Tentar perceber o "Jogar mal" do Rui

Retrato de B0rg

Okay, tou a fazer este post separado pq começo a atrofiar qd uma thread tem muitos posts! Queria uma coisa limpa e sem muita confusão.

Este post é para tentar perceber o que queres dizer exactamente com "jogar mal" e porquê, já que dizes várias vezes na thread anterior que te parece que o pessoal concorda todo uns com os outros e está apenas a discutir semântica. Não me parece que seja o caso mas tou a deixar essa hipótese em aberto ao tentar perceber se estamos ou não a dizer a mesma coisa. Assim pergunto: o que queres dizer exactamente com isso?

(Nota: não estou à procura de exemplos, na minha opinião esses não costumam ajudar!)

[Hipótese 1] Quando dizes "jogar mal" queres dizer "jogar de uma forma que não está de acordo com as regras escritas no manual do jogo e/ou de acordo com a visão do designer!" (Provavelmente uma combinação das duas)

Acho que se for isto, todos concordamos sim, é bastante óbvio e quando alguém muda uma regra sabe que o está a fazer, a menos que seja de forma inconsciente.[Hipótese 1]

Aceitando esta hipótese então, não estás a fazer nada a não ser apontar o óbvio. Qual o objectivo? E já agora, porquê dizer que jogar diferente é jogar mal?

Como dizes, tem muito de semântica, talvez o problema tenha estado aí. Para mim e para muitos outros aparentemente, "jogar mal" tem uma conotação de valor! Jogar mal é por definição errado!

Citação:

[Hipótese 1a]Esta conotação de valor aparece contra a tua vontade. Querias apenas apontar o que disse antes, ou seja, apontar o óbvio. Não pretendias nada mais com isso. Aqui apenas fica a pergunta do "então para quê fazê-lo?"[/Hipótese 1a]

Citação:

[Hipótese 1b]Essa conotação de valor existe de forma consciente ou inconsciente da tua parte e esse era o teu ponto. Baseias-te no facto de que ao jogar de forma fora das regras do manual e/ou da visão do designer complica a integração de novos membros em grupos previamente formados. Isso também é óbvio.
Mas isto por si só não chega para aplicar o valor de errado a jogar dessa forma.

Para isso acontecer teriamos de partir do principio que facilitar a integração de um possível novo membro do grupo num possível futuro é um interesse primordial de cada grupo e que esse interesse é superior a qualquer interesse em alterar as regras ou forma de jogar desse mesmo grupo.
Fazer esta afirmação é tentar forçar os interesses de uns aos outros. Pessoalmente digo já abertamente que eu não tenho esse interesse como um dos mais altos, alias, está bem baixo até. É algo com que só me preocupo depois de ter resolvido todos os outros. (Claro que isto tem consequencias mas eu aceito-as.)

Teria também de se partir do principio que esse problema não poderia ser resolvido de outra forma, o que não é o caso, entrando em cena a comunicação que permite mostrar à nova pessoa quais as diferenças e integrá-lo ou mostrar-lhe que não se iria divertir ali.

Finalmente, ao se afirmar que esta situação provoca acusações de jogar mal está-se a cair numa falácia. Não é a situação que provoca isso mas sim a falta de comunicação sobre a situação em si e também o preconceito/falta de conhecimento das pessoas que fazem essas afirmações.
Pode-se dizer que isso não aconteceria noutra situação, talvez, mas isso não resolve os problemas do preconceito, da falta de conhecimento nem da falta de comunicação. Apenas tenta tapar um buraco com uma rede.
É como acusar um filme violento da violência nos jovens ou algo assim! :| [/Hipótese 1b]

(usei os quotes apenas para separar melhor os textos)

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:-)

Não tinha respondido até agora porque estou convencido que o post original no meu blog deveria ser suficiente para se perceber. Vou tentar deixar aqui as duas linhas que acho definem a minha ideia, definidas o mais sucintamente possível, para que se percebam e porque já estão escritas várias vezes noutros posts.

1-Se há um desvio da premissa do jogo, joga-se mal

Exemplos:

a) Jogar Exalted em modo dungeon crawl
b) Jogar Vampire só para os poderes

2-Se há uma alteração das regras, joga-se mal

Exemplos:

a) Tirar os níveis e as classes ao D&D
b) Acrescentar recompensas de XP ao GURPS por monstro morto

Estas duas linhas surgem porque:

1-Existe a Golden Rule
2-Criam-se hábitos de jogo que não são alterados de jogo para jogo

Algo que me fez confusão ao longo de todas as discussões que surgem à volta disto, é toda a gente se ter preocupado em desmentir-me, em vez de provar que se joga bem. Eu ao dizer que se joga muito mal, não estou automaticamente a retirar espaço a que se jogue bem. Julgo que isto dava para outra thread, e espero ter respondido ao Borg.

--~~--

Alguém muito sábio disse uma vez: "So, Trebek, we meet again! The game's afoot!"

A escrever: down*town, tech-noir rpg
Proto Agonístes um rpg de auto-descoberta, de um personagem e vários jogador

Ninguém tem que provar

Ninguém tem que provar nada a ninguém. Joga-se e pronto. Cheira-me a que vamos encher outra vez esta thread de posts que acabam por não adiantar nada. Segundo o conceito do Rui, 99% das pessoas a nível mundial jogam mal. Pronto está tudo dito.

"You think I'm old and feeble, do you? Well, face my Flying Windmill Kick, asshole!"

Dwarin escreveu: Ninguém

Dwarin escreveu:

Ninguém tem que provar nada a ninguém. Joga-se e pronto.

E no entanto, grande parte do pessoal tentou provar-me que estava errado.

Dwarin escreveu:

Segundo o conceito do Rui, 99% das pessoas a nível mundial jogam mal. Pronto está tudo dito.

Por MSN era 90%, agora são 99%; ainda bem que só vai até aos 100% ;)

Agora um pouco mais a sério:

Se há malta que diz que se joga mal rpg, porque não afirmar que se joga mal um jogo?

Se toda a gente na party estiver numa de mandar o seu bitaite e salvar o mundo, mas houver lá alguém que preferia esta a fazer outra coisa e diz que não acontece nada, esse alguém é acusado de jogar mal. Eu já vi isto acontecer, e não foi dito por mim, embora na altura concordasse com isso. Portanto, jogar mal rpg existe!

O que eu digo não é isto, o que eu digo é que joga-se mal os jogos que se jogam (ver os vários exemplos que dou); no entanto, não me parece a mim ser complicadíssimo de perceber que também se joga bem. Nunca fui ver uma sessão tua, mas daquilo que descreves acho que vocês jogam bem CoC e WotG: não alteram radicalmente nem as regras nem a premissa dos jogos, por isso a meu ver jogam bem.

