Cthulhu chama-me novamente

Retrato de Rick Danger

Voltei a jogar Call of Cthulhu este Sábado e a descobrir como é bom perder pontos de sanidade Innocent

O nosso mestre-jogo, o pontozero, começou um blogue da campanha aqui. Leiam nele a primeira aventura do meu Clive "Two Shakes" Mayflower Wink

Com os hand-outs que também estão disponíveis no blogue, é um link igualmente interessante para mestres-jogo à procura de ideias para histórias de terror cósmico.

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Curioso, também ando a

Curioso, também ando a jogar CoC e vamos fazer a próxima, e possivelmente ultima sessão, na próxima quinta-feira.

Como é que estão a correr as cenas de investigação? Têm usado algum método que ajude a dar a volta aos stresses que normalmente surgem?

"the drunks of the Red-Piss Legion refuse to be vanquished"

truques

RedPissLegion escreveu:

Como é que estão a correr as cenas de investigação? Têm usado algum método que ajude a dar a volta aos stresses que normalmente surgem?

Nesta primeira sessão, todas as pistas foram dadas por conversas com NPCs ou através de hand-outs sem implicar nenhum lançamento dos dados. Ainda não tivemos nenhum stress em obter a informação necessária para avançar na história, mas é possível que venha a surgir. Não sei se o pontozero tem alguma ideia em especial para isso, mas da minha parte é uma questão de envolver NPCs na investigação o mais possível (mais gente para lançar dados) e de tentar deduzir o máximo de informação a partir das pistas que estão disponíveis (mesmo antes de lançar os dados). No fundo, são truques de quem joga Call of Cthulhu, não são propriamente um método Wink

Já agora, daquilo que tenho lido de Trail of Cthulhu, é verdade que resolve completamente esta questão, mas parece-me que o faz partindo do pressuposto que não estamos a jogar com pessoas normais, mas já com bravos investigadores que necessariamente têem habilidades de investigação. É uma espécie de meta-jogo que paira, por exemplo, por cima de um playboy ou de uma diletante e considera que estas pessoas têem "investigative abilities". Acho que não é um RPG tão apropriado para todo o tipo de histórias de Lovecraft como CoC é, mas servirá muito bem para algo mais específico.

 

A sessão que joguei

A sessão que joguei também foi nessa onda, receber informação inicial sobre o problema a investigar e passar muito tempo na biblioteca, hospitais, falar com pessoas, etc. a tentar obter mais informação, mas foi tudo à base de lançamentos de dados.

Na próxima sessão vamos partir para a parte de "resolver o problema do espírito que assombra a casa", vamos ver como corre.

De qualquer modo, estava a colocar esta questão porque planeio começar um jogo de CoC (como GM) e queria tentar perceber quais são os "truques" que o pessoal usa para a investigação, que tende a ser sempre uma grande dor de cabeça nos RPGs que tenho jogado.

Quanto ao ToC, não posso comentar o teu comentário, não conheço o jogo.

"the drunks of the Red-Piss Legion refuse to be vanquished"

a minha opinião de aprendiz de Keeper

Olá a todos!

Para esta primeira sessão a questão dos NPC's e dos handouts ajudou-me a perceber a sua importância para evitar stresses. Um dos cuidados que comecei a ter é apenas pedir rolls para informação extra, isto é, aquilo que é necessário para a campanha prosseguir é mais ou menos acessível de se conseguir sem rolar skills (a menos que as skills dos investigadores sejam significativamente inferiores do que o normal). Ou seja, o investigador à partida chegará à conclusão que necessita de ir do ponto A ao ponto B, agora a forma como vai preparado difere dos resultados nos dados.

 

Exemplo prático:

Tanto o dr.Mayflower como o prof. Bishop souberam pelos NPC's e handouts que existia uma quinta com um demónio aprisionado. Contudo, ao chegarem à vila, o não questionarem os habitantes fez com que não soubessem da rapariga desaparecida que acabou por surgir na cena final e os testes de Spot Hidden que falharam, fez com que não vissem as carcaças de animais mortos no terreno, o que iria talvez pô-los mais alerta para a evidência de que a criatura já saía do edifício.

 

Para resumir, tal como o Rick disse, NPC's e alguns handouts ajudam a encaminhar as personagens no fluir da investigação para que não haja quebras na sessão. Mas também estou no início, vamos a ver como corre com aventuras cada vez mais complexas.

Rick Danger escreveu:

Rick Danger escreveu:

Já agora, daquilo que tenho lido de Trail of Cthulhu, é verdade que resolve completamente esta questão, mas parece-me que o faz partindo do pressuposto que não estamos a jogar com pessoas normais, mas já com bravos investigadores que necessariamente têem habilidades de investigação.

Mas os investigadores de Call of Cthulhu não têm skills de investigação? Chamam-se investigadores porque investigam, o manual aconselha a ter poucos skills e altos para que os investigadores sejam bons nas suas áreas. São pessoas normais, assim como os investigadores de ToC. A única diferença é que os investigadores de ToC recebem pistas sem lançar dados, mas (pelo post em cima) foi isso que o teu GM fez com CoC.

Rick Danger escreveu:

É uma espécie de meta-jogo que paira, por exemplo, por cima de um playboy ou de uma diletante e considera que estas pessoas têem "investigative abilities".

Investigative abilities em ToC são skills como Archaeology e Library use. Têm os mesmos nomes, logo não são tão diferentes de CoC. O que o sistema faz é que as Investigative Abilities dão automaticamente pistas, ao contrário das General Abilities.

