Associação do hóbi

Aqui vai uma pergunta: Há alguma associação de promoção do hóbi? Não estou a falar de comunidades virtuais (estilo Abre o Jogo) ou físicas (como os encontros de Lisboa e do Porto). Estou a falar de uma associação devidamente institucionalizada, com associados, corpos gerentes, estatutos, personalidade jurídica, missão, estratégia, plano de actividades, sei lá o que mais.

Há alguma? Se não há... não é tempo de ser criada?

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Eles já houve

Já houve algumas tentativas de se criar uma associação para o hobby, algumas delas por utilizadores que frequentam este portal.

Contudo, do (parco) contacto que fui mantendo com esses projectos, parece-me que todos foram caindo devido à grande carga de trabalho e as discordias internas que involve uma empreitada dessas.

Pessoalmente, ainda gostaria de saber exactamente quais seriam as vantagens em haver algo do género. Qual é a tua ideia para uma associação?

"the drunks of the Red-Piss Legion refuse to be vanquished"

Retrato de Rick Danger

acho que não

RedPissLegion escreveu:

Pessoalmente, ainda gostaria de saber exactamente quais seriam as vantagens em haver algo do género. Qual é a tua ideia para uma associação?

Sim e em que medida acrescenta algo ao que já pode ser feito informalmente pela comunidade ou pelas várias empresas em concorrência. Certamente não resolve a falta de iniciativa.

Retrato de Tiago

Bem, isto assim de repente

Bem, isto assim de repente e em jeito de quem adivinha: credibilidade por exemplo.

O facto de haver uma organização de certa forma prova que é "uma coisa séria".

Se bem que pessoalmente não vejo grande utilidade para além disto, a não ser que se queira alugar um espaço para jogar e aí acho que sendo uma associação facilita o caso :p

www.breakingthemagic.com

Retrato de albinscott

Eu confesso que também

Eu confesso que também não sei que vantagens nos traria uma associação formal. Mas relativamente à questão de poder facilitar o aluguer de um espaço, de acordo com a minha pequena (pequeníssima, confesso) experiência, é precisamente ao contrário: se houvesse uma associação metida ao barulho, a burocracia aumentava. Acho que o o facto de termos aqui reunidos os vários Encontros Nacionais, como se fosse um Curriculum, é um cartão de visita mais do que suficiente.

Retrato de hugo_pereira_pt

Se fosse uma associação

Se fosse uma associação tipo associação juvenil, poderia promover o hobby e ter acessos a fundos comunitários.

Fundos esses que poderiam ser usados para:

  • markting dos encontros.
  • Para prémios de torneios.
  • Compra de jogos para a associação.

Mas também não estou muito por dentro destas materias...

-------------------
Hugo Pereira

Retrato de Rick Danger

produção nacional

Rick Danger escreveu:

em que medida acrescenta algo ao que já pode ser feito informalmente pela comunidade ou pelas várias empresas em concorrência

Estive a pensar se havia alguma ponta por onde pegar na associação e a única coisa que me lembrei é que as empresas em concorrência podem não estar interessadas em promover o hobby pois, quem se meter nisso, vai também estar a favorecer os próprios concorrentes - ou irá mesmo perder clientes para a concorrência que, em vez de gastar dinheiro em promoção, gastam dinheiro em baixar os preços (ex:lojas online).

No entanto, esta questão continua a não ser justificação, porque apenas é verdade a nível da distribuição. Se as empresas portuguesas envolvidas no hobby deixarem de ser simples prateleiras e começarem a produzir nem que seja traduções, a promoção e a concorrência funcionam lindamente.

Se, por exemplo, eu tiver a versão traduzida do Tsuro, posso perfeitamente calcorrear o país a promover o meu jogo e não me importar se o pessoal o vai depois comprar na fnac, loja da esquina ou online. Se estiver em português, é meu, ganho sempre dinheiro. Produção portuguesa é o caminho.

Retrato de soledade

Discórdias

Não se avançou com a ideia porque não há muitas pessoas a concordarem com ela.

