Once Upon a Time: The Storytelling Card Game

Retrato de neonaeon

Esta é a minha primeira crítica e deu-me logo um grande problema: como catalogar este jogo? É um RPG ou é um jogo de tabuleiro?

Digo isto porque, tecnicamente, é um jogo de tabuleiro - ou mais precisamente de cartas - visto que tem regras, turnos, elementos, condições de vitória, como um jogo de tabuleiro.

No entanto, tem objectivos bastante diferentes de um jogo de tabuleiro, o que talvez explique porque é que há tanta gente a mostrar um ódio visceral por este jogo no Gameboardgeek.

Enquanto num jogo de tabuleiro os objectivos são enganar/gerir recursos/mover peças, etc., o Once upon a time é um jogo para contar histórias.

O jogo, que pode ser jogado entre 2 a 6 ou mais jogadores (desconfio que também é jogável em modo solitário, mas nunca experimentei) consiste na criação colectiva de uma história, sendo vencedor o jogador que consiga dar um final a essa história.

O jogo processa-se com a distribuição de um número variável de cartas (consoante o número de jogadores). Uma dessas cartas será um final, para o qual cada jogador deverá levar a história colectiva. As outras são eventos, personagens, objectos e locais típicos dos contos de fadas. Há ainda cartas que, além de poderem servir como os ditos eventos, personagens, etc., são também usadas para interromper o turno dos outros.

Um dos jogadores começa então a contar a história oralmente, podendo baixar uma carta da sua mão sempre que esta for aplicável aquilo que acabou de contar. Por exemplo: o jogador conta "Uma princesa (baixa a carta de princesa) ia em viagem por um caminho. Quando estava a atravessar uma floresta (baixa a carta de floresta) encontrou uma velha que usava um medalhão (baixa a carta de jóia)."

Os outros jogadores podem interromper a história a qualquer momento jogando uma carta de interrupção (no caso do exemplo, uma carta que possa interromper uma personagem, um local ou um item) ou baixando uma carta que corresponda a algo que o jogador-narrador mencionou, mas de que não baixou carta (no exemplo atrás, os outros jogadores poderiam baixar cartas de "viagem", "caminho", "velha" e tomarem conta da história). Quando o jogador que estava a narrar é interrompido, bisca uma carta e passa a vez a quem o interrompeu, que deverá continuar a contar a mesma história, mas tentando orientá-la para a carta de final que tem na mão.

O objectivo de cada jogador é livrar-se de todas as cartas que tem na mão para poder baixar a carta de final e ganhar o jogo.

O tipo de histórias é do género de contos de fadas, embora, ao ser contado por várias pessoas com objectivos diferentes, tenha uma certa propensão para reviravoltas bizarras, como se fosse uma espécie de telenovela de fadas.

Como se pode ver pela descrição, o jogo não tem grande estratégia, sendo mais importante a capacidade imaginativa. É também um jogo muito fácil de quebrar, se houver jogadores mais interessados em ganhar do que em divertirem-se a contar uma boa história. É por isso que me parece que é um jogo mais do agrado de roleplayers do que de boardgamers.

É um jogo muito simples de aprender, sendo por isso ideal para jogar com nongamers, desde que estes tenham alguma imaginação. É também um óptimo jogo para crianças (desde que estas saibam inglês - embora também haja versões francesa e espanhola) para lhes estimular a imaginação e a expressão oral.

O link da empresa que faz o jogo é este e nele encontram-se as regras em português que alguma alma caridosa traduziu.

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é como as uvas

Este é daqueles jogos feitos a partir de uma ideia original que depois, se calhar, não consegue ser exectuado na perfeição. Se calhar, os jogadores mais roleplayers gostavam que não houvesse a tensão de ganhar ou perder. Por outro lado, os jogadores mais gamers gostavam que houvesse muito mais regras limitando aquilo que se pode inventar para despejar as cartas na mesa. Como dizia o famoso Myagui-sensei no Karate Kid: "Walk on the road... Walk left side, safe. Walk right side, safe. Walk middle, sooner or later, you get squashed just like grape." :)

Acho que desde que crie na

Acho que desde que crie na imaginação dos outros à mesa uma história, sendo esse o propósito que leva as pessoas a juntarem-se para jogar é um RPG.

Vou tentar levar isso para o próximo encontro de RPG e ver no que dá hehe.

"the drunks of the Red-Piss Legion refuse to be vanquished"