competitivos, duração até hora e meia, mecânicas simples que podem ser utilizadas eficientemente de igual modo por veteranos e principiantes.

Graças a esta revolução, os fanáticos de BGs passaram a ter jogos que podiam apreciar e fazer jogar e apreciar os não-fanáticos.

A minha experiência diz-me que a maioria das pessoas gosta de jogos que envolvam histórias e puxem pela imaginação. Simplesmente, também gostam de jogos simples, que se possam jogar de forma esporádica, sem um compromisso e empenho fortes. Os RPGs actuais, simplesmente, não têm conseguido responder a estes requisitos. Quando conseguirem, é bem provável que a coisa mude.

Apesar de tudo o que foi

Apesar de tudo o que foi dito vejo que há algo que se esqueceram de referir ou secalhar nunca viram como problema, quer se seja um veterano ou um iniciante é sempre dificil de encontrar um grupo. Uma pessoa está num grupo, vai jogando, o grupo entretanto acaba por qualquer motivo e deixa-se de jogar, isto para não falar no facto de haver poucos GM's. Eu conheco pelo menos duas pessoas além de mim que gostavam de jogar D&D mas não têm GM nem querem fazer de GM, estas pessoas assim como eu também não conseguem encontrar grupo para se juntarem apesar de ja terem tentado aqui ou ali. Eu por exemplo posso deslocar-me a alguns locais mas esses meus amigos não tem essa possibilidade. Eu a Lisboa facilmente vou mas convites até agora so tive para o Barreiro o que já se torna um pouco longe para mim também.

Resumindo, muitas vezes há interesse por parte dos jogadores e gente nova a entrar também, mas estão "com as pernas cortas" porque não arranjam grupo onde se insiram ou não arranjam um GM que crie um novo grupo com eles. 

"The heavens burned,
The stars cried out,
And under the ashes of infinity,
Hope, scarred and bleeding, breathed its last."

...

Bah, não compro isso por esse preço tão alto.

Para aí há já mais de ano que há meetups mensais, que entretanto se tornaram noites de jogo, que entretanto desapareçam por falta de pessoal interessado, mas entretanto há demonstrações mensais, houve Dia Mundial de D&D, etc. Jogadores à procura de grupos e grupos à procura de jogadores também surgem aqui regularmente e, como em tudo na vida, costuma ser tão simples como perguntar ao gajo que através dos seus posts por cá sabemos que joga mesmo na terra ao lado da nossa e perguntar-lhe se podemos ir jogar com ele e o seu grupo, etc. RPG é um jogo 500% social; não acredito que o pessoal que quer/gosta de o jogar são uns desajustados sociais que não conseguem fazer um contacto amigável o suficiente para receberem um convite do fundo do coração para virem fazer um joguinho.

Se moram no meio do Alentejo ou numa vilazinha do interior, tudo bem, é difícil, é muito difícil; agora se moram na zona da Grande Lisboa? Come on. Se ainda não jogaram é porque não se interessaram o suficiente para fazer algo como registarem-se aqui e sondarem o terreno, ou aparecerem num dos inúmeros meetups, demos, eventos, whatever. E isso já é vida bem facilitada relativamente há alguns anos em que não havia internet nem outras formas de facilmente encontrarmos dezenas de pessoas que já jogam e gostam de jogar e sabem jogar; até há bem poucos anos, quem se interessava verdadeiramente fundava o seu próprio grupo e recrutava jogadores de entre o seu círculo social, pessoas que nunca tinham jogado antes... se esta comunidade hoje existe, é só e apenas pelo esforço de inúmeros recrutadores ao longo das últimas 2 décadas, e essa é uma lição que muitos de nós velhotes estamos a esquecer! Não quer dizer que não haja maneiras melhores de divulgar a coisa em vez de a manter como algo que apenas passa de forma oral, de mestre para díscipulo, de recrutador para recruta... mas isso é o que estamos justamente a discutir aqui (junto com outros assuntos). E como já se disse, se há RPGs complicados que é difícil alguém "apanhar" sozinho, há outros tantos completamente descomplicados, leves, e ainda por cima gratuitos à disposição de qualquer pessoa que tenha internet. Enquanto não se arranjarem melhores soluções, há que agarrar num jogo que nos agrade e ir à luta, recrutando novos jogadores se ainda não os há.

Saudações! Começo por

Saudações!

 

Começo por dar os parabéns a todos pela estimulante conversa.