Rick Danger escreveu:

Acho que não é um RPG tão apropriado para todo o tipo de histórias de Lovecraft como CoC é, mas servirá muito bem para algo mais específico.

Tens que me explicar o porquê deste pressuposto.

não sei o suficiente para te responder objectivamente

Dwarin escreveu:

Mas os investigadores de Call of Cthulhu não têm skills de investigação?

Têem skills, mas não há uma categoria à parte de investigative abilities, pelo que Trail of Cthulhu - na medida em que usa um sistema originalmente criado para um jogo de agentes de investigação (Esotterorists) - é mais focado nessa vertente, ou não?

Nunca mestrei nem li por completo os livros de CoC ou de ToC, pelo que certamente posso estar enganado, mas é a ideia com que fiquei. Call pode ter habilidades como Library Use ou Spot Hidden, mas Trail tem mesmo Evidence Collection e Forensics. No exemplo que eu referi, não te parece estranho um playboy que só quer saber de festas e do dinheiro da herança dos pais ter que comprar investigative abilities para a sua personagem (e de acordo com o número de jogadores que a party tem)? Não é que em Call of Cthulhu as personagens não acabem por se tornar investigadores, mas, na minha experiência, não começam como tal.

 

Muito bem, peguemos então

Muito bem, peguemos então nesse conceito do Dilettante (que existe em ToC). Em primeiro lugar, não aceitaria o conceito tal como o apresentaste. Uma personagem de Call of Cthulhu / Trail of Cthulhu não quer só saber de festas ou do dinheiro da herança. Pode ter como ponto de partida essa predisposição mas sabendo o jogador que CoC/ToC é um jogo de investigação, há que criar uma personagem predisposta para investigar nem que seja depois do primeiro confronto com o Mythos.

Em ToC, especificamente, o Dilettante tem acesso aos seguintes skills: Credit Rating, Flattery, Riding e mais cinco à sua escolha. Desta lista, apenas Credit Rating e Flattery são investigative abilities. Assumamos que eu quero fazer um Dilettante que é grande coleccionador de arte e um historiador amador (é uma paixão). Ficaria qualquer coisa assim:

Credit Rating, Flattery, Art History, Library Use, History e Occult (uma grande moda nos anos 20, principalmente entre as classes altas).

Tens aqui uma lista (que não inclui General Abilities) que parece ser perfeitamente adequada a um Dilettante, não? Howard Hughes era podre de rico e tinha paixões como aviação (Piloting), filmes (Photography - Investigative Ability), mulheres bonitas (Flattery - investigative ability) e tinha reputação para obter o que queria (Credit Rating). Com certeza que teria outras Investigative Abilities mas não conheço o homem a fundo.

Já agora Evidence Collection e Forensics são skills particularmente apropriados Detectives (primeiro) e Médicos (segundo). Não deixaria um Dillettante ter um desses a não ser que o jogador me explicasse muito bem e com toda a lógica porque teria um deles.

Howard Hughes é um bom

Howard Hughes é um bom exemplo de diletante positivo: podre de rico, inteligente e que além de saber gerir a fortuna de família aumentou-a. Mas acho que o Ricardo esstava mais a falar do esteriótipo: pessoas que se limitam a gastar o dinheiro todo, e cujos passatempos não ultrapassam as festas e mulheres (mesmo assim, já dá credit rating e fast talk).

 

" Robot durante o dia, vegetal durante a noite"

 

 

" Robot durante o dia, vegetal durante a noite"

"depending on group size"

Dwarin escreveu:

Muito bem, peguemos então nesse conceito do Dilettante (que existe em ToC).

Sim, a descrição desta ocupation em ToC parece-me bastante flexível e mais interessante do que o estereótipo habitual.

Citação:

Uma personagem de Call of Cthulhu / Trail of Cthulhu não quer só saber de festas ou do dinheiro da herança. Pode ter como ponto de partida essa predisposição mas sabendo o jogador que CoC/ToC é um jogo de investigação, há que criar uma personagem predisposta para investigar nem que seja depois do primeiro confronto com o Mythos.

Por acaso, eu até gosto de começar com um gajo qualquer que, apegado à sua normalidade, nunca seria capaz de admitir que está a investigar mistérios tão tenebrosos como os de Lovecraft. Claro que, como jogador, eu arranjo maneira de retro-justificar o comportamento da personagem de forma a meter-se na confusão, mas gosto do conceito de "não faço ideia como é que me meti nisto e agora não sei o que hei-de fazer." Pessoalmente, este é um conceito que me parece particularmente assustador - e não tenho dúvidas que é possível fazer isto em ambos os jogos, só estamos a falar de possíveis diferenças a nível do que vem proposto nos livros.

A esse nível, é verdade que, em ToC, grande parte das habilidades listadas como "investigativas" são perfeitamente normais, mas não deixa de existir esta categoria à parte e não deixam de os pontos que essas habilidades recebem serem determinados pelo número de jogadores que a party tem, ou seja, parece-me que ToC não se importa de sacrificar um pouco do lado ficional de simulação das personagens para garantir que a investigação corra na perfeição mecanicamente (que hajam pontos suficientes nas investigative abilities), o que eu compreendo perfeitamente. É uma das coisas que faz com que o Trail seja diferente do Call e possa ser eventualmente uma alternativa interessante.