Uma associação daria, por exemplo, ajuda em arranjar patrocínios para a LeiriaCon mas, por experiência própria, a acontecer, terá de ser uma coisa localizada por aqui mesmo, tipo a "associação de jogadores de Leiria" - só para podermos passar recibos, claro :)

"hay que endurecer, pero sin perder la ternura jamas!"

Ernesto 'Che' Guevara 1928 - 1967

Retrato de fs1973

Isso...

Concordo. Uma Associação, a funcionar correctamente, poderia trazer muitos benefícios ao hobby. Tenho a certeza disso.
Eu sou um grande defensor do associativismo, motor de grandes projectos. Mas sei, e tenho a experiência disso, que é difícil de gerir o compromisso que se assume quando se organiza uma Associação. Há sempre vozes discordantes, há sempre suspeições, há sempre aquela "portugalite" tão típica por cá.

Há uns tempos falou-se nisso, não houve unidade. Pode ser que um dia aconteça.
Ou então é como o paulo diz, a malta organiza-se, associa-se nos seus pequenos grupos e pelos seus próprios meios.

 

 

LeiriaCon, já só faltam 4 meses muahhhhh!!!!!

Retrato de The_Watcher

associações

Lembro-me de à algum tempo atrás se falar nisso mesmo. Surgiu um grupo de jogadores aqui no site que informou estar a criar uma associação de RPGs. Não informaram mais nada e recusaram-se a dizer mais pormenores, mesmo tendo aparecido em alguns meetups. Nunca mais ouvi falar deles nem do seu projecto.

Na mesma altura, outro grupo de jogadores também informou que ia criar um ramo de outra associação de literatura, devotada à fantasia e sci-fi. Chamava-se Épica, e também defenderia os RPGs. Isso parece que já foi em frente, os estatutos foram criados e tudo, mas também nunca mais ouvi nada deles.

Estes foram os mais recentes, mas muitos outros projectos estiveram na calha e não se realizaram. Normalmente era porque os custos da criação eram elevados para 3 ou 4 pessoas suportarem sozinhas. E pouca gente dava mais apoio. Passado uns meses de trabalho, tudo caia em águas de bacalhau e desistia-se.

Julgo que sera necessário fazer uma reflexão acerca deste assunto, nomeadamente a viabilidade duma associação de RPGs e de que modo pode funcionar. Julgo que ser criada só para dar espaços é pouco. Dar apoios a eventos também não sabe a nada, pois necessita que outros criem eventos. Algo assim deve funcionar para desenvolver o mercado de RPGs e afins, dar-lhes visibilidade. No fundo, gastar tempo a defender o hobby e não a jogar os hobbies.

Retrato de Starita

http://epicapt.com/ eles

http://epicapt.com/

eles andem aí.

A Épica, acompanhei mais ou menos de perto a sua criação.

Tudo começou com grupos que se formaram através de dois fóruns: o sci-freaks e o filhos de athena.

Entrantanto, e em conjunto com o editor da revista dragãoquantico (que existia na altura), promoveu-se um Encontro na Faculdade de Ciências, com vista a trazer alguns editores/escritores/nomes importantes da fantasia e da ficção ciêntifica. O Phil chegou a lá ir fazer demonstrações de jogos de tabuleiro, rpg, vampire. (isto foi em 2004, salvo erro, e até foi o meu primeiro contacto com jogos de tabuleiro "a serio").

Acharam então que deviam criar uma "associação" para promover estes encontros, e daí nasceu a epica. Todos os anos fazem o dito "Fórum Fantastico", que ao que parece será de 2 a 5 de Outubro.

 

Retrato de Gantrithor

Assim deixa de ser hóbi

A criação de uma associação para promoção do hóbi, a meu ver, iria contra a própria noção de hóbi pela carga de trabalhos e horários de encontros de gestão que isso acarreteria. Se não é "Just For Fun" deixa de ser um hóbi.

Gantrithor

Retrato de Asur

yep

Assino por baixo. Não vejo qualquer interesse nesta medida, muito sinceramente. Isto para mim terá piada enquanto for um grupo de pessoas amigas, a jogar pelo jogo, sem compromissos, hierarquias, custos obrigatórios, briguinhas parvas entre gente, etc, etc...