Outra pessoa cujo grupo eu acho que joga bem é o Fernando "DemonKnight" Santos: ele joga sempre só homemade settings, mas se tivermos em conta que o D&D é mais uma frame genérica de fantasia e que ele não altera as regras, então está a jogar bem, e o seu grupo com ele.

Podia continuar aqui o resto do dia a escrever, que no fundo, ya, não ia adiantar nada. :)

--~~--

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Rui escreveu: Se há

Rui escreveu:

Se há malta que diz que se joga mal rpg, porque não afirmar que se joga mal um jogo?

Porque para essas pessoas aparentemente "jogar mal" tem um significado diferente da que tem para ti?
O B0rg focou este ponto no post inicial...
Se para ti "jogar mal" é não seguir a premissa do jogo e/ou alterar as regras então eu digo que não existe "jogar mal".

Rui escreveu:

Se toda a gente na party estiver numa de mandar o seu bitaite e salvar o mundo, mas houver lá alguém que preferia esta a fazer outra coisa e diz que não acontece nada, esse alguém é acusado de jogar mal. Eu já vi isto acontecer, e não foi dito por mim, embora na altura concordasse com isso. Portanto, jogar mal rpg existe!

Porque é que o jogador em questão preferia estar a fazer outra coisa? Estava desmotivado com o jogo? Ou era algo da sua personagem? Ou era outra coisa?

Rui escreveu:

...o que eu digo é que joga-se mal os jogos que se jogam (ver os vários exemplos que dou);

Já entendi que para ti jogar fora das premissas do jogo ou altera as suas regras é "jogar mal", o que não estás a conseguir explicar é porque é que jogar assim é "jogar mal"... Talvez se tivesses dito que era "jogar diferente" estas threads nem tivessem aparecido.

Vires dizer que as pessoas "jogam mal" os seus jogos é no mínimo uma atitude indelicada e que não vai escapar de receber comentários mais acesos...

Evil never dies, it just waits to be reborn...

Rui escreveu: 1-Se há um

Rui escreveu:

1-Se há um desvio da premissa do jogo, joga-se mal

Rui escreveu:

2-Se há uma alteração das regras, joga-se mal

Bom, se não chamares a coisa de jogar mal (porque parece-me apenas uma questão semântica; jogar uma variante de um jogo é jogar mal o jogo original? what?), e se explicares o que é que pode haver de mau nisso (que acho que é o que andas a fazer) sem ires ao extremo de rotular toda a gente com o rótulo de mau jogador e também sem ignorares as razões (perfeitamente válidas) porque muitas dessas pessoas fazem isso e as vantagens que tiram disso... acho que não haveria quase ninguém a discordar de ti. ;)

ricmadeira escreveu: Rui

ricmadeira escreveu:
Rui escreveu:

1-Se há um desvio da premissa do jogo, joga-se mal

Rui escreveu:

2-Se há uma alteração das regras, joga-se mal

Bom, se não chamares a coisa de jogar mal (porque parece-me apenas uma questão semântica; jogar uma variante de um jogo é jogar mal o jogo original? what?), e se explicares o que é que pode haver de mau nisso (que acho que é o que andas a fazer) sem ires ao extremo de rotular toda a gente com o rótulo de mau jogador e também sem ignorares as razões (perfeitamente válidas) porque muitas dessas pessoas fazem isso e as vantagens que tiram disso... acho que não haveria quase ninguém a discordar de ti. ;)

Amen!!!

Evil never dies, it just waits to be reborn...

Rui escreveu: Não tinha

Rui escreveu:

Não tinha respondido até agora porque estou convencido que o post original no meu blog deveria ser suficiente para se perceber.

Oki, então desculpa por não corresponder às tuas expectactivas no que diz respeito à capacidade de te perceber! ;)

Rui escreveu:

Estas duas linhas surgem porque:

1-Existe a Golden Rule
2-Criam-se hábitos de jogo que não são alterados de jogo para jogo

Concordo absolutamente que estas duas situações existem e têm potencial para serem problemáticas de uma forma ou outra. Não sei se quero ser absolutista em relação a elas e dizer que são sempre problemáticas mas também não estou minimamente preocupado com isso nem é esse o ponto que estou ou tenho estado a discutir. Para discutir isso acho que seria melhor criar tópicos mais apropriados. Em geral acho que vou concordar contigo nisto por isso, moving on...

Rui escreveu:

é toda a gente se ter preocupado em desmentir-me, em vez de provar que se joga bem

hhmmmm, como já foi indicado por alguém, o ônus da prova cabe a quem faz a afirmação e não o contrário como queres fazer aqui. Se afirmas que se joga mal quem tem de o provar és tu, cabendo a nós testar a tua prova e não provar o contrário como pretendes, muito particularmente porque:

Rui escreveu:

Eu ao dizer que se joga muito mal, não estou automaticamente a retirar espaço a que se jogue bem.

Sim, e acho que ninguém afirmou isso. Percebo-te perfeitamente nesse ponto e nunca te percebi como se estivesses a afirmar isso, daí que esse problema não se colocou.

Rui escreveu:

Julgo que isto dava para outra thread, e espero ter respondido ao Borg.

Infelizmente não respondeste quase nada, mas vou tentar analisar a resposta agora.

Rui escreveu:

1-Se há um desvio da premissa do jogo, joga-se mal

Rui escreveu:

2-Se há uma alteração das regras, joga-se mal

Ora bem, aqui indicas dois casos que consideras serem jogar mal. Vou partir do principio que esses são os dois casos que consideras isso para propósido desta discução. Dessa forma pode-se inverter as tuas afirmações e elas permaneceriam com o mesmo sentido:

Jogar mal é se há um desvio da premissa do jogo ou se há uma alteração das regras.

Bem, isto corresponde à minha hipótese no post inicial deste thread. Isso responde à minha primeira pergunta: o que entendes por "jogar mal"?

Então se para ti "jogar mal" = "fazer um desvio da premissa do jogo ou uma alteração das regras" temos que o teu post inicial poderia ter o seu título como:
"Fazem-se muitos desvios de premissas e/ou alteram-se muito as regras dos rpg's"

A questão é: porque é que o post não teve esse nome mas sim "Joga-se muito mal rpg"

Aposto que se o tópico tivesse sido o primeiro em vez do segundo não teria gerado, nem de perto nem de longe, tanta polémica. E porquê? Porque acredito, e baseio essa crença também nos posts que tenho lido pelos vários participantes destas discuções, que quase todos concordam com essa afirmação. Sim, fazem-se muitos desvios de premissas e/ou alteram-se muito as regras dos rpg's. Eu concordo com isso. Acho que é óbvio.