 

Já estou registado no Abre o Jogo há uns meses mas é a primeira vez que abro a boca, isto porque nunca consegui acompanhar muito o site. É um overload colossal de informação... Tem demasiadas cores e demasiadas colunas e demasiados textos para um info-excluído / tecnofóbico como eu! :)

 

Vou tentar dar um pequeno contributo para o tópico (ou tópicos...) em discussão. Não que tenha muito a acrescentar, mas tentarei ver se sai alguma coisa decente.

 

Ainda neste fds estive à conversa com o Philip (da Runadrake, e que faz parte do meu grupo de D&D) sobre um tema semelhante a este: o facto de as comunidades de jogos em Portugal serem tão insípidas.

 

Somente há coisa de 5 meses é que consegui começar a jogar D&D mais a sério, isto apesar de já ter contacto com o jogo desde 1997. Simplesmente, durante todo o tempo de faculdade passei por sucessivas desilusões como já alguns aqui enunciaram: ao fim de três ou quatro sessões os grupos dispersavam e as campanhas nunca continuavam... Tentei jogar em 2ª edição, e quando saiu 3ª, e o resultado foi sempre o mesmo. Desde a saída de 3.5 que não pegava em D&D (aliás, nem cheguei a experimentar 3.5). Felizmente, há alguns meses, um amigo meu lançou-se o desafio de reunir um grupo para jogar D&D. Fiquei entusiasmado com a perspectiva e... “alea jacta est”. Até à data tem corrido tudo bem, já vamos a caminho da 10ª sessão e parecemos estar de vento em popa, com um grupo bastante motivado, sempre a pedir mais sessões e a dar mil e uma ideias (isto apesar de eu – o DM – ser o único que percebe zero das regras!).

 

Mas voltando ao assunto: comentei com o Philip que no Brasil existem dezenas de fãzines digitais. Publicações – algumas com bastante qualidade – feitas pelos próprios jogadores. Isto para além da aposta de várias editoras em revistas oficiais e produtos de BD, entre outros. Ora, nós por cá... nem uma única revista oficial temos, quanto mais fã/magazines de jogos... Quando a Runadrake abriu as portas em Setembro passado eu sugeri ao Philip que a loja avançasse com um projecto de uma newsletter que tivesse alguns artigos diversificados e participados pelos próprios jogadores. Voluntariei-me para dar apoio para Legend of the Five Rings (um CCG), visto ser aquilo em que estou mais imerso, mas de bom grado escrevia algumas histórias e/ou textos de fantasia e D&D. Infelizmente a ideia não singrou por falta de tempo e recursos.

 

Por isso, acho que este seria a primeira “root of all evil”: o facto de não haver uma publicação dedicada a jogos. Bem sei que já houve várias tentativas (Oráculo, Portal, etc...) infelizmente... todas morreram na praia. :( Nem mesmo com a forte aposta em Magic The Gathering conseguiram ganhar terreno.

 

Existe outro elemento muito “inibidor” que é o facto de: para se jogar RPG ser preciso LER, algo que as pessoas hoje em dia cada vez mais parecem ser ineptas para fazer. Para “bater ainda mais no ceguinho”, o material disponível é caro e está... em Inglês.

Houve recentemente um “Kotei” de L5R em Portugal (Kotei = Mega torneio integrado num lote de 50+ torneios a nível mundial. Uma espécie de championship anual), na sequência do qual troquei algumas ideias com jogadores de Espanha. Existem neste momento em Portugal menos de 35 jogadores de L5R (todos espalhados pelo país, o que ainda mais complica), enquanto que em Espanha... estimam para cima de 1200... Sim, não coloquei nenhum número a mais. Quando lhes perguntei a razão para tal “boom”, a resposta foi peremptória: “O jogo existe em Expanhol...”

 

Para enterrar ainda mais o ceguinho... espaços de jogo. Em Portugal existem poucos, são pouco divulgados e “parece que estão escondidos no fim do mundo”.

 

E por fim aquela que para mim talvez seja a “main root of all evil”... o tabu! Quer queiramos, quer não, este tipo de jogos (RPG, CCG) são tabu.

“Cartas? Isso é para putos! – Dragões? Dados? Miniaturas? Que palhaçada é essa!!”

 

É uma triste realidade, estes jogos são muito marginalizados, a maioria das pessoas ainda olha para eles de lado pensando que só os putos idiotas e meio geeks é que os jogam.

 

Em suma (e lamentem este post gigante...):

- Pouca gente, poucos espaços, nenhuma divulgação, preguiça, língua, tabu e “o facto de as pessoas estarem cada vez menos aptas para comunicar sem estarem à frente de um ecrã de computador”.