Porque se justifica uma associação

Bem, aqui vai o mais sucinto possível:

A função das associações é ajudarem ao desenvolvimento das actividades a que respeitam. Há milhares de associações nos mais variados campos de vida que o fazem de forma perfeitamente adequada. É absurdo olhar para o associativismo nos termos propostos por Grantrithor e Asur. Além de que eles esquecem o simples facto de que as associações são voluntárias. Quem não quer participar é livre de o fazer. Mesmo que depois venha a beneficiar das actividades da associação - como a experiência demonstra em tantos campos.

Quanto ao comentário de The Watcher, eu não tinha em vista uma associação dedicada apenas aos rpgs. O hóbi é já suficientemente pequeno para se criarem divisões destas. A minha ideia era uma associação que apoiasse jogos de tabuleiro, rpgs, wargames, mesmo jogos de cartas.

A Épica é interessante mas não é uma associação do hóbi, embora o seu fóco de interesse esteja próxima deste e com ele viva em «ecossistema». Naturalmente, há todo o interesse numa colaboração.

Tem toda a pertinência discutir o âmbito geográfico de uma associação. Provavelmente é esta ter um âmbito restrito em vez de se abalançar a ter âmbito nacional logo à partida. Por exemplo, ser uma associação de Lisboa. Ou do Porto. Ou de onde houver iniciativa e capacidade de organização. Até podem aparecer várias associações em paralelo com âmbitos geográficos diferentes. Não é caso novo, já vi acontecer isto acontecer noutros domínios. Depois de as diferentes associações regionais estarem consolidadas, podem avançar para uma federação nacional. Cada caso é um caso e determina soluções diferentes.

A carga de trabalho é um problema real mas resulta frequentemente de expectativas excessivas, objectivos demasiado ambiciosos, falta de pragmatismo e até de experiência de gestão. Tudo isso é ultrapassável.

Quanto à portugalite, às discórdias e aos conflitos de ego, no comments. São coisas que me passam completamente ao lado. Eu não acredito na portugalite, para começar. Quando falo de associação estou a pressupor que os associados são gente crescida, madura, que sabe o que está a fazer, pragmática e com capacidade de execução. Não há gente assim no hóbi? Nenhum de vocês que escreveu neste fórum ou que o leu é assim?

Quanto às vantagens relativamente ao informal e ao que fazem as empresas, é simples, olhem para associações de outros hóbis e grupos de interesse. Porque é que eles entendem que têm vantagens em terem associações? Será que são de um planeta diferente do planeta do nosso hóbi? Creio que não. O informal tem as vantagens e as desvantagens de o ser. É mais flexível mas mais limitado. As empresas têm os seus interesses, sem dúvida importantes, mas não necessariamente coincidentes com os dos consumidores, mesmo que todos sejam complementares.

Quanto às vantagens, não há aqui nada a inventar e algumas já foram referidas:

Como disse o Tiago, credibilidade. Isso é mais importante do que se pensa. Facilita imensa coisa como a organização de eventos. É sempre mais fácil realizar um evento com alguma dimensão quando se tem uma organização por trás, sobretudo quando essa organização implica apoios institucionais, patrocínios, etc.

Promoção, publicidade e relações públicas. É mais fácil chegar à tv, por exemplo, com uma associação. Ou a um jornal regional. Ou a um programa de rádio.

Capacidade de organização. É para isso que existem as associações, para organizarem.

Difusão de informação entre os interessados no hóbi. As organizações tendem a ter boletins, sites, mailings, etc. e tal.

Pressão. Uma associção é um parceiro legítimo para, por exemplo, negociar uma revisão da incidência fiscal sobre os jogos - baixar o IVA. Um grupo de jogadores não o é.

Parcerias e relações institucionais. Uma associação está melhor posicionada para sensibilizar uma câmara para criar ludotecas nas bibliotecas municipais, para abrir as escolas aos jogos, para difundir na comunidade informação crítica (estudos sobre o valor pedagógico dos jogos de tabuleiro... se existirem), para colaborar com associações congéneres noutros países, etc. e tal.

Há imensa coisa que uma associação pode fazer. Desde que haja imaginação. Como em tudo na vida.