Assim chegamos à outra pergunta que fiz no post inicial desta thread. Porquê apontar o óbvio? Porquê fazer essa afirmação? E mais importante, porquê chamar a isso "jogar mal"?
(podes chamar-lhe semântica mas a semântica é um factor altamente relevante)

Quando dizes que algo é "jogar mal" estás a fazer um juizo de valor em relação a esse algo. A parte do "mal"! Então a verdadeira questão é porque é que achas que isso é mau?

Ninguém está a discutir que isso não acontece. É óbvio. O que se está a debater é se isso é ou não mau! Os meus pontos na outra thread foram para explicar porque não considero isso mau e o que não percebo da tua parte é porque é que consideras isso mau. E é aí que te cabe o ônus da prova já que és tu que fazes a afirmação.

Em conclusão: Porque é que consideras isso como sendo jogar mal?

[B0rg]
We r all as one!!
We are The Borg. We are Eternal. We will return. Resistance is Futile...

If freedom is outlawed, only outlaws will have freedom.

Keep It Simple, Stupid!

Bom, este assunto já deu muita àgua debaixo da ponte. Muitas opiniões foram trocadas e eu fiquei meia na duvida se o Rui acredita mesmo no que escreveu ou se estava só a tentar animar as hostes ao apoiar uma opinião que é controversa -- para causar um belo de um debate.

Bom de toda a forma, eu percebi a ideia que é a do "Se queres jogar o jogo do homem tens que respeitar as ideias todas dele."

Bom isso até fazia sentido se não fosse pelas "edições" que saem umas atrás das outras. O caso que me grita mais é, por exemplo, L5R, que teve 4 edições (incluindo a desgraçada D20) -- afinal das quatro QUAIS são as regras "certas"? (esta pergunta seria mais complicada durante o tempo de D20 porque ele saiu quase ao mesmo tempo que 2a edição).

E depois se pensarmos nas erratas que volta e meia saem.... e nos adendos... e nos suplementos com novas regras que contradizem as anteriores. Afinal o que é que está bem? O senhor Gygax pode-se armar em gringo "DD só da caixa vermelha" mas felizmente, o mundo de RPG n é só DD. Que guidelines usamos para determinar o que é jogar bem o mal noutros jogos, visto que não temos o senhor Gygax para nos orientar?

E se pensarmos que os designers são humanos, e comentem erros... podemos dizer MESMO que a forma deles é a correcta? Não existe uma margem de manobra? Um angulo ou uma situação que eles não estavam a contar e saiu torto? Passei muito tempo nos forums de Vampire, e lembro-me que os jogadores apareciam com situações não cobertas pelas regras (e que tinham muitas interpretações possiveis) e os proprios Developers davam sugestões ou (muitas vezes) saiam-se com a do "Façam o que vos parecer melhor para o vosso estilo de jogo"

Eu continuo sempre com a sensação que isso do "jogar mal" é relativo. Sobretudo em jogos como RPGs que basicamente funcionam à base de improviso, encontro com situações inesperadas, etc etc. É muito mais complicado lidar com RPGs que com jogos como xadrez, monopólio, etc porque os objectivos nesses jogos são imutaveis. Não há grande variedade. A situação não muda. Nesses jogos sim eu diria que se aplica o jogar bem e jogar mal. Em RPGs.... há demasiadas variáveis.

Sim, há quem invente muito e quem invente pouco, mas se formos por aí tinhamos quê "Jogar mais mal" e "jogar mal, mas pouco"?

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Eu Escrevi Um RPG Numa Semana!

LadyEntropy escreveu: E

LadyEntropy escreveu:

E depois se pensarmos nas erratas que volta e meia saem.... e nos adendos... e nos suplementos com novas regras que contradizem as anteriores. Afinal o que é que está bem? O senhor Gygax pode-se armar em gringo "DD só da caixa vermelha" mas felizmente, o mundo de RPG n é só DD. Que guidelines usamos para determinar o que é jogar bem o mal noutros jogos, visto que não temos o senhor Gygax para nos orientar?

Suponho que isso vem no AD&D 1ª Edição e não na caixa vermelha - mas o ponto é bem visto.

LadyEntropy escreveu:

Eu continuo sempre com a sensação que isso do "jogar mal" é relativo. Sobretudo em jogos como RPGs que basicamente funcionam à base de improviso, encontro com situações inesperadas, etc etc. É muito mais complicado lidar com RPGs que com jogos como xadrez, monopólio, etc porque os objectivos nesses jogos são imutaveis. Não há grande variedade. A situação não muda. Nesses jogos sim eu diria que se aplica o jogar bem e jogar mal. Em RPGs.... há demasiadas variáveis.

Sim, jogar bem ou mal não é algo que caiba bem em palavras e definições - é como se um RPG é bom ou mau, ou se um jogo é um RPG ou não, e não preciso que venha um qualquer guru teórico das américas dizer-me o que são estas coisas, reconheço-as quando as vejo.

"Don't hesitate, don't apologise - it's a sign of weakness."
John Ford, cineasta

Sans la liberté de blâmer, il n'est point d'éloge flatteur - Beaumarchais

I don't believe in the concept of "One True Game" - Steve Kenson, Icons

O Gary Gygax é que tinha

O Gary Gygax é que tinha essa teoria e estava escrito explicitamente nas regras de AD&D 1ª edição qualquer coisa do género: "Estas são as regras de AD&D, qualquer desvio das regras deste manual é não jogar AD&D." Foi uma desgraça porque ninguém o levou a sério (chegou-se à conclusão que as regras eram deficientes em muitos aspectos) e hoje em dia as pessoas recordam isso mais como um sinal de prepotência do autor como de qualquer outra coisa qualquer.

O que nos leva a um ponto muito interessante: sendo que nenhum sistema de regras é completo e se nos desviarmos das regras do manual começamos a jogar esse roleplay específico mal, o que acontece quando o manual não contém, por exemplo, regras para asfixia e uma das personagens quiser estrangular um NPC? O GM dita que o NPC morre (e neste caso poderíamos estar perante um caso específico de Mother May I)? Ou sendo que não existe asfixia no setting (porque o manual não contém essas regras), ninguém morre por asfixia?