 

Eu diria que estes são os “sete pecados mortais” que sufocam o cenário – não só de RPG – mas de tudo o que possam ser comunidades de jogos de estratégia.

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"D&D" http://grou.ps/silverymoon

Olha este! .... bem vindo ao

Olha este!

.... bem vindo ao Abre o jogo.

Já agora, vamos falar de praxe. Os novatos que chegam aqui tem que ser iniciados.... andando descalços em cima de D4s!

Upa upa, vamos lá! :D

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http://www.abreojogo.com/files/rpgenia.jpg

Eu Escrevi Um RPG Numa Semana!

Uiiiii

Vejam só quem chegou para jantar.... Tongue out

Bom, como podes ter lido acima, o panorama não é taaaao mau como o pintam. Claro que apontaste muitos dos motivos pelos quais rpgs e ccgs nao tem tanta popularidade.... Mas acredita, já foi pior. Não foi assim ha tanto tempo que nós cá no Norte (mais especificamente no Porto) tivemos um encontro de RPGs e Boardgames que teve cobertura nacional.... Laughing e devemos todos agradecer ao Pedro (mallgur aqui no site) por isso. ( /me bows )

Há também algo que é preciso lembrar....publicações de jogos, em Portugal, podem não funcionar, mas nao tem nada a ver com leitura ou o facto dos jogos estarem em inglês... mas sim porque não vem motivo para comprar uma revista especializada num assunto acerca do qual obtem toda a informação que querem online. Ou seja, para que pagar 4€ por uma revista, quando consegues aceder a todos os seus conteudos (ou se calhar conteudos de melhor qualidade) ao ler forums na internet.... algo que fazes sem gastar um chavo? Para mim, esse é o grande impedimento à publicação de qualquer revista de RPGs/CCGs/Boardgames/Wargames.... não apresentam nada que justifique a compra do artigo.

Para finalizar, sim, as comunidades em Portugal são extremamente insulares... cada uma tem os seus hábitos, as suas manias, o seu estilo próprio... mesmo quando um jogador é bravo o suficiente para se apóximar de um grupo diferente, muitas vezes entra em choque com o estilo dos outros jogadores, ou com o estilo do mestre de jogo. Consequentemente, ao fim de 1 crónica, simplesmente deixa de aparecer. Não por má vontade, mas porque simplesmente não se consegue adaptar. ( algo que já me aconteceu e já vi acontecer pelo menos um par de vezes )

Correcção

Aramoro escreveu:

Não foi assim ha tanto tempo que nós cá no Norte (mais especificamente no Porto) tivemos um encontro de RPGs e Boardgames que teve cobertura nacional....

O Encontro foi de Boardgames, alguns roleplayers é que aproveitaram para combinar alguns jogos. E a cobertura nacional só tratou dos jogos de tabuleiros. Os RPGs nem foram mencionados.

Jogos...

Tenho 19 anos, e vivo numa cidade pequena na zona de Lisboa.
Sou das poucas pessoas da minha área que sabe o que é um RPG e sou capaz e ser o unico verdadeiramente interessado.
Já tentei explicar a algumas pessoas conhecidas mas acho que na maior parte das vezes nem chegam a perceber do que estou a falar. Isto quando não me dizem logo que são coisas de crianças e de putos cromos.
Na minha opinião, os problemas dos RPGs em Portugal são os seguintes:

- Muita gente não tem tempo livre para jogar.

- O jogo é pouco divulgado.

- A pouca divulgação que se faz dá um bocado a ideia de que os RPGs são um hobby para uma minoria.

- A complexidade do próprio hobby afasta algumas pessoas. É frequente uma pessoa sentir-se intimidada com a quantidade de conhecimentos necessária para, por exemplo, um simples jogo de DnD.

E acima de tudo, o maior problema de todos é o preconceito. A maior parte das pessoas nem se aproxima destes jogos com medo de serem gozadas por gostarem de "cenas de putos". Isto, infelizmente, afasta potenciais jogadores.
Introduzi os TCGs numa das escolas onde andei e passado pouco tempo tinhamos a sala de convivio com dezenas de mesas com gente a jogar Magic diariamente.
Um dia fui a Devir Arena com algumas pessoas da minha escola e enquanto que eles só falavam em Magic eu quase que ficava até a loja fechar para ver a quantidade de material de jogo, miniaturas, livros e outras coisas que lá se vendia. Isto prova que muita gente não percebe que estes hobbys exigem muita dedicação e a maior parte das pessoas, infelizmente, não se quer dar a esse trabalho.
Acho que o RPG é uma das melhores formas de passar o tempo livre e tenho muita pena de não ser mais aceite e divulgado.