Sérgio Mascarenhas

PS E para que não hajam equívocos, o que uma associação não faz: Não se substitui à iniciativa informal dos fans do hóbi como o Abre o Jogo, os Encontros, o simples prazer de jogar com amigos. Não se substitui aos comerciantes como a Runadrake ou o Homem Azul. Não soluciona os conflitos de interesses, pessoais, comerciais instalados no pequeno meio em que vivemos.

Retrato de Rick Danger

e aplicam-se ao nosso caso?

smascrns escreveu:

A função das associações é ajudarem ao desenvolvimento das actividades a que respeitam. Há milhares de associações nos mais variados campos de vida que o fazem de forma perfeitamente adequada.

Em geral, as associações centram-se sempre numa determinada actividade. Nela reside a sua identidade, bem como se verificam diferentes níveis de desempenho/dedicação que destinguem os seus membros. Por exemplo, na Associação Portuguesa de Go (da qual já fiz parte) este jogo ancestral, com uma identidade perfeitamente definida, é a razão de ser da organização. Havendo diferentes níveis de desempenho/dedicação, todos os sócios pagam quotas anuais nomeadamente para que os sócios que jogam melhor possam ir a torneios mundiais sem pagarem a viagem.

Por outro lado, o nosso hobby é acima de tudo um negócio. Aquilo que existe para se jogar é determinado directamente pelas empresas (e só indirectamente por nós). Não existe uma identidade clara (quantas discussões já não tivemos no AoJ sobre o que é ou não um rpg?) e não é natural haver uma distinção de desempenho entre os possíveis sócios.

Mesmo assim - e supondo que até dá pouco trabalho tratar disso - imaginemos que se criava a associação. Qual eram as vantagens concretas? Toda a gente continuava a fazer exactamente o mesmo que tem feito até agora - com sites, blogues, encontros, reviews, traduções, etc. - mas podiam dizer que fazem parte da Associação XYZ? Só isso faria toda a diferença? Ou haveria um propósito de levar as coisas mais longe instituindo quotas aos sócios para financiar estas e outras iniciativas? É necessária uma associação para que se mova dinheiro?

Já agora - e voltando ao meu post inicial - se quiserem um exemplo de como a iniciativa empresarial leva um hobby mais longe, só têem de olhar para os jogos de computador. Aquilo que antes era um obscuro entrenimento de geeks e nerds fechados no armário agora tem direito a reportagens nos telejornais, spots de publicidade nos grandes jogos de futebol, múltiplos campeonatos mundiais com prémios in cash, milhões de fãs ligados em todo mundo, etc. Suponho que até deve ter havido associações no meio desta história toda, mas foram as empresas que fizeram toda a diferença.

Retrato de Tiago

Tiro ao lado

Rick Danger escreveu:

Já agora - e voltando ao meu post inicial - se quiserem um exemplo de como a iniciativa empresarial leva um hobby mais longe, só têem de olhar para os jogos de computador. Aquilo que antes era um obscuro entrenimento de geeks e nerds fechados no armário agora tem direito a reportagens nos telejornais, spots de publicidade nos grandes jogos de futebol, múltiplos campeonatos mundiais com prémios in cash, milhões de fãs ligados em todo mundo, etc. Suponho que até deve ter havido associações no meio desta história toda, mas foram as empresas que fizeram toda a diferença.

 

Vou disparar ao lado do tópico agora: continuo a dizer que uma boa maneira de espalhar o hobby é recorrer aos nossos conhecidos jogadores de computador, e não é com o típico gateway, é mesmo com um daqueles médio-pesados ou pesados com uma boa apresentação (não estou só a falar do eye-catchy dos 'trash).

Quanto à associação vão sempre ser precisos os "mártires" que vão acabar por ter ali um segundo trabalho não remunerado enquanto os outros meramente pagam as quotas e usufruem dos possíveis direitos.