Quanto à Golden Rule, leio muitas vezes "Golden rule para aqui", "Golden rule para ali". A regra da Golden rule também se aplica à Golden rule. Se uma regra estiver a estragar o divertimento dos jogadores, ignora-se a Golden rule e continua a aplicar-se as regras em detrimento do divertimento dos jogadores. Preso por ter, preso por não ter... Laughing

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Citação: ...the reader

Citação:

...the reader should understand that AD&D is designed to be an amusing and diverting pastime, something which can fill a few hours or consume endless days, as the participants desire, but in no case something to be taken too seriously. For fun, excitement, and captivating fantasy, AD&D is unsurpassed. As a realistic simulation of things from the realm of make-believe, or even as a reflection of medieval or ancient warfare or culture or society, it can be deemed only a dismal failure. Readers who seek the latter must search elsewhere. Those who desire to create and populate imaginary worlds with larger-than-life heroes and villains, who seek relaxation with a fascinating game, and who generally believe games should be fun, not work, will hopefully find this system to their taste.
E. Gary Gygax, 1e DMG, p. 9

O que muita gente parece esquecer é que os rpgs são jogos e que o objectivo primordial do jogo é um grupo de pessoas em redor de uma mesa estar a divertir-se.
Se se divertem segundo a premissa e regras delineadas pelo jogo ou modificam essa premissa e regras é irrelevante.
Se todos se estão a divertir estão a jogar bem!!

:)

Evil never dies, it just waits to be reborn...

Dwarin escreveu: "Estas

Dwarin escreveu:

"Estas são as regras de AD&D, qualquer desvio das regras deste manual é não jogar AD&D."

Pode parecer prepotência ou arrogância mas na minha opinião é bem verdade e deveria vir escrito em todos os manuais!
Porque afinal, se fizemos algum desvio já não estamos a jogar exactamente aquilo mas sim algo pelo menos ligeiramente diferente. Onde é que está a arrogância ao apontar esse facto óbvio?

[B0rg]
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Concordo

Concordo que ao não jogarmos as regras tal como vêm escritas num manual é desviarmo-nos da visão original do autor, mas daí a dizer que é jogar mal... Para além, os autores dos roleplays devem confiar que o seu público-alvo tem dois palmos de testa para saber a diferença. Não é preciso que o autor nos "esfregue na cara" isso.

Mais, e aqui falta um bocado o contexto, Gygax não se limitava a dizer que as regras dele era a visão única de AD&D, mas ia mais além e dizia que qualquer desvio era "jogar mal". Sim, ele dizia isso mesmo. Ora, para além de insultar os seus próprios clientes (quase todos aplicavam house rules), basta dar uma vista de olhos pelos manuais da 1ª edição para ver que as regras estavam longe de ser completas mesmo para aquilo que se destinavam ("dungeon crawl"). Por isso é que 13-14 anos depois a TSR lançou a segunda edição que, ironicamente, incluia nas alterações house rules e comentários dos jogadores que, anos antes, havia sido acusados de "jogar mal" com as suas house rules. O mundo dá voltas, não é?

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Verbus escreveu: Sim,

Verbus escreveu:

Sim, jogar bem ou mal não é algo que caiba bem em palavras e definições - é como se um RPG é bom ou mau, ou se um jogo é um RPG ou não, e não preciso que venha um qualquer guru teórico das américas dizer-me o que são estas coisas, reconheço-as quando as vejo

Obrigado Zé. :)

Assim conto contigo para o exército da malta que acredita que se joga mal. :D 

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Rui escreveu: Obrigado

Rui escreveu:

Obrigado Zé. :)

Assim conto contigo para o exército da malta que acredita que se joga mal. :D

D'uh! O que é que eu tenho estado para aqui (e noutros lados - obrigado, Rui!) a escrever? Acho que se joga mal, sim - mas por razões inteiramente diferentes das que tu apontas. E talvez não devamos ser assim tantos a jogar mal como tu sugeres.

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LadyEntropy escreveu:

LadyEntropy escreveu:

Bom, este assunto já deu muita àgua debaixo da ponte. Muitas opiniões foram trocadas e eu fiquei meia na duvida se o Rui acredita mesmo no que escreveu ou se estava só a tentar animar as hostes ao apoiar uma opinião que é controversa -- para causar um belo de um debate.

Por esta altura já devias ter percebido que é um misto das duas. E sim, eu acredito piamente que se joga mal, se não nunca teria dado tantos exemplos, e olha que não foi só um ou dois. Até te consigo mostrar, por palavras de outras pessoas que discordam de mim nisto, mas que já disseram, e repito: "tu jogas mal", ou ainda "a Inês joga melhor que tu". Não são as minhas palavras.

LadyEntropy escreveu:

Bom de toda a forma, eu percebi a ideia que é a do "Se queres jogar o jogo do homem tens que respeitar as ideias todas dele."

Bom isso até fazia sentido se não fosse pelas "edições" que saem umas atrás das outras. O caso que me grita mais é, por exemplo, L5R, que teve 4 edições (incluindo a desgraçada D20) -- afinal das quatro QUAIS são as regras "certas"? (esta pergunta seria mais complicada durante o tempo de D20 porque ele saiu quase ao mesmo tempo que 2a edição).

Se bem me recordo, o L5R teve carradas de developers, certo? No entanto, o setting era o mesmo. E...

LadyEntropy escreveu:

E depois se pensarmos nas erratas que volta e meia saem.... e nos adendos... e nos suplementos com novas regras que contradizem as anteriores. Afinal o que é que está bem? O senhor Gygax pode-se armar em gringo "DD só da caixa vermelha" mas felizmente, o mundo de RPG n é só DD. Que guidelines usamos para determinar o que é jogar bem o mal noutros jogos, visto que não temos o senhor Gygax para nos orientar?

...Ainda hoje em dia há malta que jura a pés juntos que só joga AD&D e não pegará nunca em nada que seja D20.

Seguem as regras, mas de edições diferentes. Mesma coisa com o L5R, Shadowrun, etc.

Este ponto não é o melhor para se discutir:

-há malta que continua a jogar outras edições, respeitando-as à letra, porque acha que a nova edição desvirtualiza o jogo
-há malta que pega na edição antiga e diz que está tudo errado, mandando exemplos de como aquilo está mal; faz-se nova edição, e algumas pessoas ficam contentes, outras ficam descontentes; e depois? jogam a coisa como vem nas regras e respeitando o setting.

LadyEntropy escreveu:

E se pensarmos que os designers são humanos, e comentem erros... podemos dizer MESMO que a forma deles é a correcta? Não existe uma margem de manobra? Um angulo ou uma situação que eles não estavam a contar e saiu torto? Passei muito tempo nos forums de Vampire, e lembro-me que os jogadores apareciam com situações não cobertas pelas regras (e que tinham muitas interpretações possiveis) e os proprios Developers davam sugestões ou (muitas vezes) saiam-se com a do "Façam o que vos parecer melhor para o vosso estilo de jogo"

Isso é a Golden Rule a falar; já vi vários exemplos de jogos sem Golden Rule onde as coisas correm bem; se não estou errado, o novo D&D não tem a Golden Rule: aquele jogo já foi refinado.