A questão da "falta de

A questão da "falta de tempo" eu sinceramente não "enfio a carapuça"...

Hoje em dia toda a gente usa este desculpa por tudo e por nada. "Ah... não leio porque não tenho tempo...".

Opá, eu conheço gente que trabalha, estão casados e têm filhos e mesmo assim jogam RPG, lêem, vão ao cinema, fazem tudo e mais alguma coisa.
Por isso, a "falta de tempo" é o alibii/bode "respiratório" de todos os Tugas!

Na parte da divulgação... estamos completamente de acordo!
Aquilo de que não se fala, para todos os efeitos "não existe".
Não temos revistas dedicadas aos jogos em Portugal. Houve várias tentativas mas todas falharam.
Eu já sugeri ao Philip da Runadrake tentar coordenar as comunidades para se fazer um e-zine 100% feito pelos fãs. É questão de se conseguir participações de todas as comunidades (RPG, CCG, Tabuleiro, etc) para se tentar fazer uma revista digital.
Não é preciso ser uma coisa do outro mundo, apenas algo simples, com um design que não seja pesado e que ajude a "passar a palavra". Hoje em dia a Internet é o veículo mais priveligiado de comunicação que existe no mundo.

Agora a questão é: conseguimos fazer uma e-zine destas? Quem consegue assumir a responsabilidade pela sua coordenação? Porque quanto a participações, eu creio que facilmente se arranjam entre o pessoal.

Que dizem?

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"D&D" http://grou.ps/silverymoon

Gosto da ideia, mas...

Psygnnosed escreveu:
Eu já sugeri ao Philip da Runadrake tentar coordenar as comunidades para se fazer um e-zine 100% feito pelos fãs. É questão de se conseguir participações de todas as comunidades (RPG, CCG, Tabuleiro, etc) para se tentar fazer uma revista digital.
Não é preciso ser uma coisa do outro mundo, apenas algo simples, com um design que não seja pesado e que ajude a "passar a palavra". Hoje em dia a Internet é o veículo mais priveligiado de comunicação que existe no mundo.

Um projecto semelhante à Dragão Quântico mas centrada numa perspectiva de distribuição (ou acesso) online e à borla (como a Tobril por exemplo, mas obviamente com uma temática diferente da desta última) seria interessante. Aliás, se partisse com uma base de apoio como o próprio "Abre o Jogo" (um género de "spin-off" do próprio Portal) era capaz de ter um alcance significativo.
Já aqui foi dito que há uma grande inércia para a comunidade de roleplayers em Portugal de se manifestar, mas não duvido que haja muita gente interessada (e não só neste domínio) em ler artigos sobre esta e outras temáticas relacionadas (no âmbito do Roleplay ter recursos para campanhas como as Dungeon e as Dragon têm, mas adaptados à nossa realidade, dimensão, e vários sistemas, seria muito interessante). Um elemento de comunicação não tão exigente de uma interacção e participação do seu público alvo é capaz de ser uma boa aposta. Seria importante, no entanto, de traçar bem os objectivos de uma tal iniciativa para não se sobrepor ao próprio Portal, gerando redundâncias entre ambos os recursos.
As questões iniciais a colocar seriam: O que é que uma e-zine traria a este público alvo que já agora não pode ser feito através deste portal? Quais as vantagens? Quais as desvantagens?

--- Sérgio Draconus Dictum - Roleplay, diários de campanha, comentários e não só.

Interessante...

Parece-me uma discussão promissora... Podias abrir um tópico só sobre isso? :)

"Se alguma vez sou coerente, é apenas como incoerência saída da incoerência." Fernando Pessoa

sopadorpg.wordpress.com - Um roleplayer entre Setúbal e Almeirim
Ludonautas Podcast - Viajando, sem nos movermos, pelos mundos do RPG

Para bom entendedor...

jrmariano escreveu:
Parece-me uma discussão promissora... Podias abrir um tópico só sobre isso? :)

"Se alguma vez sou coerente, é apenas como incoerência saída da incoerência." Fernando Pessoa

Nem é preciso dizer mais. Aqui está.

--- Sérgio Draconus Dictum - Roleplay, diários de campanha, comentários e não só.