Quanto à possibilidade de baixar o IVA sei que é apenas um exemplo mas acho muito difícil. Aqui há tempos havia uma campanha lançada pela FNAC para baixar o IVA dos DVDs (não sei se ainda decorre) mas pelo que sei nunca deu em nada, e isto é uma empresa que tem uma força muito maior que uma associação.

www.breakingthemagic.com

Retrato de Rick Danger

recibos

Tiago escreveu:

Quanto à associação vão sempre ser precisos os "mártires" que vão acabar por ter ali um segundo trabalho não remunerado enquanto os outros meramente pagam as quotas e usufruem dos possíveis direitos.

Normalmente, o que acontece é que os "mártires" têem direito a despesas de representação. As quotas serviriam para lhes pagar a gasolina e os almoços necessários para ir aos encontros, fazer demonstrações, debater patrocínios, etc.

Pessoalmente, não gosto muito deste tipo de contas. Acho que geram sempre confusão e conflitos.

São formas de remunerar o

São formas de remunerar o trabalho como outras quaisquer. Desde que sejam transparentes, claras e devidamente contabilizadas não há qualquer razão para gerarem conflitos... excepto no caso de gente como uma velhota que vive aqui no prédio. O administrador de condóminos - da respectiva associação - não paga quota de condomínio. Pois sempre que me cruzo com a idosa senhora ela levanta a suspeita de que ele mete imenso dinheiro ao bolso. Há sempre gente assim em todas as associações e são normalmente os que nada fazem, que não têm opinião no seu sítio próprio (as reuniões da associação) e que nunca contribuem com uma ideia positiva que levantam mais suspeições. É a vida. Gente desta existe sempre e seria idiota deixar de levar as associações para a frente por causa dela.

Sérgio Mascarenhas

O go, o xadrez, as damas

O go, o xadrez, as damas são casos especiais. São jogos que estão no domínio público. Tivesse o go sido inventado agora e estaria a ser comercializado por uma empresa que seria muito cuidadosa a proteger os seus «direitos». Estas são realidades da vida com as quais temos de lidar.

As associações do hóbi não tem que ser enfeudadas a uma empresa. Elas podem e devem, precisamente, ser independentes das empresas. Uma associação do hóbi pode ser tão centrada como uma associação dedicada ao go. Aliás, sem conhecer de todo a associação do go penso que esta é bem menos centrada e focalizada do que pensas quando olharmos para o universo total de jogadores de go. Que serviços presta ela aos jogadores ocasionais? Ou àquelas pessoas que têm o jogo lá em casa e jogam de vez em quando?

Discutir o que é determinado pelas empresas e aquilo que é determinado pelos consumidores é daquelas questões que têm barbas, para as quais há milhares de artigos científicos, ideológicos ou meramente opiniosos. As associações não têm que responder a estas perguntas, têm que responder aos problemas concretos que se colocam a cada momento aos seus associados.

Nem sequer têm de responder a questões como, «o que é um rpg?». Qualquer discussão desta natureza num sítio como, por exemplo, o AoJ parte de um erro de fundo: quem a discute no AoJ já sabe a resposta, quando muito discute os detalhes. É típico de grupos pequenos de «iniciados» perderem-se em discussões bizantinas de detalhe e esquecerem-se de que há uma vasta maioria de gente que não sabe nada do assunto. Qualquer um dos membros do AoJ que discute acaloradamente a definição de rpg entre si sem chegar a consenso vai dar uma resposta semelhante quando tiver de explicar o que é um rpg a quem não souber de todo o que isso é. É isto que justifica cabalmente uma associação, a promoção junto dos não iniciados.

Como é evidente, uma associação não visa alterar os comportamentos de quem já está no hóbi. Estás complemtamente a leste quando olhas para a coisa deste ângulo. O problema é que o hóbi está acantonado num gueto de gente opiniosa (ou assim parece se levarmos à letra o que tu e mais algumas pessoas escrevem) cheia de ideias feitas. Mas o que o hóbi precisa é de chegar a outros sítios. Ora quem já tem a cabeça tão organizada não o leva a lado nenhum, como tu dizes, «contínua a fazer exactamente o mesmo que tem feito até agora».

Eu não gosto lá muito das «portugalices» mas há uma que vem sempre à baila que é da do Velho do Restelo. É como ele que tu te exprimes. Já te tinhas dado conta disso? E não me venhas com a treta de que estás a ser «realista» porque precisamente o que o Velho do Camões mais tinha era realismo.