LadyEntropy escreveu:

Eu continuo sempre com a sensação que isso do "jogar mal" é relativo. Sobretudo em jogos como RPGs que basicamente funcionam à base de improviso, encontro com situações inesperadas, etc etc. É muito mais complicado lidar com RPGs que com jogos como xadrez, monopólio, etc porque os objectivos nesses jogos são imutaveis. Não há grande variedade. A situação não muda. Nesses jogos sim eu diria que se aplica o jogar bem e jogar mal. Em RPGs.... há demasiadas variáveis.

Eu consigo apontar vários objectivos em vários rpgs, muito sucintamente:

Exalted, jogar semi deuses; CoC, jogar investigadores do oculto; PTA, jogar novelas, etc etc etc.

Existe um nome técnico para estas coisas, que não me consigo lembrar, mas que define o jogo na sua essência; desrespeitar isto é jogar mal.

LadyEntropy escreveu:

Sim, há quem invente muito e quem invente pouco, mas se formos por aí tinhamos quê "Jogar mais mal" e "jogar mal, mas pouco"?

Isso é picuínhice só porque sim. 

--~~--

Alguém muito sábio disse uma vez: "So, Trebek, we meet again! The game's afoot!"

A escrever: down*town, tech-noir rpg
Proto Agonístes um rpg de auto-descoberta, de um personagem e vários jogador

Setting vs. Mecânica

Rui escreveu:

Se bem me recordo, o L5R teve carradas de developers, certo? No entanto, o setting era o mesmo.

Mau, a ver se nos entendemos.... então o problema para ti é que as pessoas não respeitem a mecânica de jogo (leia-se regras, e para as quais geralmente é que aparecem as House Rules) ou o setting? Muito possivelmente vais dizer-me que tem que respeitar ambos, mas nesse caso não respondes à minha pergunta que é "Qual dos sets de regras de L5R é que é o "certo", que se usa para jogar bem?" visto que apenas te fixaste no "Joga-se samurais"

E quanto à questão de ter muitos developers (mais ou menos, foi sobretudo brain child do Wick) ficamos na duvida se é alguma vez possivel jogar "bem" um jogo que tenha mais que uma pessoa no development team.

E agora para animar a malta, eu atiro a seguinte acha para a fogueira: e GURPS, senhores? Então GURPS é um sistema criado para jogar um MONTE de outros jogos, incluindo jogos pertencentes a outras companhias e sistemas, incluindo "Vampire: The Masquerade", "Mage: the Ascencion", "In Nomine", etc etc etc. Obviamente, GURPS altera e viola completamente os sistemas para os quais esses jogos foram criados originalmente. Então quem joga esses sistemas em GURPS joga mal? Se tal não é o caso, o que é que dá direito ao GURPS de não ser considerado house rules? O ter sido publicado?

Rui escreveu:

...Ainda hoje em dia há malta que jura a pés juntos que só joga AD&D e não pegará nunca em nada que seja D20.

Seguem as regras, mas de edições diferentes. Mesma coisa com o L5R, Shadowrun, etc.

Agora tou a ficar baralhada. Portanto, desde que sigamos o setting estamos a jogar bem? As regras podem ser quaisquer umas desde que as sigamos às regras? Mas então, basicamente que dá direito às regras de diferentes edições de serem mais que "house rules"? O facto de terem sido editadas? Mas olha, então, voltemos ao caso de Vampire. O exemplo que te dou aconteceu mesmo: os vampiros de vampire não podiam ter sexo. Ponto final. Para citar o anuncio "It has fallen, and it can't get up!". Nem com viagra lá ia. Mas, nas regras, havia uma passagenzinha que dizia: "Um vampiro pode gastar 1BP para emular funções vitais, como respirar, tossir, ter pele quente, etc etc." Imediatamente, um grupinho de jogadores criou a house rule que ficar de mastro hasteado era considerado função vital. Obviamente, um outro grup imediatamente começou a chamar-lhes houserulers, putos com as hormonas aos pulos, etc etc etc. e que eles queriam eram desculpas para terem PCs promiscuos.

O debate sobre isso prolonga-se para os forums. O assunto é debatido e redebatido e ninguem chega a nenhuma conclusão. Por fim, (n sei bem em que suplemento, prai no Player's Guide 3rd ed) sai um capitulo sobre sexo. Sim, vampiros podem ficar de pau feito se gastarem o sangue para activar funções vitais.

Portanto, uma house rule torna-se regra oficial. No entanto, antes de ser oficial já era jogada -- portanto, o grupo do pau feito eram maus jogadores por jogarem com uma regra que não era oficial na altura? Ou os maus jogadores eram os do anti-pau que não estavam a jogar segundo as regras, mesmo que segundo as regras nada falava sobre o pau?

Rui escreveu:

sso é a Golden Rule a falar; já vi vários exemplos de jogos sem Golden Rule onde as coisas correm bem; se não estou errado, o novo D&D não tem a Golden Rule: aquele jogo já foi refinado.

Sim, mas aposto que se dermos um saltinho aos forums de DD conseguimos encontrar loopholes, regras que não fazem sentido, coisas idiotas... e só porque vêm editadas num livro são consideradas "Comme il-faut"... mesmo que com toda a probabilidade os developers nem lhes passou pela cabeça a bacorada que estavam a fazer.

Rui escreveu:

Eu consigo apontar vários objectivos em vários rpgs, muito sucintamente:

Exalted, jogar semi deuses; CoC, jogar investigadores do oculto; PTA, jogar novelas, etc etc etc.

Existe um nome técnico para estas coisas, que não me consigo lembrar, mas que define o jogo na sua essência; desrespeitar isto é jogar mal.

Então, estamos outra vez a cair na questão. Estás a defender o setting ou as regras? Porque o ataque que vi foi às house rules, que na maior parte dos casos visam a mecânica do jogo. No entanto, tu dizes-me que para jogar bem um jogo temos que jogar o setting como ele é. Afinal como ficamos?

Rui escreveu:

Isso é picuínhice só porque sim.

De facto. Abaixo a minha cabeça em abjecta vergonha, porque sim, ser picuinhas é um dos meus grandes defeitos :)

Claro que agora vou ser ainda MAIS picuinhas. Falemos do setting outra vez e como respeitá-lo à letra é importante. O setting de L5R é jogar samurais no Império Esmeralda. No entanto, no livro base de 3ª edição vem uma secção do jogo com pequenos resumos de várias possibilidades para jogar L5R, outros impérios, como 1000 years of darkness, Rokugan 2000, Dawn of the Empire, etc etc. A informação ai a muito marginal, e o GM que se ponha a mestrar nesses settings vai ter que inventar muito. No entanto, os developers dão-nos autorização para o fazer e não, a Golden Rule nunca é invocada. Se de facto jogarmos nestes settings alternativos estamos a jogar mal?