Ò Psy, pá, esquece lá o

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anda ali

Já sei que vou ser um bocado bruto no que vou dizer a seguir, mas está tudo a comentar este thread, não resisto à tentação de mandar uns insultos e dizer umas verdades. Hehe...

Para a pergunta que inicia o thread... "Onde anda o roleplay em portugal"

Em relação à pergunta "onde estão os roleplayers em Portugal", acho que há uma resposta directa e verdadeira: "estão em casa, junto do seu pequeníssimo grupo de amigos que também jogam, sem quererem conhecer ou dar a conhecer o roleplay a mais do que 3 ou 4 pessoas ao longo da vida". Alguns não conseguem encarar os olhares e comentários depreciativos de um país que vive 95% do desporto e televisão centrados no futebol (que eu adoro, por sinal). Outros estão simplesmente cagando para o desenvolvimento da comunidade de roleplay e da expansão e divulgação dos mesmos jogos EXCEPTO no que lhes diz directamente respeito."

Há mil e uma coisas que faltam, no nosso país, para cativar mais gente, mas a principal é a falta de iniciativas por parte dos que mais amam e mais quereriam ver o roleplay tornar-se conhecido e apreciado de forma transversal no país e sociedade. Precisamos de centros activos, BORBULHANTES de actividade, onde pessoas possam ser iniciadas e possam iniciar descendentes.

Não há nem centros, nem os "animadores". Não há intercâmbio, não há iniciativas ao vivo e parece-me que há falta de capacidade de fazer com que as coisas resultem e sejam apelativas. Somos POUCOS mas poderíamos ser muitos mais se ao longo dos anos nos fossemos esforçando por inserir o maior número de gente possível, nas mais tenras idades possíveis, no que é o roleplay.

Tem que haver um espírito de sacrificio e de vontade de realizar um bem maior por parte dos roleplayers, nao apenas dos que já são DM por gosto próprio, mas também dos outros. Tem que haver maior e maiores convívios sociais entre a comunidade de roleplay; e a forma de comunicar tem que ser mais do que passar a vida no PC a mandar postas de bacalhau.

Dou como exemplos um do users deste forum, que pouco escreve cá, que na sua profissão de professor é responsável por organizar grupos de jogo de D&D nas suas turmas. (desculpa se revelei isto publicamente, mas achei que era merecedor de destaque). Temos gente que é DM há 10 anos ou mais, mas quantas demonstrações de D&D houve, publicamente anunciadas? Eu vi uma, do Feldon, que cá anda há poucos meses... Houve mais? Porque não há mais? falta de tempo? Bolas, então as 1001 comunidades que existem por aí de seja lá que actividades for só existem porque há gente que tem muito tempo livre? Nem sequer têm tempo de jogar com os vossos amigos... Ora que caraças, sendo assim ninguém tem. Toda a gente trabalha ou estuda, ou estuda e trabalha, e toda a gente tem família, e namorada, e etc etc e tal. Quem é que é suposto trazer mais gente para a comunidade jogos? Os nossos netos?? As páginas da Wizards of the Coast? Waa???

São raros os que se esforçam por trazer malta para os jogos, para as discussões; os apoios para os novatos são FRAQUÍSSIMOS. Caramba, sei bem o que é o desgosto de estar a fazer uma sessão para pessoas que ainda não têm capacidade para fazer roleplay ao mais alto nível, mas também sei que quanto melhor o início de uma pessoa a algo, maior a sua progressão.

Pronto, batam-me lá o que quiserem... Acho que é verdade o que disse, e muito sinceramente espero que doa. :)

 

ps- obviamente que ALGUMAS das pessoas que participam activamente neste forum e que são algumas das únicas com iniciativas de jeito, são as que menos mereciam ouvir estas coisas, mas escrevo isto aqui para todos... Não vou referir "excepções", apesar de as haver. Quem sabe que se tem mexido e esforçado não se sentirá acossado, antes pelo contrário, saberá que é muito verdade aquilo que foi dito. A carapuça só a enfia quem sentir que merece.

 

ps2- já sei que vai aparecer alguém a dizer que "estou picado", lol. até já sinto saudades. Bolas, e pensar que sou um tipo plácido e sorridente na vida real.

ps3- Por falar em iniciativas, e para fugir um bocado com o rabo à seringa, vai começar dentro em breve a segunda aventura das mini-campaigns que estou a realizar para que haja mais intercâmbio entre grupos de roleplayers diferentes. Link: http://www.abreojogo.com/blog/jb_mael/2007/08/realizacao_regular_de_short_adventures_ou_mini_campaigns_de_