Sérgio Mascarenhas

Retrato de Rick Danger

questionei antes de contestar

smascrns escreveu:

As associações não têm que responder a estas perguntas, têm que responder aos problemas concretos que se colocam a cada momento aos seus associados.

Mas vejo-te concretizar pouca coisa (e talvez a pessoalizar demasiado a discussão). Fazer o quê exactamente que vá além do que já se tem feito? Ambos sabemos que a associação é apenas um meio para chegar a um fim, certo? Em que medida acrescenta valor?

Bem, em primeiro lugar

Bem, em primeiro lugar seguramente que me vês concretizar pouca coisa. Discuto uma ideia, não um projecto. Em segundo lugar contrapões à minha falta de concretização perguntas tão genéricas que só podem ser respondidas com observações genéricas e muito pouco concretizadas. Como é que uma associação cria valor (para usar a tua expressão, não necessariamente a que eu preferiria)? Basta olhar à volta para as que existem. Nem todas criam valor, é certo. Mas também as há que criam. Além de que a forma como uma associção - seja ela qual for - cria valor muda no tempo.

Um par de exemplos, porém: foi uma associação francesa que lançou o primeiro rpg de introdução gratuito para promoção do hóbi em França em tempos em que não havia internet. O objectivo não era substituir-se aos jogos comerciais, antes era colocar à disposição de todos os interessados na promoção do rpg um instrumento facilmente acessível para o fazer. Essa mesma associação resolveu lidar por antecipação com a questão dos supostos perigos sociais dos rpgs (a questão de levarem a práticas demoníacas que surgiu nos EUA décadas atrás e que, como é normal, ameaçava espalhar-se na Europa). O que ela fez foi pedir uma investigação à polícia criminal francesa. Um agente foi encarregue da investigação e chegou à conclusão de que os rpgs não eram um risco, bem pelo contrário. Nestes casos concretos a existência e actuação de uma associação acrescentaram valor. Isto é transponível para a nossa realidade? Penso que não, os tempos são outros e nós não somos franceses. Mas pode ser que haja entre nós outras formas de acrescentar valor.

No momento presente, por exemplo, uma associação do hóbi criaria valor se aumentasse a visibilidade deste, a sua identidade, a sua especificidade junto de quem o desconhece.

O que implica definir o hóbi, outro ponto em aberto. Uma associação pode ajudar à sua definição de forma pragmática e empírica, orientada para a comunicação com o grande público e não para alimentar guerras de capelinhas.

De forma clara: uma associação não é indispensável mas pode ser útil, como sempre sucede, aliás. Para ser útil há apenas duas condições indispensáveis: gente disponível e motivada. Tudo o resto que foi apontado contra a ideia de uma associação é secundário e ultrapassável. Ao que vejo é isto que falha, disponibilidade e motivação. A ser assim não há espaço para uma associção pois não há gente associável.

Sérgio Mascarenhas

Retrato de JohnnyBeGood

Contas de sumir

Estava a ver se não metia o bedelho nesta discussão, e vou ver se o faço de raspão.

 

Ainda é cedo, ou então será sempre cedo para avançar para uma Associação no que diz respeito a um Hobby que é tão ou mais semelhante a coleccionar cadernetas de cromos (a analogia do extremo).

Quantos são aqueles que vêm o Boardgaming como um hobby (passatempo)? Quase todos os que conheço e com quem convivo nas sessões semanais e mensais e até no Encontros. Quantos se revêm numa instituição de boardgaming? Instituição?! Raios, o que é isso?

 

Não me parece que os boardgamers, sejam os portugueses ou outros, queiram assumir compromissos relativamente a uma coisa que lhes dá prazer fazer, quando, onde e na quantidade que os satisfaz. Instiitucionalizar o hobby é impor regras muito definidas: órgãos de gestão, financeiros (ui, ui, já não chega a contabilidade da casa e a catrefada de jogos económicos que existem!), papelada à esquerda, à direita, realização de eventos no dia x à hora y, etc... Lá se ía o prazer de dizer: "Eh pá, DEVO estar lá por volta de x horas com x,y,z jogos debaixo do braço...." - "DEVO" porque posso não... depende de alguns factores aleatórios, como seja a vontade de sair do sofá ou não!