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A tua dúvida no meio disso

A tua dúvida no meio disso tudo é?

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A escrever: down*town, tech-noir rpg
Proto Agonístes um rpg de auto-descoberta, de um personagem e vários jogador

Paletes de Duvidas

Duvidas:

- Jogar mal é não respeitar o setting ou o sistema?
- Se é o setting, que fazemos quando os developers nos dizem que temos licença para brincar com o setting, mas sem necessariamente invocar a golden rule?
- Se são as regras, que fazemos quando os developers pegam numa house rule e tornam numa regra official?
- Se são ambos, temos que considerar jogar certos settings em GURPS como jogar mal? Se não é considerado "jogar mal" o que é que dá direito ao GURPS de não ser considerado house rules? O ter sido publicado?

- O que é que faz uma house rule uma house rule? O não ter saido num suplemento? E se nos faltar uma regra? E se as regras no livro se contradizerem e/ou os developers meterem uma grande gaffe?

Pronto, papinha toda feita.

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LadyEntropy escreveu:

LadyEntropy escreveu:

Duvidas:

- Jogar mal é não respeitar o setting ou o sistema?

Ambos. 

LadyEntropy escreveu:

- Se são ambos, temos que considerar jogar certos settings em GURPS como jogar mal? Se não é considerado "jogar mal" o que é que dá direito ao GURPS de não ser considerado house rules? O ter sido publicado?

Nenhum setting em GURPS é jogar mal, porque GURPS é uma amálgama de regras.

Jogarias mal GURPS se lhe acrescentasses regras que não estão previstas.

LadyEntropy escreveu:

-  O que é que faz uma house rule uma house rule? O não ter saido num suplemento? E se nos faltar uma regra? E se as regras no livro se contradizerem e/ou os developers meterem uma grande gaffe?

Não percebo isto.

House rule é uma regra feita em casa, qual a dúvida?

Como, se vos faltar uma regra? Do género, o livro foi mal impresso?

Se as regras se contradizem ou os developers cometerem uma gaffe... estás a responder às tuas perguntas, não?

Picuinhice porque sim roça a ofensa barata.

Edit: ;-)

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Rui escreveu: Nenhum

Rui escreveu:

Nenhum setting em GURPS é jogar mal, porque GURPS é uma amálgama de regras.

Quer dizer então que Gurps Deadlands que pega no sistema de cartas de Deadlands e o remove completamente para o tornar GURPS nao é "jogar mal" segundo o teu conceito? Apesar de mudar completamente um sistema original que foi previsto para jogar com cartas? Nesse caso que dizer da versão D20 que muda o sistema original do autor para o transformar no d20? Já não é "jogar mal"? Porque foi sancionado pela editora original? Quer dizer que só é "jogar mal" quando as alterações são feitas pelos jogadores?

Rui escreveu:

House rule é uma regra feita em casa, qual a dúvida?

O mais giro é que muitas dessas house rules são adoptadas pelos autores dos jogos quando se criam as 2ªs, 3ªs, 4ªs e por aí adiante edições. Mas estou a ver que aí já é "deixar de jogar mal" porque os autores deram autorização para serem usadas.

Nazgul escreveu:

Se todos se estão a divertir estão a jogar bem!!

Em cheio!

"You think I'm old and feeble, do you? Well, face my Flying Windmill Kick, asshole!"

Vou introduzir uma house

Vou introduzir uma house rule na próxima vez que for GM de CoC, que vai ser dar XP aos jogadores por cada vez que matarem um GOO; vou também introduzir outra house rule que vai ser reduzir substancialmente o poder dos GOO, deixando estes de tirar SAN só por aparecerem. Uma outra house rule que vou introduzir vai ser permitir o uso de armaduras nas ruas de Chicago dos anos 20, ao mesmo tempo que toda e qualquer mercearia vai ter, pelo menos, 13 toneladas de TNT perfeitamente disponíveis a qualquer aventureiro. Uma outra house rule que vou introduzir vai ser a de que o jogo se passe num universo alternativo onde o Hitler ganhou a 2ª Grande Guerra, em 1920, e domina agora todos os Estados Unidos, menos a Califórnia, onde o hippismo apareceu 40 anos mais cedo, e se fuma um derivado de excremento de cão de tíndalo. Vou ainda introduzir outra regra que me vai permitir ganhar pontos de sanidade de cada vez que ligar mais à minha familia do que andar a perseguir os GOO, mas se for perseguir os GOO ganho XP! Ah, e vou estar a jogar CoC e a divertir-me à brava!

--~~--

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Rui escreveu: Vou

Rui escreveu:

Vou introduzir uma house rule na próxima vez que for GM de CoC, que vai ser dar XP aos jogadores por cada vez que matarem um GOO

Acho essa regra interessante. E como dás XP por matares Outer Gods ou Lesser Servitor Races?

Rui escreveu:

vou também introduzir outra house rule que vai ser reduzir substancialmente o poder dos GOO, deixando estes de tirar SAN só por aparecerem.

Quer dizer que se aguentarmos e não perdermos SAN, podemos atacá-los e segundo a primeira House Rule, ganhar XP por matá-los? Fixe! Mais XP para nós. Ver em baixo.

Rui escreveu:

Uma outra house rule que vou introduzir vai ser permitir o uso de armaduras nas ruas de Chicago dos anos 20, ao mesmo tempo que toda e qualquer mercearia vai ter, pelo menos, 13 toneladas de TNT perfeitamente disponíveis a qualquer aventureiro.

Lindo! Assim será mais fácil matar GOOs. Aguentamos a perda de SAN porque lhes reduziste a pujança, atiramos-lhes com 13 toneladas de TNT e banzaaaaai! XP a rodos! Quero o meu nível 20, já.

Rui escreveu:

Uma outra house rule que vou introduzir vai ser a de que o jogo se passe num universo alternativo onde o Hitler ganhou a 2ª Grande Guerra, em 1920, e domina agora todos os Estados Unidos, menos a Califórnia, onde o hippismo apareceu 40 anos mais cedo, e se fuma um derivado de excremento de cão de tíndalo.

Os tipos vão estar tão ganzados que nem perdem SAN quando virem o Cthulhu a saltar do pacífico. Melhor ainda. Fumamos uns charros, podemos atacar o Cthulhu porque é fácil de matar com aquela segunda house rule, e XP a dar com um pau, com a primeira house rule. Já agora, quanto XP ganhamos por matar o Hitler? E o Goering? Manda aí uma tabela que talvez me possa ajudar na campanha de CoC.

Rui escreveu:

Vou ainda introduzir outra regra que me vai permitir ganhar pontos de sanidade de cada vez que ligar mais à minha familia do que andar a perseguir os GOO, mas se for perseguir os GOO ganho XP! Ah, e vou estar a jogar CoC e a divertir-me à brava!

Já somos dois. Melhor ainda, arranjo uma mulher, caso com ela, tenho 30 filhos (deve dar 1 ponto de sanidade por filho, cada vez que me ligo mais a eles) e assim posso aguentar um GOO sem perder SAN nenhuma, matá-lo com 13 toneladas de dinamite, com uma penalização à pontaria porque fumei um charro na comunidade hippie da Califórnia, e XP a rodos por matar GOOs. Rui, acho que descobriste o Santo Graal de CoC. Acho que vou considerar isso seriamente da próxima vez que fizer CoC. Muito obrigado.

"You think I'm old and feeble, do you? Well, face my Flying Windmill Kick, asshole!"

Dwarin escreveu: Rui

Dwarin escreveu:
Rui escreveu:

Vou introduzir uma house rule na próxima vez que for GM de CoC, que vai ser dar XP aos jogadores por cada vez que matarem um GOO

Acho essa regra interessante. E como dás XP por matares Outer Gods ou Lesser Servitor Races?

Fácil; como eu não acho que as regras de XP são realistas, vou dar 1XP por cada ponto de dano que os investigadores fizerem.

Dwarin escreveu:
Rui escreveu:

vou também introduzir outra house rule que vai ser reduzir substancialmente o poder dos GOO, deixando estes de tirar SAN só por aparecerem.

Quer dizer que se aguentarmos e não perdermos SAN, podemos atacá-los e segundo a primeira House Rule, ganhar XP por matá-los? Fixe! Mais XP para nós. Ver em baixo.

Sim, e não te esqueças que ganhas SAN por ir jantar com a tua mulher enquanto o Grande Quetulu (eu não gosto da maneira como se escreve, por isso também vou alterar) destrói o orfanato. Ah, os Grandes Velhos já não destroem o mundo, destroem orfanatos. É mais humano.

Dwarin escreveu:
Rui escreveu:

Uma outra house rule que vou introduzir vai ser permitir o uso de armaduras nas ruas de Chicago dos anos 20, ao mesmo tempo que toda e qualquer mercearia vai ter, pelo menos, 13 toneladas de TNT perfeitamente disponíveis a qualquer aventureiro.

Lindo! Assim será mais fácil matar GOOs. Aguentamos a perda de SAN porque lhes reduziste a pujança, atiramos-lhes com 13 toneladas de TNT e banzaaaaai! XP a rodos! Quero o meu nível 20, já.

Não! Não há cá niveis! As personagens ganham proficiências!

Bom, mas de qualquer maneira, 13 toneladas de TNT devem fazer 5000 pontos de dano, o que dá 50000XP, mais ou menos.

Dwarin escreveu:
Rui escreveu:

Uma outra house rule que vou introduzir vai ser a de que o jogo se passe num universo alternativo onde o Hitler ganhou a 2ª Grande Guerra, em 1920, e domina agora todos os Estados Unidos, menos a Califórnia, onde o hippismo apareceu 40 anos mais cedo, e se fuma um derivado de excremento de cão de tíndalo.

Os tipos vão estar tão ganzados que nem perdem SAN quando virem o Cthulhu a saltar do pacífico. Melhor ainda. Fumamos uns charros, podemos atacar o Cthulhu porque é fácil de matar com aquela segunda house rule, e XP a dar com um pau, com a primeira house rule. Já agora, quanto XP ganhamos por matar o Hitler? E o Goering? Manda aí uma tabela que talvez me possa ajudar na campanha de CoC.

O Goering? Tás tonto ou quê? ANOS 20!! O Goering ainda não era nascido.

Dwarin escreveu:
Rui escreveu:

Vou ainda introduzir outra regra que me vai permitir ganhar pontos de sanidade de cada vez que ligar mais à minha familia do que andar a perseguir os GOO, mas se for perseguir os GOO ganho XP! Ah, e vou estar a jogar CoC e a divertir-me à brava!

Já somos dois. Melhor ainda, arranjo uma mulher, caso com ela, tenho 30 filhos (deve dar 1 ponto de sanidade por filho, cada vez que me ligo mais a eles) e assim posso aguentar um GOO sem perder SAN nenhuma, matá-lo com 13 toneladas de dinamite, com uma penalização à pontaria porque fumei um charro na comunidade hippie da Califórnia, e XP a rodos por matar GOOs. Rui, acho que descobriste o Santo Graal de CoC. Acho que vou considerar isso seriamente da próxima vez que fizer CoC. Muito obrigado.

Não me agradeças! Vou postar isto nos foruns da White Wolf e convencê-los a fazer a nova versão do Call of Quetulu! Assim a coisa torna-se oficial e estarei a jogar ainda melhor do que antes!

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Alguém muito sábio disse uma vez: "So, Trebek, we meet again! The game's afoot!"

A escrever: down*town, tech-noir rpg
Proto Agonístes um rpg de auto-descoberta, de um personagem e vários jogador

Rui escreveu: Sim, e

Rui escreveu:

Sim, e não te esqueças que ganhas SAN por ir jantar com a tua mulher enquanto o Grande Quetulu (eu não gosto da maneira como se escreve, por isso também vou alterar) destrói o orfanato. Ah, os Grandes Velhos já não destroem o mundo, destroem orfanatos. É mais humano.

Isso introduz um terrivelmente brilhante conceito de combate social. Tentar agradar à mulher durante o jantar, enquanto o Grande Katchulhu interrompe com os sons de destruição e criancinhas a morrer no orfanato do outro lado da rua. Genial!

Rui escreveu:

Bom, mas de qualquer maneira, 13 toneladas de TNT devem fazer 5000 pontos de dano, o que dá 50000XP, mais ou menos.

Terrivelmente genial. A proporção de 1:10 é um conceito que nunca me passaria pela cabeça. Já estou a ver o Lovecraft a saltar da sua campa e a dançar à noite (ou diria a uivar como o Niárlátautep).

Rui escreveu:

O Goering? Tás tonto ou quê? ANOS 20!! O Goering ainda não era nascido.

Andas com a história um bocado trocada. O Goering ou Göring para os amigos nasceu em 1893 e... ahahahaha, já percebi. É outra House Rule tua. Terrivelmente brilhante.