 

A minha opinião sobre este assunto é: NÃO! Por diversas razões e factores e coiso, e tal, e coiso. Nem vale a pena enumerar. Deixem de perder tempo (para já) com este assunto e passem à acção: vão para a rua jogar, nem que seja berlinde de tabuleiro, e quando a comunidade tiver 2.000 ou 2.500 (lá estou com números, até parece coisa de instituição - quantificar associados!), então sim, nessa altura deverá ser preciso organizar as "tropas", meter ordem no "curral", criar uma ou várias Associações.

 

Para já, a única Associação que me comprometo fazer, é com um parceiro qualquer numa mesita do canto a dar na tola a uma dupla qualquer, numa "tichuada" ou outro jogo de elaborada destreza de manipulação de cartas, tiles, cubinhos, ou outro marcador qualquer.

 

Vamos a jogar mais e falar menos, não dêm razão ao ditado popular que diz: "cão que ladra, não morde". (Marum... empresta aí um pato... Duck! Incoming missile!

 

«Mais vale estar calado e julgarem-te um idiota, do que abrir a boca e dissipar todas as dúvidas.»

Retrato de Dugy

National Boardgamers Association

JohnnyBeGood escreveu:

Vamos a jogar mais e falar menos, ...

 

Não diria melhor.

Somos ainda muito poucos para que se institucionalize este hobby. Com as jogatanas realizadas nos encontros estamos, aos poucos é certo, a atrair curiosos. Estes curiosos começam a aparecer nos encontros. Vão querem comprar alguns jogos que os atrairam. As lojas vão comercializando mais e vão-se expandindo. E esses curiosos passam a palavra. E as lojas vão vendendo mais. E o ciclo continua...

Personificando, somos como um muído de 10 anos. Estamos a crescer malta. No dia em que formos já granditos (quando atingirmos a maioridade), aí sim, acho que será a altura ideal para nos associarmos...

Até lá, "joguem mais e falem menos"!

Eduardo

Insti quê?

Mas não se trata de «institucionalizar» o hóbi, tarefa fútil e contraprodutiva. Trata-se de o promover e expandir.

Sérgio Mascarenhas

Retrato de Dugy

Pois

smascrns escreveu:

Trata-se de o promover e expandir.

 

Isso é o que já fazemos. E não precisamos de ser uma associação para o fazermos.

Bem pelo contrário

Mas primeiro convém definir melhor as coisas. Quando formos 2.000 ou 2.5000... quê? Uma pessoa que comprou (ou recebeu de prenda) o Settlers of Cattan e até acha piada jogar o jogo com os amigos faz parte desses 2.000 (fiquemo-nos pelo número mais conservador), ou não? Presumo que não, que tens em vista pessoas que jogam vários jogos, que conhecem o meio, que se identificam com ele, que se consideram parte do hóbi.

O que requer a resposta a outra questão, tu falas de jogos de tabuleiro (não me leves a mal mas prefiro o velho pt ao crioulo luso-inglês), o Rick Danger (raio de nome, prefiro o velho pt ao crioulo luso-inglês) fala de rpgs. O que define o hóbi? Para mim é ainda o velhinho e já extinto sub-título da Casus Belli, Jeux de simulation (em francês no original, não se trata de crioulo luso-francês).

Sem prejuízo disto, quando houverem 2.000 pessoas neste país (mais uma vez basta-me o número mais conservador) que se identificam com o hóbi a associação já se terá tornado redundante numa das suas principais tarefas, a divulgação. Pois para mim esta é uma das tarefas mais nobres dela e tanto mais importante quanto menor for o número daqueles que se identificam como amadores de jogos de simulação.

Sérgio Mascarenhas

Retrato de JohnnyBeGood

Convenceste-me

Não!

Já estivéste por dentro do nascimento de uma Associação? Já participáste activamente numa Associação (nos órgãos gerentes)?