Rui escreveu:

Não me agradeças! Vou postar isto nos foruns da White Wolf e convencê-los a fazer a nova versão do Call of Quetulu! Assim a coisa torna-se oficial e estarei a jogar ainda melhor do que antes!

Da White Wolf? Acho que tinhas mais sorte em vender isso à Wizards of the Coast. A TSR, agora propriedade da WotC é que sempre teve inveja de CoC desde que a Chaosium os ameaçou com um processo se eles não retirassem o grande Katchulhu do Monsters Manual da primeira edição de AD&D. Por outro lado, vender a licença à WW mandaria a WotC às aranhas. Terrivelmente brilhante.

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House rules para toda a gente!

Deve ser esse o exemplo que tu mostras como sendo mau jogar, mas que eu acho francamente que é apenas criar variantes ao jogo original. Jogar bem ou mal um RPG tem apenas a ver com a postura dum jogador dentro da sessão. Se se está a jogar uma versão alterada de um RPG, tem de se falar disso, não partir para as injurias e pedir logo um auto de fé.

Sim, os jogos são feitos por visionários que querem partilhar uma ideia ou conceito, mas nem toda a gente consegue atingir essa visão. Pode ser falta de poder de comunicação, não ler bem o livro, ou ser algo realmente obscuro, e nestes casos aparecem as variantes. A que tu apresentaste acima é realmente um atentado contra CoC, mas deve ser carradas de divertido de jogar. E se algum dia jogares assim de certeza que te vais estar a divertir com CoC, mas com algo modificado do original. Continua a ser CoC? Bem, o setting é o mesmo(check), e as regras são as mesmas com uma alteração pequena, que é claro tem um impacto monstruoso (sort of check)

Realmente não é um "Joga-se muito mal RPG", será mais um "Altera-se muito o que os designers tentam transmitir com o setting e as regras". Se estivessemos a seguir sempre o que os designers nos intruem a fazer estariamos a eliminar uma caracteristica muito humana que há em nós: a criatividade. Como todos, mas mesmo todos os sistemas não são perfeitos, há sempre um momento em que se tem de introduzir uma house rule com impacto minimo no setting/regras. Mais do que algo infimo torna o que se está a jogar numa variante, e aí tem de se analisar o que se está a jogar com olhos mais atentos.

Ainda ninguém falou disto, mas o novo WoD tem uma premissa-base: o setting não é certo, não dizem com toda a certeza como as coisas funcionam. Ou seja, cada ST pode criar as suas variações, gerar as suas próprias house rules para ter o setting que deseja. Vampiros, lobisomens e magos dão-se todos bem e partilham a mesma cama sem haver sangue? Pode parecer jogar mal para muitos, mas se um ST assim o decidir ninguém lhe pode dizer isso, vem mesmo nas regras! Então, serão house rules um mau jogo mesmo quando fazem parte das regras de base dum jogo?


Light allows us to see, Darkness forces us to create...

 

Ofensa Barata?

Rui escreveu:

Picuinhice porque sim roça a ofensa barata.

>

Não, ofensa barata seria eu dizer "Pá, tu começaste para aqui este debate sem pés nem cabeça só mesmo para ver se as pessoas concordavam contigo e diziam amém. Quando não concordaram, vinhas com argumentos que se contradiziam e francamente acho que pediste para fechar o thread original só porque o pessoal todo andava a comer-te a cabeça."

Isto É ofensa barata. E não é o que eu quero.

Em vez disto estou a tentar dialogar contigo e tentar perceber os teus argumentos. Se os questiono, se sou picuinhas é porque eu para aceitar alguma coisa tenho que realmente a compreender, não sou do tipo de pessoas que aceito algo só porque me dizem que sim.

Até agora percebi isto: Para se jogar um jogo "bem", tem que se jogar segundo as regras e segundo o setting. Volto a fazer ver que então jogar Rokugan D20 é jogar mal e jogar Vampire GURPS também. Senão, vejamos: GURPS é um amalgamado de regras. Se eu fizer um monte de house rules novas e adaptar Vampire para elas estou a jogar bem? (foi o que GURPS fizeram). No entanto, tu anteriormente disseste que adaptar um sistema existente a regras que não as do autor, abrenuncio, jasus, vá de Metro, Satanás, nunca na vida.

O que me parece é que para se jogar bem, tem que se ter o "Selo de aprovação" dos autores. Mas e então empancamos naquela cena das house rules que depois se tornam regras oficiais.

A unica conclusão que tiro daqui é: para jogarem bem, têm que jogar de acordo com o que sai impresso ou é validado pelos autores.

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Eu Escrevi Um RPG Numa Semana!

Eu acho que consigo

Eu acho que consigo responder à maior parte das tuas questões pelo Rui, se é que percebo bem o seu ponto de vista.

Se estiver errado, Rui, lamento e tás a vontade para corrigir-me. Esta é a minha opinião dos pontos levantados pela Lady.

Em relação ao sistema: Não há uma versão certa e outras versões erradas. Se se joga a versão D20 não se está a "jogar mal" L5R 2nd mas sim a "jogar bem" L5R D20, desde que se esteja a "jogar bem" essa versão, claro.
Se se joga GURPS Vampire não se está a "jogar mal" WoD Vampire mas sim a "jogar bem" GURPS Vampire, desde que se esteja a "jogar bem" essas regras.
Se se está a jogar L5R 2000 (tal alteração ao setting proposto no manual) não se está a "jogar mal" L5R mas sim a "jogar bem" L5R 2000.
Etc etc

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O meu problema começa (e aqui deixo de estar a tentar responder e começo a questionar por mim só e apenas) quando se entra em campos de house rules/variantes caseiras em que não existe um nome ou definição que o identifique como tal. Se eu jogo D&D à lá B0rg mas não tenho um nome que edentifique essa variante aos outros estarei sempre a "jogar mal" D&D e nunca a "jogar bem" D&D à lá B0rg?? É isto que me leva a dizer que isto tudo é só e apenas um problema de comunicação dos jogadores e gm's e não um problema das formas como se joga!

[B0rg]
We r all as one!!
We are The Borg. We are Eternal. We will return. Resistance is Futile...

If freedom is outlawed, only outlaws will have freedom.

LadyEntropy escreveu:

LadyEntropy escreveu:

"Pá, tu começaste para aqui este debate sem pés nem cabeça só mesmo para ver se as pessoas concordavam contigo e diziam amém. Quando não concordaram, vinhas com argumentos que se contradiziam e francamente acho que pediste para fechar o thread original só porque o pessoal todo andava a comer-te a cabeça."

Acho que está tudo dito. Sumariza bem o que penso desta thread.

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