 

Se Sim, força! Tens o meu apoio. Mete lá mãos-à-obra que eu aplaudo e ainda te pago o lanche quando viéres cá acima ao norte convencer o pessoal a aderir (sim, porque isso não funciona post-a-post.

Se Não, estás a gastar latim, ou crioulo luso-inglês ou como lhe queiras chamar.

 

Desde já estás convidado a vir participar num encontro semanal ou mensal cá no Porto, e discutimos o assunto depois da jogatana.

 

«Mais vale estar calado e julgarem-te um idiota, do que abrir a boca e dissipar todas as dúvidas.»

Retrato de The_Watcher

alguém se está a esquecer

Será que se pode incluir no Hobby os jogos de cartas coleccionáveis? É que se sim, temos já Magic a engrossar o número e só com isso já se deve chegar sem problemas aos 2000. Magic até é 1 dos pontos de entrada mais fortes para o hobby, visto ser o ccg mais popular do mundo, pelo qual muita gente toma conhecimento com rpg e boardgames.

Problema resolvido?

Retrato de Tiago

Assim terias uma

Assim terias uma associação de Magic que por acaso também tratava de board games.

Não muito depois da formação dessa associação haveriam movimentos separatistas por parte dos CCG's para terem associação própria pois não necessitam dos poucos membros dos boardgames e RPG da associação :p

www.breakingthemagic.com

Retrato de The_Watcher

dessa maneira

Pensando dessa maneira, um dia o pessoal dos RPGs faz a mesma coisa, não por serem a maioria mas sim a minoria na associação. E então deixava-se de ter uma associação do hobby para ter 3 associações: CCGs, RPGs e BGs.

De qualquer das maneiras concordo com os que dizem que ainda não é a hora. Realmente ainda não há gente suficiente para por tudo a andar e para a associação aparecer naturalmente. Haverá um dia em que isso será possível, muito provavelmente quando se tentar fazer uma convenção portuguesa a sério. Sim, já houve várias feiras e torneios grandiosos, mas nada como se vê lá fora, pois não? Ainda não atingimos essa massa crítica por cá, e enquanto não atingirmos não vale a pena tarmos com megalomanias.

Retrato de Mallgur

Hóbi é crioulo...

smascrns escreveu:

O que requer a resposta a outra questão, tu falas de jogos de tabuleiro (não me leves a mal mas prefiro o velho pt ao crioulo luso-inglês), o Rick Danger (raio de nome, prefiro o velho pt ao crioulo luso-inglês) fala de rpgs. O que define o hóbi? Para mim é ainda o velhinho e já extinto sub-título da Casus Belli, Jeux de simulation (em francês no original, não se trata de crioulo luso-francês).

"Hóbi" é que é crioulo-de-mau-tradutor-de-inglês... Sem ofensa para o crioulo. Há uma palavra realmente portuguesa para isso.

Aparte disso, e apesar de ter tentado manter-me o mais afastado desta discussão possível, até porque já disse o que pensava sobre o assunto noutro tópico dedicado ao mesmo, o teu tom neste tópico é mais que suficiente para se perceber que uma associação, para já, não resultaria.

Mas se realmente tens ilusões acerca disto, força. Cria lá uma associação e depois vê-se no que dá.

A divulgação está a ser feita. Acredito até que de melhor maneira do que se conseguiria com uma associação neste momento.

Dizes mais acima que não acreditas em "portugalite", mas esta permanente necessidade de ter números de contribuinte e presidente e estatutos e não sei mais que porcarias burocráticas é precisamente um dos principais sintomas de "portugalite"... Nada se faz bem neste jardinzinho sem papelinhos...

Um dia poderemos vir a precisar de ter existência jurídica e dinheiro para eventos realmente grandes. Até lá, vamos continuar a jogar, a falar a quem não conhece, a estar em locais públicos com os jogos montados e a divertir-nos. Isso vai chamando mais gente, e esses trarão outros e um dia talvez sejamos tantos que se torne difícil organizar-mo-nos sem uma associação. Nesse dia faça-se a associação. Nesse dia ficarei feliz, dar-lhe-ei o meu apoio se for bem feita e mais feliz ficarei ainda por não ter que a dirigir.